Mostrando postagens com marcador Hinos homéricos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hinos homéricos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Hino Homérico VIII: Ares

Ares muito forte, condutor da carruagem, de elmo áureo,
ânimo terrível, porta-escudo, salva-cidades, arnês-de-bronze,
braço forte, incansável, hábil-na-lança, muralha do Olimpo,
Pai de Vitória boa-na-guerra, ajudante de Justiça,
Tirano aos contrários, guia dos mais justos mortais,
porta-cetro da virilidade, que revolve o globo flamante
Etéreo nas constelações de sete estrelas, onde corcéis em chamas
eternamente acima da terceiro órbita mantêm-te;
Ouve, defensor dos mortais, dotador da juventude bem audaz,
Do alto do céu desce brilhando em fulgor para a nossa
vida e belicosa força, que eu seja capaz
de repelir malfazeja aflição de meu peito,
de vergar os enganosos impulsos da alma nas entranhas,
Detém também acerba cólera em meu coração, que me incita
a marchar em frias disputas: Mas tu, venturoso,
concede audácia para manter em leis propícias de paz
disperso do ardor pelo combate aos inimigos e da violência da Sina.

Tradução: Rafael Brunhara

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Hino Homérico XXVI: A Dioniso

De cabelos hederosos Dioniso mui clamoroso começo a cantar,
De Zeus e Sêmele mui gloriosa o esplêndido filho,
a ele nutriam ninfas de belos cabelos, do pai soberano
acolhendo-o em seus seios e solícitas criaram-no
nas grutas do Nisa:  ele crescia por paterna vontade
em olente antro, contabilizado entre os imortais
Mas depois que as Deusas o nutriram multi-hineado
aí então ele vagava por arbóreos vales
coberto de hera e louro; junto seguiam
as ninfas, ele lidera: frêmito toma a inefável selva.
Também assim, tu, salve, ó multicacheado Dioniso
dá-nos com alegria às estações ir uma vez
e das estações vir outra vez por muitos anos.

Tradução: Rafael Brunhara

Hino Homérico XXI: A Apolo

Febo se a ti até o cisne com canoras asas canta
ao monte lançando-se das margens do rodopiante rio
Peneu, também a ti o aedo portando a lira canora
de doce voz canta no princípio e no fim.
Também assim, tu, salve, soberano: propicio-te com o canto.

Tradução: Rafael Brunhara

Hino Homérico XXVIII: A Atena

Palas Atena ilustre Deusa começo a cantar,
a Glaucópida multiversátil que tem um coração sem doçuras;
virgem venerável protetora de cidades poderosa
Tritogênia, que o próprio Zeus próvido engendrou
de sua insigne cerviz, armas de guerra portando
áureas, omniluzentes. Vendo-a, reverência tomou
os imortais: diante de Zeus Egífero
impetuosamente irrompeu de sua imortal cabeça
brandindo pontiaguçado dardo: retumbou o vasto Olimpo
terrívelmente pela força da Glaucópida. A terra ao redor
temívelmente gritou, moveu-se então o alto mar
com purpúreas vagas agitado, conteve-se a água
de repente:  o esplêndido filho de Hipérion manteve
seus corcéis celerípedes até que a donzela
tomasse dos ombros imortais as deiformes armas,
Palas Atena! Alegrou-se Zeus próvido.
Também assim, tu, salve, filha de Zeus Egífero
Depois eu também te lembrarei em outro canto.

Tradução: Rafael Brunhara

terça-feira, dezembro 14, 2010

Hino Homérico XXXI: Ao Sol

Sol começa a cantar então, filha de Zeus, Musa
Calíope: o Resplandecente, que Eurýfaessa olhitáurea
engendrou para o filho de Terra e Céu constelado:
Pois Hipérion casou-se com Eurýfaessa mui ínclita,
a irmã, do mesmo ventre, que para ele engendrou bela prole:
Aurora dedirrósea, Lua de belas tranças
e Sol infatigável símil aos imortais
que reluz para mortais e imortais deuses,
a avançar com seus corcéis: temível ele observa com os olhos,
do áureo elmo;  brilhantes raios a partir dele
resplendem, cintilam, além das têmporas, e as faces
brilhantes, da cabeça grácil, retêm o rosto
longiluzente. Em volta do corpo reluz bela veste
de fino talhe no sopro dos ventos com machos corcéis
[...]
então permanece no carro de jugo áureo e os corcéis
conduz pelo céu até o Oceano.
Salve soberano benévolo concede vida que deleite meu coração:
por ti começando celebrarei a raça dos homens semideuses
de fala articulada, cujas obras Deuses aos mortais mostraram.

