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sábado, janeiro 03, 2026

Horácio, Livro I, Ode 4 - Sete Traduções

Soluitur acris hiems grata vice veris et Favoni
     trahuntque siccas machinae carinas,
ac neque iam stabulis gaudet pecus aut arator igni
     nec prata canis albicant pruinis.
Iam Cytherea choros ducit Venus imminente luna              
     iunctaeque Nymphis Gratiae decentes
alterno terram quatiunt pede, dum gravis Cyclopum
     Volcanus ardens visit officinas.
Nunc decet aut viridi nitidum caput impedire myrto
     aut flore, terrae quem ferunt solutae;               10
nunc et in umbrosis Fauno decet immolare lucis,
     seu poscat agna sive malit haedo.
Pallida Mors aequo pulsat pede pauperum tabernas
     regumque turris. O beate Sesti,
vitae summa brevis spem nos vetat inchoare longam.               
     Iam te premet nox fabulaeque Manes
et domus exilis Plutonia, quo simul mearis,
     nec regna vini sortiere talis
nec tenerum Lycidan mirabere, quo calet iuventus
     nunc omnis et mox virgines tepebunt.    
           

Tradução de Neyde Ramos de Assis (1962) 
Esvai-se o duro inverno ao grato retomar da primavera e as máquinas arrastam para o mar os navios em sêco; já não se alegra o gado em ficar nos estábulos e nem o lavrador em estar junto ao fogo, e a branca neve já não alveja os prados. Vênus, a Citeréia, dirige as danças à luz da lua e as belas Graças, junto com as Ninfas, batem a terra com um pé, com outro; e, enquanto isso nas fatigantes forjas dos Ciclopes, arde Vulcano.

Nesta ocasião convém cingirmos a cabeça luzente de perfumes com o verde mirto ou com as flôres que a terra produz, livre do gêlo; e imolarmos a Fauno, nos umbrosos bosques sagrados, uma ovelhinha ou um cabrito, como êle preferir. A pálida Morte pisa com o justo pé as cabanas dos pobres e os palácios dos reis. Ó afortunado Séstio, a breve duração da vida não permite que concebamos uma grande esperança. Logo te cobrirá a noite, a sombra da região dos manes, a exígua morada de Plutão; e,  quando ali chegares, não sortearás com os dados o rei do vinho nem fitarás o delicado Lícidas, por quem agora ardem os jovens e logo as moças se apaixonarão.

Tradução de Bento Prado de Almeida Ferraz (2003)

Brando se faz o rigoroso inverno,
pis já lá vêm Favônio e a primavera;
são levada ao mar as secas quilhas.
Já não se aquece o gado nos estábulos,
não goza o lavrador junto à lareira,
nem mais alveja o prado a branca geada.
Já, à clara lua, Vênus Citerea
dirige os coros, e as formosas Graças
juntas às Ninfas, batem, em cadência,
pés alternos, a terra; dos Ciclopes
Vulcano acende as duras oficinas.
Convém cingir agora a fronte ungida
do verde mirto ou das olentes flores,
que a mole terra reproduz fecunda
Convém agora que se imole a Fauno,
nos sagrados, sombrios bosques, anho
ou cabrito, conforme o seu desejo. 
Pálida, a morte, eqüitativa, bate
às cabanas dos pobres e aos palácios
dos ricos. Ó feliz Séstio, esta vida
breve não nos promete uma esperança
longa. Eis já aí a noite, e os fabulosos
manes e os reinos de Plutão vazios,
onde então, quando para lá partires,
não mais, com dados, tirarás a sorte
o reinado do vinho, como dantes,
nem mais admirarás o jovem Lícidas,
por quem ora se abrasa a juventude
e, logo mais, se abrasarão as virgens.

Tradução de Márcio Thamos (2006)

Desfaz-se o rude inverno com o retorno
da doce primavera e de Favônio,
e as máquinas arrastam quilhas secas.
Já não apraz ao gado estar no estábulo,
e nem ao lavrador sentar-se ao fogo:
não mais alveja o campo a branca neve.

Vem Vênus citereia já puxando
um cordão sob a lua sobranceira,
e as Graças, lindas, a dançar com as ninfas,
no ritmo dos seus pés a terra batem;
enquanto, grave e ardente, vai Vulcano
inspecionar as forjas dos ciclopes.

