Alta e solene mais alta do que a luz
A pesada palidez sagrada do Pártenon
Reina sobre o dia
A pesada palidez sagrada do Pártenon
Reina sobre o dia
Folhagens dançam movidas pelo vento
Na mesa ao lado a Koré de nariz direito e cabelo entrançado
Serve de intérprete e erguendo a sua taça
Brinda com os comerciantes tedescos que saquearam
A Grécia e a Europa quase toda
Mas que após a derrota de seus generais
Ganharam a guerra
O café tem pó -- relíquia dos turcos
Porém no vinho resinado no frescor da vinha
Na fina suave brisa nas pálidas colunas
Algo dos deuses súbito visita
A luz do instante
Sophia de Mello Breyner Andresen. Ilhas. in Obra Poética. Rio de Janeiro: Tinta da China, 2018.
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