quinta-feira, fevereiro 07, 2019

Ode a Cassandre - Ronsard

Mignonne, allons voir si la rose
Qui ce matin avait déclose
Sa robe de pourpre au soleil,
A point perdu, cette vêprée,
Lés plis de sa robe pourprée,
Et son teint au vôtre pareil.

Las,voyez comme en peu d’espace
Mignonne, elle a dessus la place
Las, las, ses beautés laissé choir!
O vraiment marâtre Nature.
. Puisqu’une telle fleur ne dure
Que du matin jusques au soir.

Donc, si vous me croyez,Mignonne,
‘ Tandis que votre âge fleuronne
En sa plus verte nouveauté,
Cueillez, cueillez votre jeunesse:
Comme à cette fleur, la vieillesse
Fera ternir votre beauté.


ODE A CASSANDRA - Trad. de R. Magalhães Jr. (1972)

Vem, amor, vem ver se a rosa
Que ontem, fresca e perfumosa
Se abriu ao sol estival,
Não perdeu o viço ainda
E conserva, rubra e linda,
Cor à de teu rosto igual.

Oh, amor! Vê quão depressa
Fenecendo, a rosa cessa
De ser bela e ser louçã!
Como é madrasta a Natura,
Pois que tal flor jamais dura
Do entardecer à manhã!

Meu conselho é, pois,amor,
Que, enquanto na vida em flor,
Encantos possam sobrar-te
Colhe, colhe a mocidade,
Pois como à rosa a idade
Da beleza há de privar-te.

Fonte: MAGALHÃES JR, R. (org.) de O livro de ouro da poesia da França. Tradução de R. Magalhães Jr. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1972

terça-feira, fevereiro 05, 2019

Alceu, fragmento 130b (ed. Voigt)

ἀγνοι̣σ̣..σ̣βιότοις..ις ὀ τάλαις ἔγω
ζώω μοῖραν ἔχων ἀγροϊωτίκαν
ἰμέρρων ἀγόρας ἄκουσαι
⸏καρ̣υ̣[ζο]μένας ὦγεσιλαΐδα

αὶ β̣[ό]λ̣λ̣ας· τὰ πάτηρ καὶ πάτερος πάτηρ
κα..[.].ηρας ἔχοντες πεδὰ τωνδέων
τὼν [ἀ]λλαλοκάκων πολίτ̣αν
⸏ἔ.[..ἀ]πὺ τούτων ἀπελήλαμαι

φεύγων ἐσχατίαισ', ὠς δ' Ὀνυμακλέης
ἔ̣ν̣θα[δ'] ο̣ἶος ἐοίκησα λυκαιμίαις
.[ ]ον [π]ό̣λεμον· στάσιν γὰρ
⸏πρὸς κρ.[....].οὐκ ἄμεινον ὀννέλην·

.].[...].[..]. μακάρων ἐς τέμ[ε]νος θέων
ἐοι̣[.....].ε̣[.]αίνας ἐπίβαις χθόνος
χλι.[.].[.].[.]ν̣ συνόδοισί μ' αὔταις
⸏οἴκημ<μ>ι κ[ά]κων ἔκτος ἔχων πόδας,

ὄππαι Λ[εσβί]αδες κριννόμεναι φύαν
πώλεντ' ἐλκεσίπεπλοι, περὶ δὲ βρέμει
ἄχω θεσπεσία γυναίκων
⸏ἴρα[ς ὀ]λολύγας ἐνιαυσίας


[ ].[´̣].[.].ἀπ̣ὺ πόλλ̣ω̣ν .ότα δὴ θέοι
[ ].[ ´]σ̣κ̣...ν Ὀλ̣ύ̣μ̣πιοι

Puras...vidas...ó, pobre de mim,
vivo a sorte de um rústico,
desejando ouvir a convocação
da assembleia, ó Agesilaída

e do conselho. Coisas que meu pai e o pai do pai
tiveram até a velhice com esses
cidadãos que se entre-destroem,
delas eu fui banido

fugindo para os confins; como Onômacles,
aqui, sozinho, morei na toca dos lobos
(foragido?) da guerra. Pois sedição
contra...não é melhor (repelir?)

No santuário dos venturosos deuses
(vivi?), palmilhei a terra negra,
....em seus encontros...
Vivo bem longe dos problemas

onde as lésbias no julgamento da beleza
desfilam arrastando os vestidos, e em volta freme
o eco divino das mulheres,
o sagrado alarido das mulheres, ano a ano...

...longe de muitos um dia os deuses...
... Os olímpios...

[Tradução: Rafael Brunhara]

domingo, janeiro 20, 2019

Cláudio Manoel da Costa (1729-1789) - Soneto II

Leia a posteridade, ó pátrio Rio,
Em meus versos teu nome celebrado,
Porque vejas uma hora despertado
O sono vil do esquecimento frio.

Não vês nas tuas margens o sombrio,
Fresco assento de um álamo copado;
Não vês Ninfa cantar, pastar o gado,
Na tarde clara do calmoso estio.

Turvo, banhando as pálidas areias,
Nas porções do riquíssimo tesouro,
O vasto campo da ambição recreias.

Que de seus raios o Planeta louro
Enriquecendo o influxo em tuas veias
Quanto em chamas fecunda, brota em ouro.