É hora de adornar a fronte clara
com o verdejante mirto ou com uma flor
que a terra, agora livre, nos oferta;
é hora de imolar, no umbroso bosque,
a Fauno a ovelhinha que ele exija,
ou um cabrito, caso ele prefira.

Com o mesmo passo adentra a Morte pálida
mesquinhas choças e soberbas torres.
Meu caro Séstio, a vida é muito breve,
nela não cabem longas esperanças.
De repente verás que já te cercam
a noite com seus manes espectrais
e a morada impalpável de Plutão.

Assim que lá chegares, dize adeus
a todos os prazeres deste mundo. 



Tradução de Pedro Braga Falcão (2008/2021) 

Dissolve-se o áspero inverno dando a bem-vinda vez à primavera e ao Favônio,
     as máquinas arrastam secas a quilhas,
e não mais se alegra o gado nos estábulos, nem o lavrador junto ao fogo,
     nem os campos alvejam com a ebúrnea geada.

Já Vênus Citereia seus coros conduz sob a luz que alteia,
     e as formosas Graças, junto com as Ninfas,
tocam na terra ora num pé, ora noutro, enquanto o refulgente Vulcano
     as imponentes forjas dos Ciclopes visita.

Agora é tempo de cingir a luzidia testa com o verde mirto,
     ou com a flor que a terra livre trouxe;
é hora de oferecer nos umbrosos bosques a Fauno sacrifícios;
    quer exija uma cordeira, quer prefira um cabrito.

A pálida Morte com imparcial pé bate à porta das cabanas dos pobres
     e dos palácios dos reis. Ó Séstio feliz,
a breve duração da vida impede-nos de encetar duradouras esperanças.
    Em breve te oprimirá a noite, e os Manes da lenda,

e a esquálida casa de Plutão; e assim que por lá vagares
    não mais te sairá nos dados a presidência do vinho,
nem admirarás o delicado Lícidas, por quem agora toda a juventude arde,
     e por quem em breve as virgens hão-de corar. 

Tradução de Frederico Lourenço (2023) 

O acre inverno é dissolvido pela mudança bem-vinda da primavera e do Favónio;
    e as máquinas arrastam as quilhas secas;
e já nem o gado se agrada com os estábulos nem o agricultor com o fogo;
    nem os prados com alvas geadas se branqueiam.
Já Vênus Citereia conduz as danças sob a lua sobranceira;
    e juntas com as Ninfas as Graças decorosas
percutem terra com pé alternado, enquanto Vulcano
   ardente visita as possantes oficinas dos Ciclopes. 
Agora fica bem ou a lustrosa cabeça atar com verde mirto, 
   ou atá-la com uma flor que as terras soltas oferecem.
Agora fica bem sacrificar a Fauno em bosques sombrios,
    quer ele exija uma cordeira, quer prefira um cabrito.
A pálida Morte atinge, com pé imparcial, casebres de pobres
    e torres de reis. Ó bem-aventurado Séstio,
o píncaro breve da vida impede-nos de dar início a uma esperança longa;
    já a noite oprime, assim como os Manes da fábula
e a casa insípida de Plutão. Assim que lá chegas,
    nem as soberanias do vinho sortearás com dados,
nem mirarás o jovem Licídas, com quem se escalda a rapaziada
    toda agora; e com quem, em breve, as virgens se vão encalorar. 

Tradução de Guilherme Gontijo Flores (2024)

Solvem-se o inverno amargo à feliz primavera e ao Favônio,
   roldanas correm sobre as quilhas secas,
gado não quer mais curral, lavrador não procura mais por fogo
   nem prados na geada então se alvejam.
Vênus Citérea guia seu coro por sob a lua clara, 
   acompanhando as Ninfas belas Graças
batem os pés alternados na terra e assim Vulcano ardente
    incita as oficinas dos Ciclopes.
Hoje convém coroar na cândida fronte murta verde
    ou flor que inculta terra florescera,
hoje à sombra dos sacros bosques convém sagrar a Fauno
    cabrito ou anho -- como assim prefere.
Pálida Morte idêntico pé baterá em casas pobres
   ou régias torres. Ó alegre Séstio,
esta brevíssima vida nos veta de longas esperanças,
  a noite já te oprime, os Manes (mitos)
e o ínfimo paço Plutônio; logo que para lá partires
   não tentarás no dado reinos víneos,
não mais verás o teu Lícidas tenro por quem se abrasam jovens
   e em breve as virgens todas viram fogo. 

