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quarta-feira, dezembro 05, 2018

Xenófanes, fr. 15 D-K

ἀλλ' εἰ χεῖρας ἔχον βόες <ἵπποι τ'> ἠὲ λέοντες
ἢ γράψαι χείρεσσι καὶ ἔργα τελεῖν ἅπερ ἄνδρες,
ἵπποι μέν θ' ἵπποισι, βόες δέ τε βουσὶν ὁμοίας
καί <κε> θεῶν ἰδέας ἔγραφον καὶ σώματ' ἐποίουν
τοιαῦθ', οἷόν περ καὐτοὶ δέμας εἶχον <ἕκαστοι>.

Mas se mãos tivessem os bois <cavalos> e leões
ou pudessem desenhar com as mãos e fazer obras como os homens,
então os cavalos, símeis a cavalos, e bois, símeis a bois
desenhariam as formas dos deuses e comporiam seus corpos
tal e qual o porte que <cada um deles> tem.


Trad. Rafael Brunhara

domingo, setembro 15, 2013

Xenófanes - fr. 1 W

(A descrição de um simpósio ideal): 


Agora, limpo é o chão, e as mãos de todos,
e as taças: um cinge-nos trançadas coroas,
e outro estende-nos olente bálsamo em um prato:
a cratera está repleta de alegria.
Pronto outro vinho, melífluo nas jarras,
Odor de rosas, que afirma jamais acabar;
No meio propaga-se santo perfume de incenso;
é fresca a água, é doce, é pura.
Ao lado pães dourados, majestosa mesa
cheia de queijos, de mel pingue;
o altar no meio está todo coberto de rosas;
Canto dança e festival envolvem a casa.
Devem primeiro hinear ao Deus os homens alegres
Com afamados mitos e puras palavras
Após libar e rogar pelo poder de fazer o justo
(isto em verdade é mais fácil, não a insolência);
deve-se beber o quanto suportas, e poder
voltar para casa sem auxílio,a menos que muito idoso,
e louvar aquele homem que ao beber revela nobres palavras,
para que haja memória e esforço pela virtude;
e não devem expor os combates de Titãs, de Gigantes,
de Centauros, ficções dos antigos,
ou ardentes sedições, nelas não há o que preste,
mas ter dos Deuses sempre a boa providência.

νῦν γὰρ δὴ ζάπεδον καθαρὸν καὶ χεῖρες ἁπάντων
καὶ κύλικες· πλεκτοὺς δ' ἀμφιτιθεῖ στεφάνους,
ἄλλος δ' εὐῶδες μύρον ἐν φιάληι παρατείνει·
κρητὴρ δ' ἕστηκεν μεστὸς ἐυφροσύνης·
ἄλλος δ' οἶνος ἑτοῖμος, ὃς οὔποτέ φησι προδώσειν,
μείλιχος ἐν κεράμοις, ἄνθεος ὀζόμενος·
ἐν δὲ μέσοις ἁγνὴν ὀδμὴν λιβανωτὸς ἵησιν,
ψυχρὸν δ' ἐστὶν ὕδωρ καὶ γλυκὺ καὶ καθαρόν·
παρκέαται δ' ἄρτοι ξανθοὶ γεραρή τε τράπεζα
τυροῦ καὶ μέλιτος πίονος ἀχθομένη·
βωμὸς δ' ἄνθεσιν ἂν τὸ μέσον πάντηι πεπύκασται,
μολπὴ δ' ἀμφὶς ἔχει δώματα καὶ θαλίη.
χρὴ δὲ πρῶτον μὲν θεὸν ὑμνεῖν εὔφρονας ἄνδρας
εὐφήμοις μύθοις καὶ καθαροῖσι λόγοις,
σπείσαντάς τε καὶ εὐξαμένους τὰ δίκαια δύνασθαι
πρήσσειν· ταῦτα γὰρ ὦν ἐστι προχειρότερον,
οὐχ ὕβρεις· πίνειν δ' ὁπόσον κεν ἔχων ἀφίκοιο
οἴκαδ' ἄνευ προπόλου μὴ πάνυ γηραλέος.
ἀνδρῶν δ' αἰνεῖν τοῦτον ὃς ἐσθλὰ πιὼν ἀναφαίνει,
ὡς ἦι μνημοσύνη καὶ τόνος ἀμφ' ἀρετῆς,
οὔ τι μάχας διέπειν Τιτήνων οὐδὲ Γιγάντων
οὐδὲ < > Κενταύρων, πλάσμα<τα> τῶν προτέρων,
ἢ στάσιας σφεδανάς· τοῖς οὐδὲν χρηστὸν ἔνεστιν·
θ<εῶ>ν <δὲ> προμηθείην αἰὲν ἔχειν ἀγαθήν.

Tradução: Rafael Brunhara

quinta-feira, setembro 23, 2010

Xenófanes - Elegias

Fragmento 3 W

Discípulos dos Lídios em seu fausto sem sentido
(longe da odiosa tirania, ainda),
acorriam à ágora na gala de túnicas púrpuras,
- e a turba ultrapassava mil!, -
cheios de si, soberbos em melenas lindas,
exalando arômatas sutis

Fragmento 6 W

Pelo envio da coxa de um cabrito,
recebeste um pernil supimpa de touro pingue,
digno de eternas loas em todos os rincões
helenos, enquanto houver a raça dos aedos helênicos.

