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terça-feira, março 10, 2026

Arquíloco, 128 W: Coração, Coração...

 θυμέ, θύμ’, ἀμηχάνοισι κήδεσιν κυκώμενε,
†ἀναδευ δυσμενῶν† δ’ ἀλέξεο προσβαλὼν ἐναντίον
στέρνον †ἐνδοκοισιν ἐχθρῶν πλησίον κατασταθεὶς
ἀσφαλέως· καὶ μήτε νικέων ἀμφάδην ἀγάλλεο,
μηδὲ νικηθεὶς ἐν οἴκωι καταπεσὼν ὀδύρεο,                              5
ἀλλὰ χαρτοῖσίν τε χαῖρε καὶ κακοῖσιν ἀσχάλα
μὴ λίην, γίνωσκε δ’ οἷος ῥυσμὸς ἀνθρώπους ἔχει.

Coração, coração, por lutos inelutáveis agitado,
levanta, protege-te dos oponentes, volvendo adverso
peito, nas emboscadas inimigas próximo postado
firme; e vencendo, não exultes abertamente,
nem vencido, em casa caído lamentes,                                     5
mas com alegrias alegra-te e deplora males,
sem excesso: aprende que ritmo rege a humanidade.


Tradução: Rafael Brunhara

Fonte: Brunhara, R.; Ragusa, G. Elegia Grega Arcaica: uma antologia. São Paulo: Mnema/Ateliê, 2021. 

segunda-feira, janeiro 01, 2024

Arquíloco - Fragmentos 131 e 132

131 

Assim da gente mortal, Glauco, filho de Léptines,
é o coração: conforme o dia que Zeus traz

 τοῖος ἀνθρώποισι θυμός, Γλαῦκε Λεπτίν<εω> πάϊ,
 γίνεται θνητοῖς, ὁποίην Ζεὺς ἐφ' ἡμέρην ἄγηι. 


132 

 E pensam conforme os atos que encontram 

καὶ φρονέουσι τοῖ' ὁποίοις ἐγκυρέωσιν ἔργμασιν.


Traduções: Rafael Brunhara

Referência
WEST, Martin L. Iambi et Elegi Graeci Ante Alexandri Cantati. Oxford: Clarendon Press, 1971. 2 vols.

domingo, maio 19, 2019

Arquíloco, Fr. 128 W (Traduçao de Aluizio de Faria Coimbra, 1941)

Coração, que insanáveis males cercam,
teus inimigos, peito a peito, enfrenta,
de perto e firme contra os seus embustes.
Vencedor, não blasones; nem, vencido,
no lar te prostres; mas desfruta, alegre,
o que é bom, sem que as penas te consumam,
e aprende que tal é da vida o ritmo.

in FALCO, Vittorio de; COIMBRA, Aluizio de Faria. Os Elegíacos Gregos - De Calino a Crates. São Paulo, 1941.

Arquíloco - Fragmento 128 (West)

θυμέ, θύμ’, ἀμηχάνοισι κήδεσιν κυκώμενε,
†ἀναδευ δυσμενῶν† δ’ ἀλέξεο προσβαλὼν ἐναντίον
στέρνον †ἐνδοκοισιν ἐχθρῶν πλησίον κατασταθεὶς
ἀσφαλέως· καὶ μήτε νικέων ἀμφάδην ἀγάλλεο,
μηδὲ νικηθεὶς ἐν οἴκωι καταπεσὼν ὀδύρεο,
ἀλλὰ χαρτοῖσίν τε χαῖρε καὶ κακοῖσιν ἀσχάλα
μὴ λίην, γίνωσκε δ’ οἷος ῥυσμὸς ἀνθρώπους ἔχει.

Coração, coração, por lutos inelutáveis agitado,
levanta, protege-te dos oponentes, volvendo adverso
peito, nas emboscadas inimigas próximo postado
firme; e vencendo, não exultes abertamente,
nem vencido, em casa caído lamentes,
mas com alegrias alegra-te e deplora males,
sem excesso: aprende que ritmo rege a humanidade.

Trad. Rafael Brunhara


Uma primeira versão desta tradução, feita em Junho de 2008:

http://primeiros-escritos.blogspot.com/2008/07/arquloco.html

sexta-feira, março 15, 2019

Arquíloco - fr.51B./ fr.130W

Fragmento 51 (Edição de T.Bergk, Anthologia Lyrica, 1907)

τοῖς θεοῖς τίθειν ἁπάντα· πολλάκις μὲν ἐκ κακῶν
ἄνδρας ὀρθοῦσιν μελαίνηι κειμένους ἐπὶ χθονί,
πολλάκις δ' ἀνατρέπουσι καὶ μάλ' εὖ βεβηκότας
ὑπτίους, κείνοις <δ'> ἔπειτα πολλὰ γίνεται κακά,
καὶ βίου χρήμηι πλανᾶται καὶ νόου παρήορος.

Confia tudo aos deuses: muitas vezes dos males
erguem os homens sobre a terra negra prostrados;
e, muitas vezes, os que estão firmes eles viram
do avesso; então lhes vêm muitos males,
[o homem] vaga sem meios e fora de si.

[Trad. Rafael Brunhara]

Fragmento 130 (Edição de M.West, Elegi et Iambi Graeci I 1971)


τοῖς θεοῖς †τ' εἰθεῖάπαντα· πολλάκις μὲν ἐκ κακῶν
ἄνδρας ὀρθοῦσιν μελαίνηι κειμένους ἐπὶ χθονί,
πολλάκις δ' ἀνατρέπουσι καὶ μάλ' εὖ βεβηκότας
ὑπτίους, κείνοις <δ'> ἔπειτα πολλὰ γίνεται κακά,
καὶ βίου χρήμηι πλανᾶται καὶ νόου παρήορος.

Aos deuses tudo é reto: muitas vezes dos males
erguem os homens sobre a terra negra prostrados;
e, muitas vezes, os que estão firmes eles viram
do avesso; então lhes vêm muitos males,
[o homem] vaga sem meios e fora de si.

domingo, fevereiro 08, 2009

Arquíloco, 122 W

Não se extranhe ou negue cousa alguma,
depois que Zeus Olímpio fez do dia
noite, ocultando a luz do sol brilhante,
e aos homens abateu gelado medo.
Em tudo creiam todos, tudo esperem,
nem se espante ninguém, se acaso as feras
com os delfins as moradas permutarem,
do mar sonoro as ondas preferindo
e estes houverem por mais grato o monte.

Tradução de Aluízio Faria de Coimbra.

Fonte
:Os elegíacos gregos I: de Calino a Crates. São Paulo: 1941.

sábado, julho 26, 2008

Elegia a Péricles (Arquíloco, Fragmento 13 West)

Κήδεα μὲν στονόεντα, Περίκλεες, οὔτε τις ἀστῶν
μεμφόμενος θαλίηις τέρψεται οὐδὲ πόλις·
τοίους γὰρ κατὰ κῦμα πολυφλοίσβοιο θαλάσσης
ἔκλυσεν· οἰδαλέους δ᾽ ἀμφ᾽ ὀδύνηισ᾽ ἔχομεν
πνεύμονας. ἀλλὰ θεοὶ γὰρ ἀνηκέστοισι κακοῖσιν,
ὦ φίλ᾽, ἐπὶ κρατερὴν τλημοσύνην ἔθεσαν
φάρμακον. ἄλλοτε τ᾽ ἄλλος ἔχει τάδε· νῦν μὲν ἐς ἡμέας
ἐτράπεθ᾽͵ αἱματόεν δ᾽ ἕλκος ἀναστένομεν͵
ἐξαῦτις δ᾽ ἑτέρους ἐπαμείψεται. ἀλλὰ τάχιστα
τλῆτε γυναικεῖον πένθος ἀπωσάμενοι.


Gementes lutos, Péricles, nenhum dos cidadãos
censurando irá se alegrar em festas, nem pólis.
Pois tais homens ondas do mar políssono
Engolfaram e temos os pulmões intumescidos
pelas dores; mas os deuses para invictos males,
ó caro, concederam forte resistência como fármaco
ora um, ora outro sofre este mal: agora voltou-se
para nós e choramos chaga sangrenta,
que se repassará a outros; mas o mais rápido
resiste, afastando a dor femínea.

(Tradução de Rafael Brunhara)


Comentários
A crítica considera que os fragmentos 8 w, 10 w e 12 w também fizessem parte do poema, assim como o fragmento 16 w, que atribuiria ao poema caráter gnômico.Tal consideração decorre de depoimento de Plutarco, que alude à morte do marido da irmã do poeta,morto em naufrágio. No entanto, não é preciso seguir esse viés interpretativo uma vez que o poema em si apresenta ar de completude: o verso 1 pode ser entendido como um início, enquanto os versos 9-10 parecem trazer uma conclusão, que remete ao centro do poema (“mas os deuses[...]concederam forte resistência, v.6-7).É necessário também salientar que à época de Plutarco tendia a crítica a identificar diretamente a obra do poeta à sua biografia, método hoje não mais corrente e que pode nos levar a problematizar este depoimento. Além disso, é curioso salientar que Arquíloco não se dirige à irmã, como seria conveniente, mas a Péricles (que também é endereçado em outros fragmentos, como o 16 w).
O fragmento ainda pode levar a debater questões da elegia arcaica e sua relação de contigüidade com o lamento, como posteriormente o gênero seria consagrado. Cabe salientar, entretanto, que a atitude proposta pelo poeta é justamente inversa: “Arquíloco” conclama seu interlocutor a resistir, sobrepondo ao seu lamento a resignação concedida pelos deuses.

terça-feira, julho 15, 2008

Arquíloco 128 West

θυμέ, θύμ', ἀμηχάνοισι κήδεσιν κυκώμενε,
ἀναδευ δυσμενῶν+ δ' ἀλέξ<εο> προσβαλὼν ἐναντίον
στέρνον ἐνδοκοισιν ἐχθρῶν πλησίον κατασταθεὶς
ἀσφαλ<έω>ς· καὶ μήτε νικ<έω>ν ἀμφάδην ἀγάλλεο,
μηδὲ νικηθεὶς ἐν οἴκωι καταπεσὼν ὀδύρεο,
ἀλλὰ χαρτοῖσίν τε χαῖρε καὶ κακοῖσιν ἀσχάλα
μὴ λίην, γίνωσκε δ' οἷος ῥυσμὸς ἀνθρώπους ἔχει.

Ânimo, ânimo, convulso por aflições sem cura,
Levanta, protege-te dos inimigos volvendo adverso
peito em infensas traições próximo postado
firme; E vencendo não exultes abertamente
nem vencido em casa caído lamentes,
Mas com alegrias alegra-te e deplora males
Sem excesso: conhece qual ritmo rege os homens.

(Tradução de Rafael Brunhara)

domingo, maio 11, 2008

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Arquíloco - Fr. 17w

Das riquezas de Giges não cogito;
não nutro inveja; espanto não me causam
prodígios de Imortais; poder não quero:
dessas cousas distante a mente guardo.

Tradução: Aluízio Faria de Coimbra.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Arquíloco 3W

Quando Ares na planície adensa a pugna,
não se distendem crebras fundas, arcos
mil, obram, só, os gládios, fazedores
de gemidos; pois nessa luta excelem
de egrégia lança os princípes eubóicos.

Tradução: Aluízio Faria de Coimbra

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Arquíloco - Fr.2W

Com a lança eu alcanço
meu pão de cevada;
com a lança eu consigo
o meu vinho ismárico;
na lança apoiado
eu bebo esse vinho.

[Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos]

domingo, dezembro 16, 2007

domingo, novembro 11, 2007

Arquíloco - Fr.193W

Voraz tesão, mofino, arfante, inclina-me:
Na areia as moles carnes, e mais nada:
Pois a ossatura já moeram os deuses na porrada.

[Tradução: Antônio Medina Rodrigues]