Tradução: Rafael Brunhara

Hino Homérico XXXII: À Lua

Mene amplivolante cantai em seguida, Musas
de voz doce filhas de Zeus Cronida  sabedoras da canção.
A partir dela resplendor visível do céu envolve a terra,
a partir de sua imortal cabeça, amplo adorno é visto com
lúcido resplendor e cintila o ar sem luz;
a partir da áurea coroa refletem-se os raios;
sempre depois de no Oceano banhar o belo corpo,
de os trajes vestir longiluzentes a Deusa Lua
e de jungir os potros resplendentes de arqueada cerviz
impetuosamente avançando toca os corcéis de linda melena
pelo anoitecer que divide o mês. Preenche-se a vasta órbita
e então seus raios crescentes iluminam e ao máximo brilham
no céu. Marca aos mortais e um sinal ela é.
Com ela uma vez Cronida uniu-se em amor e deitou-se
e engravidando-a donzela Pandeia gerou
tendo notável formosura  entre as Deusas imortais.
Salve soberana bracinívea Deusa Lua
benévola de belas tranças, por ti começando glórias
de mortais semideuses cantarei cujas obras celebram aedos
acólitos das Musas com seus deleitosos lábios.

Tradução: Rafael Brunhara

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Hino Homérico XIV: À mãe dos Deuses

A mãe de todos os Deuses e todos os homens
celebra-me, Musa de voz límpida filha do grande Zeus,
a ela o ressoar de crótalos, tambores e o frêmito de flautins
deleita e o clamor de lobos e leões de olhos rútilos
sonantes montanhas e vales boscosos;
e tu também assim salve, e ao mesmo tempo todas as Deusas no canto.

Tradução: Rafael Brunhara

domingo, dezembro 20, 2009

Hino Homérico XXXIII: Aos Dióscuros

Acerca dos jovens de Zeus falai, Musas de vivazes olhos,
Dos Tindáridas, os filhos esplêndidos de Leda de belos tornozelos
Cástor doma-corcéis e irrepreensível Polideuces,
A eles sob o vértice do alto monte Taigeto
Unida em amor ao nuvem-turvo Cronida
engendrou, meninos salvadores dos homens da terra
e alígeras naus, quando se azafamam procelas
invernais no infatigável mar: E das naus
orando invocam os jovens do grande Zeus
com alvos cordeiros, indo à extremidade
da popa: a ela forte vento e a vaga marinha
submergem. Mas eles de súbito surgem,
com louras asas, a ruflar pelo firmamento;
e,de pronto,de graves ventos cessam as procelas,
vagas dispersam do alvo salso mar em pleno pélago;
belos sinais e libertam da fadiga. Os nautas com a visita
alegram-se: cessam a mísera fadiga.
Salve, Tindáridas, cavaleiros de ágeis corcéis:
depois também de vós me lembrarei em outra canção.

Tradução: Rafael Brunhara

sábado, dezembro 19, 2009

Hino Homérico XV: A Héracles, coração-de-leão

A Heracles de Zeus o filho cantarei, de longe o melhor
dos homens da terra; na Tebas de formosos coros
gerou-te Alcmena unida ao nuvem-turvo Cronida
antes por terra e mar inefáveis errante
por injunções de Euristeu soberano
muitas temeridades cumpriu, a muitas resistiu:
mas hoje na bela sede do nevoento Olimpo
habita jubiloso e tem Hebe de belos tornozelos.
Salve, soberano filho de Zeus: concede-me virtude e prosperidade!

Tradução: Rafael Brunhara

Hino Homérico I - A Dioniso

Nota Liminar: O Hino Homérico I a Dioniso é composto por quatro fragmentos do que parecia ser um longo canto. O primeiro (A) provém de um papiro e de citações antigas presentes em Diodoro da Sicília e nos escólios às Argonáuticas de Apolônio de Rodes. O segundo (B) é uma citação presente em Ateneu de Naucrátis extraída, por sua vez, de Crates. De Oxirrinico emerge um papiro que contém a terceira parte do poema (C,Papiro de Oxirrinico n.670) e traz possivelmente um discurso de Zeus a Hera. Por fim, a última parte (D)está presente em um manuscrito dos hinos homéricos (Codex M), antecedendo ao Hino à Deméter.

