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terça-feira, dezembro 17, 2019

Álcman, Fragmento 1: O Grande Partênio

Fragmento 1 PMGFO Grande Partênio (Trad. Rafael Brunhara)

...Polideuces.
...entre os caídos [eu não] incluo Liceto
....[Ená]rsforo e Sebro de pés velozes,
... e o violento...
...e o galeado...
Eutique e soberano Areios
.............] entre semideuses exímio ,

..................] o caçador

...................] magno Eurito
..................]o tumulto da guerra [cega?]
.....] os melhores.
....] omitiremos:
....[p]ois [venceram] todos Esa, a Medida,
e Póros, o Meio ,] antiquíssimos (Deuses),
ruiu] a força [sem fr]eios....
Que [ho]mem [nenhum] voe ao céu
[e te]nte se casar com Afrodite
]soberana ou uma...
...........]filha de Pórkos
marinho : as Gr]aças no palácio de Zeus
passei]am com desejo no olhar
]...
] um nume...
]aos amigos...
d[eu presentes...
...
]perdida a juventude
e]m vão
t]rono/t]empo [?]
]...um deles (morreu?) por flecha
outro(?),]..por brilhosa pedra...
...Hades...
...
...inolvidáveis...
...trabalhos padeceram pois tramaram males.
Existe uma vingança divina:
feliz aquele que alegre
tece o dia até o fim
sem pranto . Eu canto
a luz de Agidó : vejo-a
como o sol que para nós
Agidó convoca
a brilhar ; mas louvá-la
ou censurá-la, a diretora ilustre do coro
proíbe de todo: ela mesma nos parece
destacar-se, como se alguém
pusesse no rebanho um cavalo
firme campeão sonípede
dos sonhos sob as pedras .

Ah! Não vês? O corcel
é venético! E a crina
da minha prima,
Hagesícora, floresce
[c]omo ouro puro!
E o seu rosto de prata...
Mas por que falo tão claramente?
Hagesícora: ei-la.
E ela, a segunda em beleza depois de Agidó,
correrá, cavalo coláxeo com ibênio ;
pois as Plêiades lutam contra nós ,
que levamos um véu para Orthria ;
na noite imortal, qual Sírio
astro , elas se erguem;
e nem temos de púrpura
tanta fartura para nos proteger,
nem a faiscante serpente
de ouro maciço, nem a fita
lídia , prenda das meninas
com olhar de violetas,
nem os cabelos de Nanó ,
ou Áreta de formas divinas,
nem Sílacis nem Clesíssera,
e nem se fores à casa de Enesímbrota dirás:
“Ah se Astáfis fosse minha!”,
“Ah se Fílula me notasse,
ou Damáreta, ou desejável Viântemis!”
Não, Hagesícora me consome .
Pois não está aqui
Hagesícora de b[e]los tornozelos?
[Não está ao lad]o de Agidó,
[e] aprova nossa festa?
Vinde, Deuses, [as preces]
aceitai! Os Deuses tudo cumprem,
tudo perfazem. Líder do coro,
queria dizer: eu sou só
uma menina, que em vão chilreia,
uma coruja no telhado ; ainda assim eu
desejo agradar Aótis (de nossas penas
foi ela a curandeira);
e por Hagesícora as meninas
estão no caminho da desejável paz .

... ao] cavalo no bridão...
...d]e fato...[
e] a[o] capitão do navio é preciso
estar atento ao máximo ;
mais cantora que as Sirenas
ela não é, n[...
pois são Deusas. Mas igua[l a um (coro?) de onze
meninas, canta este de dez .
Ressoa como um cisne
no Rio Xanto; ela, com lindos cabelinhos loiros...

[faltam 4 versos]

domingo, novembro 10, 2019

Descrições da Natureza em Álcman: fragmentos 89 e 90

[89]
Apolônio Sofista, Léxico p.101 – Knodála, “assombros”)
Homero [usa a palavra] uma vez só, [para designar] qualquer animal selvagem. Mas alguns falam que theras ou thería (“animal selvagem”) são os leopardos, lobos e quaisquer outros que sejam bem parecidos com esses; herpetá (“serpeante”) é usado como um termo geral para a espécie das serpentes,  knodála (“assombros”)para os grandes peixes do mar, baleias e outros desse tipo. Álcman os distingue falando assim:

Dormem cimos dos montes e precipícios
promontórios e leitos de rios;
as greis serpeantes que a terra negra nutre
e as feras montesas; a raça das abelhas,
os assombros nos abismos do purpúreo salso;
dorme a grei das aves de asas longas...

*Talvez o poema prosseguisse: "só eu não durmo". Outra leitura possível sugere um lugar comum da poesia grega: o silêncio absoluto da natureza também é o espaço de agência das divindades.
  

[90]
Escólio a Sófocles, Édipo em Colono, v. 1248
[Ele] fala das montanhas chamadas Ripe. Outros a chamam assim: “Montanhas Ripeias”. Falam delas como “envoltas pela noite” por que estão situadas junto ao poente. Álcman as menciona, falando assim:

Ripe, montanha em flor e floresta
o seio da negra noite

sexta-feira, julho 19, 2013

Álcman - Fragmento 26 (PMG)

26  Antígono de Cáriston, Coleção de Histórias Maravilhosas

Τῶν δὲ ἀλκυόνων οἱ ἄρσενες κηρύλοι καλοῦνται· ὅταν οὖν ὑπὸ τοῦ γήρως ἀσθενήσωσιν καὶ μηκέτι δύνωνται πέτεσθαι, φέρουσιν αὐτοὺς αἱ θήλειαι ἐπὶ τῶν πτερῶν λαβοῦσαι. καὶ ἔστι τὸ ὑπὸ τοῦ Ἀλκμᾶνος λεγόμενον τούτῳ συνῳκειωμένον· φησὶν γὰρ ἀσθενὴς ὢν διὰ τὸ γῆρας καὶ τοῖς χοροῖς οὐ δυνάμενος συμπεριφέρεσθαι οὐδὲ τῇ τῶν παρθένων ὀρχήσει·

οὔ μ' ἔτι, παρσενικαὶ μελιγάρυες ἱαρόφωνοι,
γυῖα φέρην δύναται· βάλε δὴ βάλε κηρύλος εἴην,
ὅς τ' ἐπὶ κύματος ἄνθος ἅμ' ἀλκυόνεσσι ποτήται
νηδεὲς ἦτορ ἔχων, ἁλιπόρφυρος ἱαρὸς ὄρνις.

