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segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Safo 137 L-P

quero dizer-te uma coisa, mas me tolhe
o pudor [

...

fosse, o teu, um desejo por algo nobre e bom
não te estalassem na língua umas palavras feias,
nenhum pudor velaria os teus olhos
[e o que é certo tu dirias]

Tradução: Joaquim Brasil Fontes

Fonte: FONTES, J.B. Eros, tecelão de mitos. São Paulo: Iluminuras. 2002.

domingo, maio 18, 2008

Eurípides - Hipólito, 525-564

Eros, Eros, que dos olhos
destilas desejo, a deliciosa volúpia
vertendo nas almas que assaltas,
com teus malefícios a mim nunca te manifestes,
não venhas a mim com desmedida:
nem dos astros nem do fogo mais potente é o raio
que o de Afrodite, arremessado
pelas mãos de Eros, filho de Zeus.

Em vão, em vão, nas margens do Alfeu,
sob os pítios tetos de Febo,
sacrifícios de touros a Hélade acumula,
se Eros, o potente senhor dos humanos,
guarda-chaves do tálamo deleitoso
de Afrodite,não venerarmos,
a ele, que destrói e em toda desgraça lança
os mortais, quando vem.

Também a potrinha
de Ecália, livre do jugo do leito,
donzela e não desposada, levou-a
da casa de Êurito,
como fugitiva náiade ou bacante,
entre sangue, entre fumaças,
em sangrentas núpcias,
a Cípria, para entregá-la ao filho de Alcmena,
ó desventurada união!

Ó de Tebas sagrados
muros! ó boca de Dirce,
poderíeis atestar do advento da Cípria:
aos trovões coruscantes cingidos de fogos,
a mãe de Baco duas vezes nascido
como esposa ela entregou e em sangrento sono
estendeu.
Terrível maravilha, em tudo escorre seu sopro:
tal abelha que ondula nos ares.

Tradução: Joaquim Brasil Fontes in: Eurípides,Sêneca e Racine. Hipólito e Fedra, três tragédias. Iluminuras. 2007.

domingo, dezembro 16, 2007