O mito contado no poema é, provavelmente, o da ascensão de Dioniso ao Olimpo, sob anuência de Hera. Aturdida com Hefesto, filho deforme que gerara, Hera o lança ao mar. Mas salvo e nutrido por Nereidas, o rebento pôde aprimorar suas habilidades de forja e, como vingança, presenteia a mãe com um belo trono contendo um engenho secreto: ao sentar-se nele, Hera vê-se presa em cadeias inquebráveis, que só poderiam ser desfeitas por Hefesto. Zeus envia Ares e Dioniso para trazer o Deus coxo de volta. O primeiro falha: Ares não consegue sobrepujar as chamas de Hefesto com sua força. A arma utilizada por Dioniso, porém, é mais eficaz: valendo-se do vinho, Dioniso deixa Hefesto bêbado e o leva de volta ao Olimpo, montado em uma mula. Este liberta Hera, e ela passa a admitir Dioniso entre os Olímpios.

Usei para a tradução a edição de Martin L. West em Homeric Hymns, Apocrypha, Lives, Loeb Classical Library.



A


]...(?) [

Dizem: ou em Drakano, ou em Icário plena de ventos,
Ou em Naxos, touro Deus, prole de Zeus,
ou no rio Alfeu de fundos remoinhos
[que prenhe Sêmele deu-te a luz para Zeus jubiloso do raio].
Outros, senhor, dizem que em Tebas nasceste,
Mas estão mentindo: engendrou-te o pai dos homens e Deuses
muito além da humanidade, ocultando-se de bracinívea Hera.
Há uma Nisa, monte súpero, flóreo silvado,
Longe da Fenícia, quase nas correntes do Egito;
Lá os homens de fala articulada não cruzam com naus;
Pois não lhes há porto, veículos navais a vaguear;
Mas pedra precipite contorna a tudo,
alcantilada; be]las coisas deleitosas viçam, muitas
] ocupa fundo (?) [...] ? [
] (?) ....[
] (?)...[
l[onge das ond[as
] (?)[
] (?)[
] de muitos...[
] com a mão...[
] amáveis pastagen[s
]sob...[

B


De seus próprios cachos de uva negra orgulhoso

C

(Zeus a Hera)

é o que desejas : que mais ainda pode se passar?
Até mesmo eu agi irrefletidamente,
] [...] anuente, (?) [...]
] comparam (?) [
Ele te enganou, envolveu-te em tartáreos vexatórios grilhões,
Quem, amada, libertar-te-ia? Cinturão inquebrantável
[Circ]unda [tod]o o teu corpo: outrossim
Porque imêmore das ordens e ameaças,

um desígnio resoluto ele concebia em seu ânimo;
cruel, irmã, geraste um filho cruel;
eng]enhoso e colérico
an[te] aos valorosos p]és (?) [
] (?)[ ...] (?) [
]...[...] a ti o teu [
] e [....] sendo (?) [
]...enfureci[do?]...
Vejamos se ele amaciará seu férreo coração:
Auxílio às tuas fadigas, apresentam-se dois
filhos meus, de espírito prudente: Um é Ares,
que ágil lança brande, guerreiro de espessa couraça;
] (?) para ver e (?) [
E ainda há outro, Dioniso... [
Que contra mim porém ele não provoque o conflito! Ou por
Meus raios será golpeado, e em mau estado ficará!
]...de dulçuras...[
]...este garoto...[

D

“E eles erguerão efígies muitas nos templos.
E como serão três no total sempre em triênios
Os homens realizarão perfeitas hecatombes.”
Falou, e com escuros sobrolhos acenou o Cronida.
Agitaram-se os ambrosíacos cabelos da soberana
Cerviz imortal, e o alto Olimpo retumbou;
[assim falou e acenou com a cabeça o próvido Zeus]
Sê propício, Touro Deus, insânia das mulheres! nós aedos
odes a ti cantamos, quando começamos e findamos: não há
como mencionar um canto sacro desatento a ti.
[e assim, tu também, salve, Dioniso Touro Deus,
Com mãe Sêmele, a quem de fato chamam Tione]


Tradução: Rafael Brunhara

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Hino Homérico XXIV: A Héstia

Héstia, que de soberano Apolo longiflecheiro
um sagrado lar na divina Pito assistes,
sempre de tuas madeixas escorre fluido óleo de oliveiras.
chega nesta casa, achega-te, de coração,
com Zeus próvido: e ao mesmo tempo infunde graça no canto.