Fragmento 8 W

Há sete anos já mais uns sessenta,
divulgo o meu pensar em solo grego,
além de vinte e outros cinco, desde que vim ao mundo,
se posso ser exato nesse assunto...

Trajano Vieira

VIEIRA, T. Xenofanias - releitura de Xenófanes. Campinas: Editora da Unicamp; São Paulo: Imprensa oficial, 2006

domingo, setembro 19, 2010

Xenófanes, 2 W

Se alguém, com pés turbinados, colhesse os louros de Nike,
ou no pentatlo, onde se localiza o templo de Zeus
à beira-Pisa, rio olímpio, ou na luta,
ou na estressante peleja de boxe,
ou na selvagem disputa denominada pancrácio,
cairia nas graças da coletividade,
assinalado por todos na tribuna de honra,
levando alimento às custas do erário,
e o regalo do prêmio, verdadeiro tesouro.
Mesmo no hipismo, receberia o acima descrito,
sem o merecer como eu: músculos e eqüinos,
a força bruta, ficam aquém da minha filosofia!
Esse hábito extrapola o razoável! É justo
optar pela força em detrimento da boa sabedoria?
Um representante do povo campeão de boxe,
ás no pentatlo, ouro na pugna,
expedito na pista (modalidade mais honrosa que o uso
da força nos jogos), não garante à pólis um norte.
Fugaz sera o prazer da cidade
se um filho seu ganhasse na fímbria do Pisa.
Isso não sobe os silos da pólis.

Trajano Vieira

VIEIRA, T. Xenofanias - releitura de Xenófanes. Campinas: Editora da Unicamp; São Paulo: Imprensa oficial do Estado de São Paulo. 2006

sexta-feira, setembro 17, 2010

Xenófanes, Fragmento 7a

Testemunha casual do açoite de um cão,
reagiu, coração partido - é o que dizem:
Pára! Chega de tortura! Pertence a um amigo
seu espírito. Reconheci-o pelo timbre do grito.

Trajano Vieira

VIEIRA, T. Xenofanias - releituras de Xenófanes. - Campinas, SP: Editora da UNICAMP; São Paulo, SP: Imprensa oficial do Estado de São Paulo, 2006.

quinta-feira, setembro 16, 2010

Xenófanes, Fr. 1 W

Agora o solo se depura, as mãos todas, os cálices;
alguém eleva à fronte a trança da coroa;
um outro infunde bálsamo no púcaro;
a cratera, plena, rejubila-se;
ultimam um vinho diverso - sua falta é inadmissível! - ,
docimel, arômata floral nos jarros;
espira sacra incensa o meio;
água pura, água-dulçor, frescor de água;
pronto o louro pão; fartura de queijo e mel
à mesa engalanada;
pétalas antológicas enchem o altar central;
vozes musicais ocupam a morada em festa.
Iniciar hinos ao deus é prerrogativa de homens felizes,
com seus mitos de augúrio, linguagens de catarse.
Finda a libação e o clamor pelo justo proceder
- eis o que a tudo precede! -
beber já não agride, quando permita o torna-lar
sem amparo no escravo, se idade não pesa...
Digno de nota é quem, pós-beberagem, revela temas de nobreza,
o tônus da memória no que é meritório,
não em episódios de refregas titânicas, gigânteas,
centáureas, invencionices do passado,
ou nas revoltas sanguinárias. Que vantagem nos trazem?
Dádiva é manter a mente nas deidades.

Trajano Vieira.

Fonte: VIEIRA, T. Xenofanias: releituras de Xenófanes. Editora da Unicamp, São Paulo, SP: Imprensa oficial do estado de São paulo, 2006.

domingo, dezembro 16, 2007

Xenófanes de Colófon - Fr.2 Diehl

Mas se alguém alcançar a vitória com a velocidade
dos pés, ou do pentatlo, - onde fica o santuário de Zeus,
junto das águas de Pisa, em Olímpia - ou na luta,
ou porque sabe a arte dolorosa do pugilato,
ou ainda num concurso terrível chamado o pancrácio
será mais ilustre à vista dos seus concidadãos
terá o lugar de honra mais aparatoso nos jogos,
e alimentação a expensas públicas
da sua cidade, e uma dádiva, que será para ele um tesouro.
E se ganhar com cavalos, tudo isto ele obterá,
sem ser tão digno como eu. Pois melhor do que a força
dos homens e corcéis é a nossa sabedoria.
É isso um modo de pensar leviano e não é justo,
preferir a força à notável sabedoria.
Pois nem que vivesse entre o povo um notável pugilista,
ou um homem hábil no pentatlo ou na luta,
ou na corrida, que tem a preferência,
e tantos atos de força demonstrasse no combate,
nem por isso a cidade estaria em melhor ordem.
Pequeno prazer seria para a urbe
alguém que vencesse nas provas das margens do Pisa.
Pois não é isso que enche os cofres da cidade.

[Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira]