(...)
e não demora estou diante da igreja
de nossa senhora das dores --
inclino meu pescoço para cima
finco os pés no primeiro degrau
da escadaria que se estende feito um muro
erguido numa diagonal pixelada
e não tenho amparo contra sua beleza
e alguma coisa em mim
há muito contida
rompe minha valerosa armadura
e subo os degraus sozinho
(os cães se sabem desnecessários)
e isto não é apenas um blues --
meus olhos ardem e
alguma coisa feito um blues
feito umidade quente flui
extraída à força pelas arcadas brancas
pelo círculo ao topo da fachada
quero chamar de patético o soluço
mas o soluço é mais rápido que a retórica
meus pés sobem mais dois lances
e depois mais dois e talvez o erro
seja acreditar em um sentido
esperar por um milagre no refrão
quando os pés não esperam nada
ladeira abaixo na madrugada
escada acima agora eles fluem
em direção à balaustrada de pedra
até que desprovido de todas as preces usuais
aquele que era incapaz de crer
crê
na beleza que flui --
a beleza
e minhas lágrimas
finalmente
fluem.