Trad. Rafael Brunhara

Hino Homérico XXII - A Posídon

Acerca de Posídon grande Deus começo a cantar
da terra movedor e do mar sem messe,
marinho, que o Hélicon tem e Egas vasta
De dois modos, Tremeterra, Deuses partilharam-te as honras:
domador de cavalos ser e salvador de naus.
Salve, Posídon abraça-terra, de escura cabeleira,
e venturoso propício peito tendo ajuda aos navegantes.

Tradução: Rafael Brunhara

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Hino Homérico XVII - Aos Dióscuros

Castor e Polideuces canta, Musa de límpida voz,
Tindáridas de Zeus Olímpio nascidos.
a eles sob os vértices do Taigeto engendrou veneranda Leda
em segredo subjugada ao nuvem-turvo Cronida
Salve Tindáridas, cavaleiros de ágeis corcéis.

Tradução: Rafael Brunhara

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Hino Homérico IX - Ártemis

Ártemis celebra, Musa, a irmã do longiflecheiro,
virgem dardejante, criada com Apolo
ela que seus corcéis banha nos profundos remoinhos de Meleto
e ligeira por Esmirna o carro todo de ouro dirige
até Claro rica em vinhedos onde Arcoargênteo Apolo
senta-se à espera da longiflecheira dardejante.
E a ti, assim, salve, e também a todas as deusas no canto:
Todavia a ti e de ti eu primeiro começo a cantar,
e por ti tendo começado, passarei a outro hino.

Tradução: Rafael Brunhara

sábado, setembro 19, 2009

Hino Homérico XX: A Hefesto

Hefesto de ínclito engenho canta, Musa de voz límpida,
que com Atena Glaucópída dons esplêndidos
aos homens ensinou sobre a terra, que antes mesmo
em antros montanhosos viviam como feras.
Hoje por Hefesto de ínclita arte obras aprenderam
e facilmente a vida até o fim do ano
livres de cuidado passam em seus lares.
Sê propício, Hefesto, dá-me virtude e felicidade!

Tradução: Rafael Brunhara

segunda-feira, agosto 31, 2009

Hino Homérico XVI - A Asclépio

Médico de doenças Asclépio começo a cantar,
filho de Apolo, que divina Koronis engendrou
na Dótia planície, a filha do Rei Flégias.
Grande alegria para os homens, de males dolentes apaziguador.
Salve, tu também, soberano: suplico a ti com o canto.

Tradução: Rafael Brunhara

sexta-feira, agosto 28, 2009

Hino Homérico XXV: Às Musas e Apolo

Que pelas Musas eu comece e por Apolo e Zeus.
Pelas Musas e pelo flechicerteiro Apolo
homens aedos sobre a terra há e citaristas
e por Zeus reis. Feliz quem as Musas
amam: doce lhes flui da boca a voz.
Salve, filhas de Zeus, e honrai minha canção
Depois eu vos lembrarei também em outra canção.

Tradução: Rafael Brunhara

Os versos 2-5 encontram-se também na Teogonia de Hesíodo, vv. 94-97, na tradução de Jaa Torrano:

Pelas Musas e pelo golpeante Apolo
há cantores e citaristas sobre a terra,
e por Zeus, reis. Feliz é quem as Musas
amam, doce de sua boca flui a voz.

(Tradução de Jaa Torrano, in:
Teogonia. A origem dos Deuses. São Paulo Iluminuras, 2006)

Hino Homérico XII: A Hera

Hera canto auritrônia a quem Reia engendrou
de imortais a rainha,tendo suprema formosura.
de Zeus trovejante é irmã e esposa
gloriosa, a quem todos os venturosos no vasto Olimpo
venerando honram qual Zeus jubiloso do raio.

Tradução: Rafael Brunhara

quinta-feira, agosto 27, 2009

Hino Homérico XI: A Atena

Palas Atena salva-cidade começo a cantar
Deusa terrível, a ela com Ares concerne trabalhos de guerra
cidades arrasadas, o reboar da guerra, os combates;
Também salva a tropa que parte e retorna;
Salve, Deusa, dá-nos sorte e felicidade.

Trad. Rafael Brunhara

Hino Homérico X: A Afrodite

Ciprogênia Citereia cantarei, que aos mortais
dons melífluos concede: na desejável face
sempre sorri e percorre-lhe a flor do desejo.
Salve, Deusa, de Salamina bem-construída a guardiã
e de toda a Chipre: Concede-me a desejosa canção.
E depois também de ti me lembrarei em outra canção.

Trad. Rafael Brunhara