Tradução de Trajano Vieira (2025)

O inverno acre cede, a primavera e o Zéfiro
tornam, carenas secas vão ao mar.
Alguém apaga o fogo, a rês já deixa o estábulo.
O gelo alvo não branqueia o prado.
Vênus conduz o coro, as Graças belas juntam-se
às Ninfas, cadenciando os pés à luz
da lua. Sob o auspício de Vulcano inflamam
as forjas na oficina dos Ciclopes.
Perfume o mirto verde as tranças dos cabelos,
a flor que espouca quando a terra se abre! 
No bosque umbroso impõe-se imolar a ovelha
ao Fauno, caso não se escolham cabras.
A morte branca pulsa o mesmo pé na torre
do rei e no casebre. Rico Séstio,
a vida breve barra a esperança longa.
A noite logo pesa e o lar esquálido
de Plutão, Manes fabulares. Quando partas,
dados não mais te elegem o ás da festa,
Licidas não admiras mais, por quem os jovens
ardem agora e, em breve, a moça inflama-se. 


    

segunda-feira, julho 04, 2011

Íbico, fr. 286 PMG "Primavera"

Na Primavera, os marmeleiros
da Cidônia, regados pelas correntes
dos rios, lá onde das Virgens
está o puro jardim: e os pâmpanos
a crescerem sob folhagens sombrias,
rebentos de vinha. Mas para mim o amor
não descansa em nenhuma estação;
ardendo sob o relâmpago
como o Bóreas da Trácia,
lança-se de junto de Cípris com sedentas
insânias, tenebroso, desavergonhado,
e com força, de cima a baixo, sacode
o meu espírito.

Tradução de Frederico Lourenço


Fonte: LOURENÇO, F. Poesia Grega de Álcman a Teócrito. Lisboa: Cotovia. 2006

Íbico, fr. 285 PMG - "Sob pálpebras azuis"

O Amor de novo sob pálpebras azuis
com seus lânguidos olhos me contempla,
e com toda a espécie de encantos
me lança para as malhas inelutáveis da Cípris.
Na verdade tremo à sua chegada,
como o cavalo portador do jugo e arrebatador de prêmios, já velho,
que entra contrariado com o rápido carro na corrida.

Tradução de Frederico Lourenço

Fonte: LOURENÇO, F. Poesia Grega de Álcman a Teócrito. Lisboa: Cotovia. 2006

Íbico - "Euríalo" (fr. 288 PMG)

Euríalo, rebento das Graças de olhos esverdeados,
favorito das...de bela cabeleira! Cípris
e Persuasão de pálpebras suaves
te nutriram entre flores de rosas.

Tradução de Frederico Lourenço

Fonte: LOURENÇO, F. Poesia Grega de Álcman a Teócrito. Lisboa: Livros Cotovia. 2006.

Anacreonte fr.346 PMG

Mas tens além disso um temperamento
medroso, tu que dos rapazes tens o rosto mais belo!
Que te mantém firmemente em casa
é o que pensa a tua mãe,
mas tu fugiste...
para os campos cobertos de jacintos,
onde Cípris soltou do jugo
os seus cavalos.
...no meio te lançaste,
...e muitos dos cidadãos
sentiram o coração a esvoaçar.

Eu andava no pugilato com um adversário difícil,
...mas levanto a cabeça...
e devo muita gratidão...
por ter fugido do Amor...
e das suas amarras...
terríveis, por causa de Afrodite.
Que me tragam vinho,
que me tragam água a borbulhar.