Os alcíones machos são chamados Cérilos. Quando eles ficam fracos por causa da velhice e não são mais capazes de voar, as fêmeas da espécie pegam-nos e levam sobre suas asas. O que é contado por Álcman está associado a isso, pois ele se diz sem forças por causa da velhice e incapaz de acompanhar os coros e a dança das moças:

Não mais, melodiosas moças de ardente canto,
podem os membros levar-me; ei, ei, fosse eu um alcião,
que sobre a flor das ondas com alcíones voa,
coração sem pranto, ave sagrada, azul da cor do mar!

[Tradução de Rafael Brunhara]

Outras traduções:

José Cavalcante de Souza:
http://www.primeiros-escritos.blogspot.com.br/2009/10/alcman-26-dav.html
Leonardo Antunes:
http://neolympikai.blogspot.com.br/2011/11/alcman-fr-26.html
Péricles Eugênio da Silva Ramos:
http://primeiros-escritos.blogspot.com.br/2008/03/lcman-fr26-pmg.html




sexta-feira, novembro 20, 2009

Álcman, Fragmento 59 a

Eros, de novo, de Chipre adrede
doce derrama-se e acalenta meu peito

[Tradução: Rafael Brunhara]

Álcman 89 PMG

Dormem cimos de montanhas e precipícios,
promontórios e leitos de rios;
A grei das serpentes que a terra negra nutre
e as feras montesas; tanto a raça das abelhas
quanto os monstros nos abismos do salso mar purpúreo;
dorme a grei dos pássaros de lépidas asas

sábado, outubro 24, 2009

Álcman 26 Dav.

Não mais, virgíneas melicantantes amaviófonas,
os pés me podem levar; ei, ei, alcião eu fosse
que sobre a flor da onda com alciones voa
de alma indolor maripurpúrea ave sagrada...


Tradução: José Cavalcante de Souza.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Álcman 3 Dav.

Musas do Olimpo, o meu espírito
com o desejo de um canto novo
enchei! Quero ouvir
a voz virginal
a entoar até o céu a bela melodia!
...
sobre as minhas pálpebras espalhará o doce sono
...
depressa agitarei os louros cabelos.
...
Com desejo que deslassa os membros, ela lança-me
um olhar mais derretedor que o sono ou a morte.
A doçura dela não é em vão.

Astimelusa não me responde,
mas de grinalda na mão,
como uma estrela cintilante
no céu fulgente,
ou ramo de ouro ou macia penugem...
...
Quem me dera que ela me pegasse pela mão!
Depressa eu me tornaria suplicante dela.

Tradução: Frederico Lourenço.

Fonte: LOURENÇO, F. (org.) Poesia Grega de Álcman a Teócrito. Livraria Cotovia. 2006.

quarta-feira, março 26, 2008

Álcman - Noite

Dormem os píncaros e os precípicios
os promontórios e os desfiladeiros,
e todo gênero de répteis
alimentados pela terra negra,
dormem as feras das montanhas
e o povo das abelhas,
dormem os monstros nos abismos
do mar de púrpura:
e dorme a tribo inteira
dos pássaros de longas asas.

Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos

terça-feira, março 25, 2008

Álcman Fr.1 PMG - Partênio

É um castigo que vem dos deuses.
Feliz aquele que sem lágrimas
tece alegre o seu dia. Eu canto
a luz de Ágido: vejo essa luz,
clara como a do sol,
que Ágido está invocando
para que brilhe sobre nós.
Todavia não a posso louvar
nem censurar sem ofensa
a ilustre guia do coro,
que sobressai
como em rebanho de bois
um cavalo de sonoras patas,
conquistador de prêmios, rápido
como os sonhos alados.

Não a estais vendo?
É um corredor venético;
e a cabeleira solta
de minha prima Hagesícora
brilha como ouro puro.
Quanto a seu rosto de prata,
como exprimí-lo claramente?
Esta é Hagesícora; e contudo
aquela cuja beleza
não correr após a dela,
mas depois da de Ágido,
correrá como um cavalo colasseu
junto a um corcel ibeno.
Quando levamos o véu a Ortia,
estas nossas Pombas erguem-se
para lutar por nós
em meio à noite de ambrosia,
não como aquelas Pombas celestiais
porém mais luminosas,
sim, iguais ao próprio Sírius.


Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos

Álcman Fr.26 PMG

Virgens de voz de mel
tão alta e clara,
meus membros já não podem transportar-me.
Ah quem me dera ser, ah quem me dera,
um martim-pescador,
a voar, de coração sem medo,
junto aos alcíones por sobre a flor das ondas,
o próprio pássaro da primavera,
de cor púrpurea como o mar.

Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Àlcman de Sárdis

cantam
um por um os distingo
pássaros

temas & timbres:
alcman inventa
em mimolíngua
o canto das perdizes

(Tradução de Haroldo de Campos)


Estes versos [épe] e esta música[mélos], Álcman
a inventou tendo entendido
das perdizes as falas canoras. (Fr.96D)

(Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira)