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quinta-feira, janeiro 22, 2026

Mimnermo fr. 1 - Trad. Donaldo Schüler

 Que é a vida? O que é gostoso longe da esplêndida Afrodite?
Quero morrer, quando cessar a fome
dos segredos do amor, dos suaves favores, do leito --
estas e não outras são as flores da juventude
de homens e mulheres. Sobrevindo dolorosa
a velhice, deformadora de homens formosos,
cuidados amargos roem as entranhas,
cessa a alegria da luz solar,
vem a repulsa dos jovens e o desprezo das mulheres.
Amarga fizeram a velhice os deuses. 

Fonte: Schüler, Donaldo. Literatura Grega. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1985. 

quinta-feira, julho 31, 2008

Mimnermo e Sólon

MIMNERMO
Que sem doenças e árduos sofrimentos
aos sessenta anos me venha a hora fatal da morte.

SÓLON
Mas se ainda agora me ouvisses, destrói esse verso
e não tenhas inveja porque pensei melhor do que tu:
muda o teu poema, ó doce cantor, e canta assim:
"aos oitenta anos me venha a hora fatal da morte"
............................................
Que a morte não me chegue sem lágrimas, mas aos amigos
possa deixar, quando morrer, dores e gemidos.
...........................................
Envelheço mas aprendendo sempre muitas coisas.

Tradução de Sólon: Gilda N.M. de Barros

domingo, dezembro 16, 2007

Mimnermo: Fr.2 Diehl

Nós, como em tantas flores faz a primavera
Folhas se abrirem, quais flores tenras,
Ébrios vamos vivendo efêmero fulgor,
Sem saber nada do que os deuses tramam!
As negras Parcas nos espiam, entretanto,
Uma em torturas finda nossa idade,
Outra costura a morte, e dura a juventude
O tanto quanto o sol passeia ao solo.
Morrer prefiro, antes que suma a primavera.
No fim das flores, crescem na alma os males,
E, consumada a queda, sobra a mágoa:
Um cai dentro do Inferno, uivando os filhos
Que não teve, outro adoece e morre, qual!
Aos males que nos manda Zeus ninguém escapa!

[Tradução: Antonio Medina Rodrigues]

sexta-feira, outubro 12, 2007

Mimnermo 1: tìs dè bíos...

que vida sem o consolo
de afrodite - ouro e crisólitos!
melhor morrer quando não mais
o mel do prazer a cripta
do amor furtivo a cama
me disserem: ama!

(Tradução de Haroldo de Campos)


Outra tradução: Antônio Medina Rodrigues

segunda-feira, maio 21, 2007

Mimnermo 1

Que vida tem valor, sem de Afrodite
As da dádivas douradas? Antes quero a morte,
Se os beijos não tiver, e a cama e os apetites,
Que são da rubra mocidade a sorte,
Varões a porem nus e senhoritas.
(A idade, ao descambar num ser humano,
Imprime nele os males todos: tudo o irrita.
Nem o aviva mais o sol, o céu de Urano,
Nem nas crianças vê coisa bonita.
E as fêmeas o desprezam, tanto o soberano
Ao homem no final da vida prejudica.)

(Tradução de Antônio Medina Rodrigues)