Tradução de Frederico Lourenço

Fonte: LOURENÇO, F. Poesia grega de Álcman a Teócrito. Lisboa: Cotovia, 2006

domingo, abril 17, 2011

Ilíada, XXI, 73-110 - Aquiles e Licáon

Então Licáon com uma mão tocou-lhe os joelhos em súplica,
enquanto com a outra agarrava a lança afiada e não a largava.
E falando-lhe proferiu palavras apetrechadas de asas:

"Peço-te pelos teus joelhos, ó Aquiles. Respeita-me e tem pena
de mim. Perante ti, ó tu criado por Zeus, sou suplicante venerando.
Pois foi à tua mesa que primeiro comi o cereal de Deméter,
no dia em que me tomaste no bem cuidado pomar;
depois levaste-me para longe do meu pai e dos meus amigos,
para a sacra Lemnos; lá te fiz lucrar o preço de cem bois.
Agora ganhei a liberdade por ter pago três vezes o meu preço;
e esta é a minha décima segunda aurora, desque que regressei
a Ílion depois de tudo que sofri. Agora de novo nas tuas mãos
me pôs o fado malévolo. Sou decerto detestado por Zeus pai,
que me dá novamente a ti. Para uma vida curta me deu à luz
minha mãe, Laótoa, filha de Altes, o ancião -
Altes, que é rei dos belicosos Léleges,
senhor do íngreme Pédaso no Satnioente.
Príamo desposou sua filha, assim como muitas outras;
mas dele nós dois nascemos, e tu matar-nos-ás aos dois.
Ao outro tu mataste entre os peões dianteiros,
ao divino Polidoro, com uma estocada da tua lança.
Agora ao meu encontro virá a morte. Pois não creio
que escaparei às tuas mãos, visto que nelas me pôs um deus.
Mas outra coisa te direi e tu guarda-a no teu espírito:
não me mates, pois não nasci do útero donde nasceu Heitor
que matou o teu companheiro, tão bondoso e valente.

Assim lhe falou o glorioso filho de Príamo com palavras
de súplica; mas não foi voz branda que ouviu em resposta:

"Tolo! Não me ofereças resgates nem regateies comigo.
Antes de a Pátroclo ter sobrevindo o dia do seu destino,
sempre me era mais agradável ao espírito poupar
os Troianos; e muitos levei eu vivos para vender noutro lado.
Mas agora nem um fugirá à morte, de todos os que o deus
me lançar nas mãos à frente das muralhas de Ílion:
nem um dentre todos os Troianos, muito menos os filhos de Príamo.
Não, querido amigo: morre tu também. Por que choras para nada?
E não olhas para mim e não vês como sou alto e belo?
Homem nobre é meu pai e deusa é a mãe que me gerou.
Mas também para mim virá a morte e o fado inelutável.
Chegará a aurora, a tarde ou então o meio-dia
em que em combate alguém me privará da vida,
quer atirando a lança ou disparando uma flecha."

Tradução de Frederico Lourenço

sexta-feira, março 18, 2011

Anacreonte

Fragmento 391 PMG

Mas agora a grinalda da cidade foi destruída.

Fragmento 394 PMG

Graciosa andorinha de voz tão doce!

Fragmento 396 PMG

Traz água e traz vinho, ó rapaz! Traz-me também coroas
de flores. Vai buscá-las: quero andar ao murro com o Amor.

Fragmento 398 PMG

Os dados do Amor
são a loucura e a algazarra.

Fragmento 407 PMG

Oferece-me, meu querido,
as tuas coxas tão esbeltas.

Fragmento 413 PMG

Como um ferreiro de novo o Amor me golpeou
com um grande machado e banhou-me na corrente invernosa.

Fragmento 414 PMG

Cortaste a flor perfeita do teu cabelo macio.

Fragmento 428 PMG

De novo amo e não amo,
estou doido e não estou doido.

Tradução de Frederico Lourenço

Fonte: LOURENÇO, F. Poesia grega de Álcman a Teócrito. Lisboa: Cotovia, 2006

Íbico, fragmento 282a - "Arte Poética"

...destruíram de Príamo Dardânida
a grande, famosa e venturosa cidade,
vindos de Argos, devido
à deliberações do grande Zeus,

por causa da beleza da loira Helena
suportando conflitos muito cantados
na guerra lacrimosa;
e a desgraça montou Pérgamo miseranda,
devido a Cípris dos dourados cabelos.

Mas agora não é meu desejo cantar
Páris, traidor do anfitrião que o recebeu,
nem Cassandra dos finos tornozelos,
nem todos os outros filhos de Príamo,

nem o dia inominável da tomada
da alta Tróia; nem narrarei
o altivo valor dos heróis,
trazidos em côncavas naus

de muitas cavilhas como flagelo
para Tróia, heróis excelentes.
Comandava-os o poderoso rei
Agamémnon, da linhagem de Plístenes,
condutor de homens, belo filho de Atreu.

Nestes temas as sábias Musas
do Hélicon talvez embarcariam,
mas nenhum homem mortal
...conseguiria dizer tudo:

quantas naus de Áulis
através do mar Egeu desde Argos
vieram até Tróia
apascentadora de cavalos,

com homens vestidos de bronze a bordo,
filhos dos Aqueus; entre os primeiros,
com a sua lança, Aquiles de pés velozes,
e o potente Ájax Telamónio...
...do fogo

....o mais belo homem de Argos...
...

...que a náiade de cinta dourada,
Hílis, deu à luz; a este, Troianos e Dânaos
comparavam Troilo,
como ouro três vezes trabalhado
a uma liga de bronze,

pois consideravam-no
muito parecido na beleza.
Estes têm a beleza para sempre.
Também tu, ó Polícrates, terás renome imorredouro,
graças ao meu canto e à minha fama.

Tradução de Frederico Lourenço.

Fonte: LOURENÇO, F. Poesia grega de Álcman a Teócrito. Lisboa: Cotovia, 2006.

Semônides, Fr.1 W - "A Condição Humana"

Ó rapaz, é Zeus tonitruante que detém o desfecho
de tudo quanto existe e tudo dispõe como quer.
Não há inteligência nos homens, mas vivemos
efêmeros como gado, sem sabermos
como o deus terminará cada coisa.
Porém a esperança e a credulidade
alimentam-nos a vontade do impossível.
Uns esperam que venha o dia, outros as estações.
Não há ninguém que não julgue chegar ao ano
seguinte, amigo da riqueza e da prosperidade.
Mas a velhice, nada invejável, apanha um homem
antes de chegar à sua meta; a outros mortais
destroem as doenças miseráveis; e Hades envia
outros para debaixo da negrra terra, mortos por Ares.
Outros agitados na tempestade marítima
e nas ondas numerosas do mar purpúreo
morrem, quando não conseguem sustento em terra.
Outros ainda atam uma corda ao pescoço em desgraçado
destino e deixam por sua vontade a luz do sol.
Assim, nada existe sem misérias, mas incontáveis
desgraças e sofrimentos inesperados existem
para os mortais. Mas se eu tivesse o poder de persuadir,
não estaríamos apaixonados pelas desgraças,
mas daríamos cabo do coração com dores amargas.

Tradução de Frederico Lourenço

FONTE: LOURENÇO, F. Poesia Grega de Álcman a Teócrito. Lisboa: Cotovia, 2006.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Álcman 3 Dav.

Musas do Olimpo, o meu espírito
com o desejo de um canto novo
enchei! Quero ouvir
a voz virginal
a entoar até o céu a bela melodia!
...
sobre as minhas pálpebras espalhará o doce sono
...
depressa agitarei os louros cabelos.
...
Com desejo que deslassa os membros, ela lança-me
um olhar mais derretedor que o sono ou a morte.
A doçura dela não é em vão.

Astimelusa não me responde,
mas de grinalda na mão,
como uma estrela cintilante
no céu fulgente,
ou ramo de ouro ou macia penugem...
...
Quem me dera que ela me pegasse pela mão!
Depressa eu me tornaria suplicante dela.

Tradução: Frederico Lourenço.

Fonte: LOURENÇO, F. (org.) Poesia Grega de Álcman a Teócrito. Livraria Cotovia. 2006.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Anacreonte - Fr.357

Soberano, com quem o Amor subjugador
e as ninfas de olhos azuis
e a purpúrea Afrodite
brincam, quando estás
nos altos píncaros das montanhas!
Suplico-te; e tu de espírito compassivo
vem até mim, para ouvires
a minha grata prece.
Sê bom conselheiro de Cleobulo,
para que o meu amor,
Ó Dioniso, ele aceite.

(Trad. Frederico Lourenço)