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segunda-feira, março 16, 2020

Sólon, frs. 25 e 26

Fragmento 25
Plutarco, Amatório, 5.751b
Muito boa, por Zeus, – ele disse – esta menção a Sólon; ele nos serve de expoente para o homem erótico:

Até amar um menino com a flor da sedutora juventude
      desejando suas coxas e sua doce boca....

Fragmento 26 
Plutarco, Amatório, 5.751e
Daí eu acho que Sólon escreveu esses versos (fragmento 25) quando ainda era novo e “repleto de muito sêmen”, como diz Platão (Leis, 8, 839b), e estes quando havia se tornado ancião:

Feitos da Ciprígena* ora me são caros, de Dioniso
e das Musas, que aos homens dão alegria.

*Afrodite, a nascida em Chipre.

sexta-feira, julho 19, 2013

Sólon, Fragmento 15 W

16  Plutarco, Vida de Sólon, 3.2

ὅτι δ' ἑαυτὸν ἐν τῇ τῶν πενήτων μερίδι μᾶλλον ἢ τῇ τῶν πλουσίων ἔταττε, δῆλόν ἐστιν ἐκ τούτων ·

πολλοὶ γὰρ πλουτέουσι κακοί, ἀγαθοὶ δὲ πένονται·
   ἀλλ' ἡμεῖς τούτοις οὐ διαμειψόμεθα
τῆς ἀρετῆς τὸν πλοῦτον, ἐπεὶ τὸ μὲν ἔμπεδον αἰεί,
   χρήματα δ' ἀνθρώπων ἄλλοτε ἄλλος ἔχει.

É evidente, por estes versos,  que ele próprio se colocava mais entre os pobres do que entre os ricos:

Muitos homens vis são ricos, muitos nobres, pobres:
   mas nós não pegaremos a riqueza daqueles
a troco da virtude; porque esta, sim, é sempre firme,
 já as posses humanas são ora de um, ora de outro.

[Tradução: Rafael Brunhara]


terça-feira, janeiro 26, 2010

Sólon: Fragmentos

9 W

Da nuvem vem a fúria da neve e do granizo
e o trovão nasce do raio fulgurante;
por causa de homens poderosos a cidade perece
e o povo em sua ignorância cai na escravidão de um só governante.
Quando um homem se elevou muito, não é fácil contê-lo depois;
mas agora é preciso considerar tudo isso.


10 W


Breve tempo mostrará aos cidadãos a minha loucura,
mostrará, quando a verdade vier a público.

12 W

Pelos ventos o mar é perturbado; se nenhum (vento) o agita
é a mais justa de todas as coisas.

14 W

Não, homem algum é feliz: miseráveis
são todos os mortais que o sol contempla.

16 W

É muito difícil conhecer a medida oculta da sabedoria,
ela, a única que tem o fim de todas as coisas.

17 W

De todos os lados, a mente dos imortais é oculta aos homens.

22a W

Dize por mim a Crítias de ruivos cabelos que ouça o seu pai,
pois não obedecerá um guia de mente errada.

23 W

Feliz quem possui filhos queridos, cavalos de casco não partido,
cães de caça e um hóspede estrangeiro.

25 W

Até a amável flor da juventude amarás um rapaz,
desejando suas coxas e sua doce boca.


Tradução: Gilda N.M. de Barros

quarta-feira, outubro 07, 2009

Sólon Fr. 4 W (Tradução de Daisi Malhadas e Maria Helena da Moura Neves)

Nossa cidade jamais pelo desígnio de Zeus
perecerá nem pela vontade dos bem-aventurados deuses imortais
pois a tão magnânima e protetora Palas Atena,
filha do poderoso pai, tem suas mãos sobre nós.
Os próprios cidadãos, porém, querem destruir, com suas loucuras [5]
nossa grande cidade, persuadidos pelas riquezas,
e há também o injusto propósito dos chefes do povo,para os quais está reservado,
por seu grande descomedimento, muitas dores sofrer:
pois nem sabem controlar a fartura nem organizar
com tranqulidade as alegrias do festim de hoje [10]
..............................................
enriquecem, por ações injustas deixando-se persuadir
.............................................
nem os bens sagrados nem os do estado
poupam, mas furtam-nos em pilhagem cada qual por seu lado,
nem guardam os veneráveis fundamentos da Justiça,
a qual, silenciosa, ciente do que acontece e do que aconteceu,[15]
com o tempo vem para executar cabal vingança.
Esta ferida inevitável já atinge a cidade toda,
leva-a rapidamente à nociva escravidão,
que desperta a sedição civil e a guerra adormecida,
esta que foi a ruína da juventude encantadora de muitos homens;[20]
pois pelos inimigos rapidamente uma cidade formosa
é arruinada nas associações em que se comprazem os injustos.
Esses os males que envolvem o povo; muitos
pobres chegam a uma terra estranha
vendidos e, com desonrosas correntes, amarrados,[25]
.................................................
Assim o infortúnio público atinge cada um em sua casa;
as portas do pórtico não podem detê-lo,
por cima do elevado muro salta, e encontra por certo o morador
mesmo que fuja para a parte mais recuada de seu quarto.
Ensinar isto aos atenienses é o que o meu coração ordena: [30]
de que modo os mais numerosos males a uma cidade Disnomia causa,
e de que modo Eunomia garante ordem e justiça plena e sempre aos injustos acorrenta;
ela aplaina as asperezas, faz cessar a fartura, aniquila o descomedimento,
seca as flores da desgraça, quando brotam,
corrige os julgamentos errados e modera as ações
orgulhosas; faz cessar as obras da discórdia,
faz cessar o ódio da terrível sedição, e graças a ela
todas as ações humanas são justas e sábias.

Tradução de Daisi Malhadas e Maria Helena da Moura Neves

Fonte: MALHADAS, D. & NEVES, M.H.M. Antologia de poetas gregos de Homero a Píndaro. Araraquara: FFCLAr-UNESP, 1976

segunda-feira, agosto 25, 2008

Sólon - Eunomia

Nossa cidade, por disposição de Zeus, não perecerá jamais,
nem por vontade dos abençoados deuses imortais;
magnânima, vigilante filha de um pai poderoso,
Palas Atena tem mão sobre ela.
Eles próprios, com suas loucuras, querem destruir a grande cidade -
os cidadãos, persudidos por riquezas,
e também a mente injusta dos chefes do povo; para eles,
por sua grande desmedidaa, estão preparados muitos sofrimentos,
pois não sabem conter a insolência
nem moderar na paz do banquete as alegrias do momento.
.....................................................
Mas enriquecem persuadidos por ações injustas
.....................................................
Não poupando os bens sagrados nem os públicos
eles roubam por rapinagem, um aqui outro acolá...
E não preservam os veneráveis alicerces da Justiça que,
em silêncio, conhece o presente e o passado
e com o tempo sempre vem para punir.
Essa ferida inevitável já alcança a cidade inteira
que depressa chegou à dolorosa servidão:
esta desperta a revolta civil e a guerra adormecida,
que de muitos destrói a amável juventude;
por obra de inimigos, depressa a amorável cidade
se consome em reuniões de que os injustos são amigos.
São esses os males que grassam entre o povo; dos pobres,
muitos chegam à terra estranha, vendidos
e agrilhoados com inadequados grilhões.
.......................................................
Assim, o Mal Público chega para cada um em sua casa
e já os portões do pátio não podem detê-lo,
mas de um salto ultrapassa o muro elevado e sempre encontra,
mesmo aquele que, fugindo, estiver no recôndito do quarto.
Eis o que meu coração ordena ensinar aos Atenienses:
a Disnomia tras males inúmeros à cidade
mas Eunomia faz aparecer tudo em boa ordem
e bem ajustado e muitas vezes coloca peias nos homens injustos.
Aplaina o abrupto, põe fim à insolência, abranda a violência,
murcha as flores da desgraça em seu desabrochar...
Endireita as sentenças torcidas, enfraquece as obras do orgulho,
põe fim às obras da sedição,
põe fim à ira da penosa discórdia; com ela
tudo entre os homens é justeza e prudência.

Tradução: Gilda N.M.Barros

quinta-feira, julho 31, 2008

Mimnermo e Sólon

MIMNERMO
Que sem doenças e árduos sofrimentos
aos sessenta anos me venha a hora fatal da morte.

SÓLON
Mas se ainda agora me ouvisses, destrói esse verso
e não tenhas inveja porque pensei melhor do que tu:
muda o teu poema, ó doce cantor, e canta assim:
"aos oitenta anos me venha a hora fatal da morte"
............................................
Que a morte não me chegue sem lágrimas, mas aos amigos
possa deixar, quando morrer, dores e gemidos.
...........................................
Envelheço mas aprendendo sempre muitas coisas.

Tradução de Sólon: Gilda N.M. de Barros

Sólon - Salamina

Em pessoa, um arauto, vim da amável Salamina,
apresentando em lugar do discurso uma canção, o adorno de meus versos.
................................................
Fosse eu, então, cidadão de Folegrando ou de Sicina,
e não um ateniense, a pátria mudando;
................................................
logo este rumor correria entre os homens:
"Este é um homem da Ática, um dos desertores de Salamina".
...............................................
Vamos a Salamina, combater pela ilha encantadora,
afastando essa vergonha difícil de suportar.

