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sexta-feira, junho 05, 2026

Li Bai - Bebendo sozinho sob a lua (3 traduções)

 Em meio a flores a jarra de vinho
virar sozinho sem mais companhia
Erguer o copo à lua reluzente
e mais a sombra agora somos três
Contanto a lua não saiba beber
e em vão a sombra me devolva o corpo
por um momento seguem lua e sombra
Todo o prazer é só uma primavera
Eu canto e a lua flana tremulando
Danço e se soma a sombra redobrando-se
Despertos dividimos alegria
depois de ébrios cada qual um caminho
Até não mais, desfeitos nós se apartam
rever-se um dia pela Via Láctea 

Tradução de Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao in: Antologia de Poesia Clássica Chinesa - Dinastia Tang, São Paulo: Editora da Unesp. 2013

Ergo entre as flores um copo de vinho
e convido o luar
Acabo também por convidar
a minha sombra.
Mas a lua não sabe beber.
e a minha sombra não me consegue acompanhar.
Companheiros de um instante.
– a lua      a minha sombra e eu – vamos brindar.
à primavera..
Enquanto canto     a lua vagueia.
Enquanto danço  a minha sombra desespera.
Esqueçamos tudo enquanto estivermos a beber.
Que cada um se afaste.
quando o dia chegar.
Na longínqua Via Láctea.
mais cedo ou mais tarde.
nos voltaremos a encontrar.

Tradução de Pedro Belo Clara in: "7 poemas de Li Bai » Recanto do Poeta" [Acessado em 24.01.2026]

Entre as flores,
     um jarro de vinho:
     bebo sozinho.
Ergo o copo,
     convido a lua;
ela, minha sombra e eu
     já somos três.
Mesmo que a lua
   não saiba beber
e que minha sombra
    em vão me acompanhe,
alegro-me
    festejando a primavera
    neste instante.

Eu canto, 
    a lua me acompanha.
Eu danço,
    e minha sombra tropeça
    e me estende o braço.
Ainda estou sóbrio:
     que a festa prossiga!
Bêbados,
      cada um pelo seu caminho!
Ligados para sempre,
    simples amigos,
na Via Láctea
    uns aos outros
no reencontraremos. 


Tradução de Sérgio Capparelli e Sun Yuqi. in: Poemas Clássicos Chineses. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2016. 

sexta-feira, janeiro 30, 2026

Difícil é o caminho (Li Bai)

 Bom vinho em cálice de ouro: dez mil cobres

Servido em jade o melhor prato: mais dez mil

Quietos talheres copos: finda-se o festim

Com a espada o coração dispara: cuido à volta

Rio Amarelo gela: não posso cruzá-lo

Monte Taihang com neve: quem pode escalar?

Tranquilo atiro a linha à pesca no riacho

e então em sonho rumo ao sol ajeito o barco

Difícil caminho   é difícil o caminho

o mundo dá voltas   e hoje onde estou

E quando a brisa traz bom tempo e acalma as ondas

Levanto vela às nuvens mares infinitos


Tradução de Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao in Antologia de poesia clássica chinesa - Dinastia Tang. São Paulo: Editora da UNESP, 2013. 

terça-feira, janeiro 27, 2026

Li Bai - Duas Traduções

 Zombando de Du Fu
"Do arroz cozido", chamam esta colina.
Chapéu de palha enorme ao sol a pino,
Du Fu, ali rever, mofino e magro:
poesia é ofício desde sempre amargo. 


Tradução de Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao, in: Antologia de poesia Clássica chinesa - Dinastia Tang. São Paulo: Editora da Unesp, 2013.


Para Tu-Fu, com humor
Ei! És tu, no topo da montanha Fan-Ko,
com um enorme chapéu ao sol do meio dia? 
Quão magro, miseravelmente magro, tu estás!
Deves ter sofrido outra vez de poesia...


Tradução de Pedro Belo Clara a partir do inglês de Shigeyoshi Obata,  in: Oito poemas de Li Bai (Li Po), Blog Letras In.Verso e Re.Verso [Acessado em 23/01/2026].

domingo, janeiro 03, 2016

Li Shang-Yin: duas traduções [Sem título]

Tradução de Haroldo de Campos

Vê-la é difícil. Não vê-la, mais difícil.

Que pode o vento este contra as flores cadentes?

Bichos-da-seda se obsedam até a morte com seu fio.

A lâmpada se extingue em lágrimas: coração e cinzas.

No espelho, seu temor: o toucado da nuvem.

À noite, seu tremor: os friúmes da lua.

Não é longe, daqui ao Monte P'eng:

Aveazul, olho-azougue, fala-lhe de mim.


Tradução de Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao

Ver-se é difícil; separar, tão mais difícil,
vem vento leste fraco, cem flores definham.
Segue bicho-da-seda à morte, o fio cessa,
vira-se a vela em cinza, e então, lágrimas secam.
Manhã no espelho, mudam cabelos de nuvem;
pela noite, a poesia e o frio -- raios de lua.
Ir até o Monte Peng é tanta distância:
- pássaro azul, à volta, vela sem descanso.

Fontes

 CAMPOS, H. "Arquitextura do Barroco" in: A Operação do Texto. São Paulo: Perspectiva. 1976.
PORTUGAL, Ricardo Primo & XIAO, Tan.  Antologia de Poesia Clássica Chinesa - Dinastia Tang, São Paulo: Editora da Unesp. 2013

sábado, janeiro 02, 2016

Li Bai: A cascata do Monte Lu vista de longe

Incide o sol ao Pico Incenso névoa púrpura
vê-se a torrente ao longe flui um rio suspenso
Em voo livre ao precipício se desprende
a Via Láctea a desabar da nona cúpula

Tradução de Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao in Antologia de Poesia Clássica Chinesa - Dinastia Tang, São Paulo: Editora da Unesp. 2013