Cavossonante escudo nosso
palavra: panacéia
ornado de consolos e compensas
enquanto a seta-fado
nos envenena ambos tendões
rachados
No sabuloso mar na salsa areia
alimento não cresce
cobras crescem
e nos impõe silêncio o bramir vero
do veado oceano
cio cio
verdade, matogrosso universal
viçosamente ouvida
não palavras pa
lavras
e do cosmo selvagem
recém recém tombada
AMOR
estrela inominada pedra lava
escudo panejante panacéia
(a cruz
se enfuna)
bólide trespassando chão-essência
peito-presença
AQUI
estamos.
Entre nome e fenômeno balança
Entre nome e fenômeno balança
nunca meu coração:
ferido sangra
pelo rosto do ser e por seus rins,
indiferente, he le na, às sílabas
véus teu ventre disfar-farçando:
ele singra ela sangra ele roxo
....espuma...
pela forma da coisa por seu peso
e para de pulsar rugindo contra
o que serve de rocha e despedaça
a liberdade sétima -- tocar
a liberdade oitava -- penetrar
a liberdade inteira -- conhecer:
COR AÇÃO
o sopro do metal ressoa chama
para a luta real
(há remoinhos)
cavossonante escudo rebentamos
a fraga estilhaçamos nus sem-pele
estrelorientados rumo-nós
boiamos
ainda que parados:
mudos:
somos.
Fonte: Mário Faustino. Poesia Completa e Poesia Traduzida. Introdução, Organização e Notas: Benedito Nunes. São Paulo: Max Limonad, 1985.
Nenhum comentário:
Postar um comentário