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terça-feira, março 03, 2026

George Trakl - "O Sol"

 O SOL


Serra acima o sol diário surge fulvo.
Formoso é o bosque, a fera escura,
E, cace ou pastoreie, o homem.

O peixe da água verde assoma rubro.
Debaixo do céu côncavo,
O pescador, num barco azul, desliza.

A uva sazona, e o trigo.
Conforme o dia plácido se encerra,
Algo de bom se engendra e algo de ruim.

Chegada a noite,
O forasteiro soergue pálpebras pesadas;
Sombrio abismo afora o sol irrompe.


Tradução de Nelson Ascher in "Um Pouco de Tudo". Link: Folha de S.Paulo - Nelson Ascher: Um Pouco de Tudo - 11/09/2006. [Acessado em 27 de fevereiro de 2026]

sábado, fevereiro 28, 2026

[Platão] - Antologia Palatina

 CORPO CELESTE

Astro diurno que, em vida, ofuscava os mortais -
és, morto, o astro da tarde e deslumbras as sombras.



Tradução de Nelson Ascher in "Um Pouco de Tudo". Link: Folha de S.Paulo - Nelson Ascher: Um Pouco de Tudo - 11/09/2006. [Acessado em 21 de fevereiro de 2026]

terça-feira, fevereiro 03, 2026

Byron: So we'll go no more a-roving

   Já não remaremos mais
tanto noite adentro, embora
   corações batam iguais
e o luar brilhe como outrora.
Pois a espada enfim desgasta
sua bainha e a alma, o peito,
corações dão-nos seu "basta"
e Amor quer pausa no leito.
Mesmo se o dia desfaz


brusco a noite própria a amar,
já não remaremos mais
tanto como outrora ao luar.


   So late into the night,
Though the heart be still as loving,
   And the moon be still as bright.

For the sword outwears its sheath,
   And the soul wears out the breast,
And the heart must pause to breathe,
   And love itself have rest.

Though the night was made for loving,
   And the day returns too soon,
Yet we'll go no more a roving
   By the light of the moon.

Tradução de Nelson Ascher in "Um Pouco de Tudo". Link: Folha de S.Paulo - Nelson Ascher: Um Pouco de Tudo - 11/09/2006. [Acessado em 25 de janeiro de 2026]

terça-feira, dezembro 24, 2024

Canção Noturna do Andarilho (Tradução de Nelson Ascher)

Über allen Gipfeln,
Ist Ruh,
Im allen Wipfeln,
Spürest du
Kaum einem Hauch;
Die Vögelein schweigen im Walde
Warte nur, balde
Ruhest du auch

 Nas cristas alpinas

há paz

Nem sopro aqui nas

frondes hás

de ouvir. Detêm-

se os pios no bosque. Espera: deve

chegar-te em breve

a paz também. 


quinta-feira, junho 27, 2024

Animula vagula blandula -- tradução de Nelson Ascher

Públio Élio Adriano (76-138, Imperador de Roma) 

Alminha gentil de partida,
conviva do corpo e parceira,
lá aonde irás ter em seguida,
vais lívida, imóvel, despida,
não mais, como outrora, faceira. 


 PUBLIUS AELIUS HADRIANUS

 Animula, vagula, blandula
Hospes comesque corporis
Quae nunc abibis in loca
 Pallidula, rigida, nudula,
 Nec, ut soles, dabis iocos.

sábado, maio 12, 2007

Catulo, 32

Amabo, mea dulcis Ipsitilla,
meae deliciae, mei lepores,
iube ad te veniam meridiatum.
Et si iusseris, illud adivuato,
ne quis liminis obseret tabellam,
neu tibi lubeat foras abire,
sed domi maneas paresque nobis
novem continuas fututiones.
Verum si quid ages, statim iubeto:
nam pransus iaceo et satur supinus
pertundo tunicamque palliumque.

Eu te peço, minha doce Ipsistila,
Delícia e encanto deste meu viver:
Convida-me a passar contigo a sesta.
Caso me convidares, cuida bem
De que não ponham tranca em tua porta
E não te dê vontade de sair.
Fica em casa, tranqüila, preparando-te
Para nove trepadas sucessivas.
Se preferires, vou agora mesmo:
Almocei bem e ora farto, ressupino,
Furo, de impaciência, túnica e toga.
(Tradução de José Paulo Paes)


Peço, minha boa Hipsistila,
minhas delícias, meus encantos, pede
que eu vá dormir junto contigo a sesta.
E se pedires cuida disto: que outro
não introduza entraves na portinha
nem queiras tu sair por aí fora.
Mas fica em casa, preparando para
nós umas nove contínuas trepadas.
E se algo fores fazer, chama logo,
que almoçado, deitado, e satisfeito,
tanto túnica eu furo quanto o manto.
(Tradução de João Angelo Oliva neto)