Primeiros Escritos
blog de poesia e tradução.
sábado, maio 30, 2026
Robert Bolaño - Dois Poemas para Lautaro Bolaño
sexta-feira, maio 29, 2026
Li Bai - Adeus a Meng Haoran
A oeste do pavilhão da Grua Amarela,
despedimo-nos, velho amigo.
Entre as flores e a bruma de março,
desces rumo à aldeia de Yang.
A vaga silhueta em tua solitária vela
desaparece no espaço esmeralda,
e só resta o Grande Rio
a correr para os confins do céu.
Tradução de Sérgio Capparelli e Sun Yuqi. in: Poemas Clássicos Chineses. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2016.
segunda-feira, abril 20, 2026
Poema de Morte - Yukio Mishima (Trad. Renan Kenji Sales Hayashi)
Venta a tormenta,
terça-feira, março 24, 2026
O Primeiro Degrau - Konstantinos Kaváfis
quinta-feira, março 19, 2026
Shakespeare - Soneto 116
De almas sinceras, pois não é amor
O amor que muda ao sabor do momento
E se move e remove em desamor.
Oh, não, o amor é marca mais constante
Que enfrenta a tempestade e não balança,
É a estrela-guia dos batéis errantes,
Cujo valor lá no alto não se alcança.
O amor não é o bufão do Tempo, embora
Sua foice vá ceifando a face a fundo
O amor não muda com o passar das horas,
Mas se sustenta até o final do mundo.
Se é engano meu, e assim provado for,
Nunca escrevi, ninguém jamais amou.
Admit impediments. Love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove.
O no, it is an ever fixed mark
That looks on tempests and is never shaken;
It is the star to every wand’ring bark,
Whose worth’s unknown although his height be taken.
Love’s not Time’s fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle’s compass come;
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to edge of doom.
If this be error and upon me proved,
O never writ, nor no man ever loved.
quarta-feira, março 18, 2026
Rainer Maria Rilke - O Poeta
Fonte: CAMPOS, Augusto. Coisas e Anjos de Rilke. São Paulo: Perspectiva, 2020
terça-feira, março 17, 2026
Ricardo Reis
Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,
Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,
Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.
Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?
Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?
Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra
Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.
Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.
Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.