Tradução: Gilda N.M. de Barros in: Sólon de Atenas, a cidadania antiga. SP: Humanitas, 1999.

quarta-feira, julho 30, 2008

Sólon

Gloriosas filhas da Memória e de Zeus Olímpico,
Musas da Piéria, ouvi a minha súplica:
dai-me a prosperidade vinda dos deuses abençoados e, vinda de todos os
homens, tenha eu sempre boa fama;
seja doce com meus amigos, amargo com meus inimigos,
para uns venerável, para outros terrível de se ver;
Riquezas desejo ter; adquirí-las injustamente
eu não quero; em todo caso depois vem a justiça.
A riqueza que os deuses dão acompanha o homem,
sólida desde a base mais profunda até o cimo;
aquela que os homens buscam com violência não vem em boa ordem;
obedecendo a ações injustas
segue sem querer, e , rapidamente, se lhe junta a desgraça;
o começo é de pouco, como o do fogo,
fraco a princípio, penoso no fim.
De fato, para os mortais as obras da violência não duram muito tempo.
Mas Zeus vigia o fim de todas as coisas e de súbito -
como um vento que repentino dispersa as nuvens,
primaveril, e, após agitar os abismos do mar estéril de muitas vagas
e devastar as belas culturas sobre a terra fértil em trigo,
chega à inacessível morada dos deuses,
o firmamento, de novo deixa ver um céu sereno,
brilha o sol em sua força sobre a terra fecunda,
esplêndido e nuvem alguma já não se pode ver -
tal a vingança de Zeus: ele não se irrita por qualquer motivo
como um homem mortal;
mas não, jamais lhe escapa esse que tem o coração faltoso,
sempre no fim se revela:
um paga logo, outro mais tarde; uns fogem pessoalmente -
que a Moira divina não sobrevenha e os alcance -
ela vem sempre de novo; os sem culpa pagam os atos,
ou os filhos dele, ou a geração posterior.
Nós mortais assim entendemos - o nobre e o homem comum -
cada qual tem por algum tempo sua própria opinião,
antes de padecer; aí então se lamenta; até esse momento,
boquiaberto, nos alegramos com esperanças vazias.
O homem esmagado por dolorosas enfermidades,
em como ficar são, é disso que cogita;
outro, covarde, pensa que é homem valente e belo,
mesmo sem ter semblante gracioso;
se alguém não é rico e as obras da indigência o oprimem,
pensa que de qualquer forma vai adquirir muitas riquezas.
Um labuta aqui, outro acolá. Um, pelo mar cheio de peixes vagueia
em seus navios querendo levar um lucro para casa,
arrastado por ventos impetuosos
sem nenhuma poupança de vida;
outro - esses que se importam com os arados recurvos - cortando
a terra de muitas árvores, serve o ano inteiro;
outro, conhecedor dos trabalhos de Atena e de Hefesto de muitas artes,
recolhe com as mãos os meios de vida;
outro, nos dons das Musas instruído,
é hábil na ciência encantadora,
e um outro, o soberano Apolo que fere à distância dele fez um adivinho:
conhece o mal que de longe vem para o homem
e os deuses o assistem; mas o que está traçado, em todo o caso,
nem vôos de aves nem sacrifícios poderão evitar;
outros, médicos, têm a tarefa de Peã conhecedor de muitos remédios,
mas também eles não são donos do fim;
muitas vezes de pouca dor nasce um grande sofrimento
e ninguém poderia livrar o doente aplicando-lhe calmantes;
mas um outro, gravemente atormentado por moléstias dolorosas,
basta tocá-lo com a mão e está curado.
Moira é que aos mortais traz o bem e o mal,
dádivas inevitáveis que vêm dos deuses imortais.
Sobre todas as ações paira o perigo e ninguém sabe aonde vai ter,
quando a tarefa começa;
quem tenta agir bem, sem prever
cai em grande e penosa desgraça,
mas ao que age mal a divindade dá em tudo bom êxito,
a libertação da loucura.
Da riqueza não há nenhum limite seguro para os homens;
uns de nós que agora tem vida farta
duplamente labutam. Quem a todos poderia saciar?
Os lucros, os imortais é que os oferecem aos mortais,
mas deles brota a desgraça; e quando Zeus
a envia para punir, ora um ora outro recebe.

Tradução: Gilda N.M. de Barros in: Sólon de Atenas,a Cidadania Antiga. SP: Humanitas, 1999.: