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sábado, fevereiro 28, 2026

[Platão] - Antologia Palatina

 CORPO CELESTE

Astro diurno que, em vida, ofuscava os mortais -
és, morto, o astro da tarde e deslumbras as sombras.



Tradução de Nelson Ascher in "Um Pouco de Tudo". Link: Folha de S.Paulo - Nelson Ascher: Um Pouco de Tudo - 11/09/2006. [Acessado em 21 de fevereiro de 2026]

sexta-feira, outubro 13, 2023

Paladas de Alexandria - Antologia Grega 9.72 e 9.169

 De Paladas de Alexandria nos restaram aproximadamente 151 epigramas na Antologia Grega. Estabelece-se seu período de atuação no século IV d.C. Sua poesia mostra a figura de um professor de letras (grammatistés) resignado, o último dos pagãos numa cidade cristã.

Traduções: Rafael Brunhara

quarta-feira, outubro 11, 2023

Alceu da Messênia - Epigramas

 Alceu da Messênia atuou entre 219 e 198 a.C., durante o reinado de Filipe V da Macedônia sobre a Grécia. Dele nos restaram diversos poemas de ataque a Filipe, o que nos permite datar sua obra com relativa precisão. Mas dos 22 epigramas que nos restaram, parte considerável é de natureza erótica. Segundo o célebre filólogo alemão Ulrich von Wilamowitz-Moellendorf, Alceu representava o último poeta helenístico a demonstrar uma verdadeira originalidade. O poeta Meleagro de Gádara (séc I d.C.) diz que Alceu é um "jacinto falador": o jacinto, entendido pelos gregos com uma flor que simbolizava a dor, poderia ser uma alusão aos poemas políticos contra Filipe, que relevam um tom melancólico. Entretanto, como seus poemas são muito mais diversos do que isso, talvez a comparação seja apenas fortuita. 


Traduções: Rafael Brunhara

sexta-feira, outubro 06, 2023

Paulo Silenciário - Epigramas Eróticos

 *Paulo Silenciário (575 d.C ou 585 d.C.) foi um poeta grego de Constantinopla. Compôs entre outros epigramas, uma écfrase da igreja de Hagia Sofia. Mas sua obra é mais conhecida por seus poemas eróticos, cerca de oitenta, que foram conservados pela Antologia Palatina.

Traduções: Rafael Brunhara

domingo, abril 14, 2019

Dois epitáfios (Simônides e Antologia Palatina)

Simônides, Epigrama XXXVII

πολλὰ πιὼν καὶ πολλὰ φαγὼν καὶ πολλὰ κάκ' εἰπὼν
ἀνθρώπους κεῖμαι Τιμοκρέων Ῥόδιος.

Depois de muito beber, muito comer e muito falar mal
das pessoas, aqui jazo, Timocreonte de Rodes.

Antologia Palatina, Livro VII, Epigrama 348

Βαιὰ φαγὼν καὶ βαιὰ πιὼν καὶ πολλὰ νοσήσας,
ὀψὲ μέν, ἀλλ᾿ ἔθανον. ἔρρετε πάντες ὁμοῦ.

Comendo pouco, bebendo pouco e adoecendo muito,
  tarde, enfim, morri. E danem-se todos vocês.

Tradução: Rafael Brunhara


Meleagro (Antologia Palatina, V.152) - Tradução de Juliana Pondian

vai, voa, Mosquito,
mensageiro ligeiro,
sopra-lhe zum-
zunindo no ouvido:

entrementes ela te espera
insone
dormes
só com o esquecimento

eia, voa; vai, Musamante, voa:
diz-lhe baixinho e não desperta a outra
para que o ciúme contra mim não mova.

se me trouxeres meu menino,
Mosquito: te faço, na face, leão
e nas mãos, te dou teu ferrão.

:::

Πταίης μοι, κώνωψ, ταχὺς ἄγγελος, οὔασι δ᾽ ἄκροις
Ζηνοφίλας ψαύσας προσψιθύριζε τάδε:

ἄγρυπνος

μίμνει σε: σὺ δ᾽, ὦ λήθαργε φιλούντων,
εὕδεις.

εἶα, πέτευ; ναί, φιλόμουσε, πέτευ:
ἥσυχα δὲ φθέγξαι, μὴ καὶ σύγκοιτον ἐγείρας
κινήσῃς ἐπ᾽ ἐμοὶ ζηλοτύπους ὀδύνας,
ἢν δ᾽ ἀγάγῃς τὴν παῖδα, δορᾷ στέψω σε λέοντος,
κώνωψ, καὶ δώσω χειρὶ φέρειν ῥόπαλον.

sábado, outubro 03, 2015

Antologia Palatina XII - A Musa Pueril

12.16 - Estratão
Não sejas recatado, Filócrates: o Deus Amor
basta p'ra calcar aos pés nosso coração.
Beija-me, hoje; chegará o dia em que tu
pedirás também esse favor de outro.

12.18 - Alfeu de Mitilene
Infeliz, quem vive sem amor; Sem o desejo,
não é fácil agir ou falar;
Por exemplo: sou muito lento, mas se vejo
Xenófilo, voo mais rápido que a luz.
Por isso, digo: não fujas do doce amor, persiga-o!
Amor é a pedra de toque da alma.

12.20 - Júlio Leônidas
Zeus compraz-se outra vez em banquetes Etíopes,
ou como ouro esgueira-se no leito de Dânae.
Pois seria um espanto se, ao ver Periandro, não raptasse da terra
o belo. Será que o Deus não mais ama meninos?

[Tradução: Rafael Brunhara]

sábado, setembro 05, 2015

Epigramas de Calímaco - Traduções de José Carlos Baracat jr.

Epigrama 2 (ed.Pfeiffer)

Disse, Heráclito, alguém a tua sorte e às lágrimas
levou-me ele; lembrei-nos amiúde
a serenar o sol. Porém ao pó te arrimas,
halicarnasso, em prístino ataúde.
Mas Hades teus poemas, eternas vindimas,
não vai tocar, inda que de al mais cuide.

Εἶπέ τις, Ἡράκλειτε, τεὸν μόρον, ἐς δέ με δάκρυ
ἤγαγεν· ἐμνήσθην δ' ὁσσάκις ἀμφότεροι
ἥλιον ἐν λέσχῃ κατεδύσαμεν. ἀλλὰ σὺ μέν που,
ξεῖν' Ἁλικαρνησεῦ, τετράπαλαι σποδιή,
αἱ δὲ τεαὶ ζώουσιν ἀηδόνες, ᾗσιν ὁ πάντων
ἁρπακτὴς Ἀΐδης οὐκ ἐπὶ χεῖρα βαλεῖ.

[Fonte: BARACAT JR., J.C. - "Calímaco, Epigrama 2" in Translatio vol.8, Porto Alegre: UFRGS. 2014. p.66-68]


Epigrama 3 (ed. Pfeiffer)

Não me digas “olá”, cancro-cor, vade retro:
“Olá” p'ra mim é ver-te pelas costas.

Μὴ χαίρειν εἴπῃς με, κακὸν κέαρ, ἀλλὰ πάρελθε·
ἶσον ἐμοὶ χαίρειν ἐστὶ τὸ μὴ σὲ πελᾶν*.

*(Lê-se πελᾶν em vez de γελᾶν)


Epigrama 4 (ed.Pfeiffer)

“Tímon (pois já não vives): treva ou luz odeias?”
“Treva: mais numerosos sois no Hades”.

Τίμων (οὐ γὰρ ἔτ' ἐσσί), τί τοι, σκότος ἢ φάος, ἐχθρόν;
‘τὸ σκότος· ὑμέων γὰρ πλείονες εἰν Ἀΐδῃ


Epigrama 21 (ed.Pfeiffer)

Tu que por minha tumba andas, eu de Calímaco,
Sabe, sou filho e pai – Cirene é a terra.
Conheces ambos: um de exércitos da pátria
Chefe; poeta além de inveja o outro.
Justo: pois, quando zelam Musas por criança,
São-lhe amigas até tornar-se gris.

Ὅστις ἐμὸν παρὰ σῆμα φέρεις πόδα, Καλλιμάχου με
ἴσθι Κυρηναίου παῖδά τε καὶ γενέτην.
εἰδείης δ' ἄμφω κεν· ὁ μέν κοτε πατρίδος ὅπλων
ἦρξεν, ὁ δ' ἤεισεν κρέσσονα βασκανίης
οὐ νέμεσις· Μοῦσαι γὰρ ὅσους ἴδον ὄμματι παῖδας
ἄχρι βίου πολιοὺς οὐκ ἀπέθεντο φίλους.

[Trad. José Carlos Baracat Júnior]

quarta-feira, julho 22, 2015

Alceu, fragmento 130 L-P; Eurípides, Troianas, vv.924-944 ("O Julgamento de Páris"), Rufino (Antologia Palatina V.35 e V.36)

A competição (ágon) era um aspecto proeminente no mundo grego, e se manifestava em diversas esferas de sua sociedade: um exemplo está nos concursos de beleza, masculinos ou femininos. Alceu de Mitilene (fr. 130 L-P, v.13, 17-20) nos informa que esses concursos também faziam parte da vida religiosa, sendo provavelmente parte integrante de cultos à deusa Afrodite na ilha de Lesbos:

Lá, na terra consagrada aos deuses venturosos,
(...)
Onde as lésbias, sendo julgadas pela formosura,
vão e vêm arrastando os peplos, e em volta freme
o eco divino das mulheres,
o sagrado alarido das mulheres, ano a ano...

.].[...].[..]. μακάρων ἐς τέμ[ε]νος θέων
(...)
ὄππαι Λ[εσβί]αδες κριννόμεναι φύαν
πώλεντ' ἐλκεσίπεπλοι, περὶ δὲ βρέμει
ἄχω θεσπεσία γυναίκων
⸏ἴρα[ς ὀ]λολύγας ἐνιαυσίας

No entanto, um dos exemplos mais marcantes está no mito, no célebre julgamento de Páris. Na passagem abaixo da peça Troianas (v. 924-944) Eurípides apresenta Helena referindo-se ao episódio para o marido, Menelau:

E ele [Páris] julgou o trio de Deusas:
o presente de Palas para Alexandre era
se tornar general dos Frígios e destruir a Grécia;
Hera prometeu-lhe de Ásia e fronteiras de Europa
ser regente, se Páris a escolhesse.
Mas Cípris, espantada com minha formas
prometeu, se prevalecesse entre as Deusas,
dar a minha beleza. Daí, vê bem como segue a história:
Cípris vence as Deusas; e como as minhas núpcias
beneficiaram a Grécia! Não fostes dominados pelos Bárbaros,
na lança se impondo, ou por tirania.
No que a Grécia teve sorte, eu tive pranto;
vendida por minha beleza, sou censurada
por aqueles que deveriam coroar-me de louros!
Vais dizer que ainda não tratei do cerne da questão,
de como eu parti do teu palácio em segredo:
Não era deusa menor que veio com ele,
esse nume vingador, - queiras tu chamá-lo
de Alexandre ou de Páris – a quem,
grande infeliz, deixaste em teu palácio
e partiste num navio, de Esparta para o solo cretense.

ἔκρινε τρισσὸν ζεῦγος ὅδε τριῶν θεῶν·
καὶ Παλλάδος μὲν ἦν Ἀλεξάνδρωι δόσις
Φρυξὶ στρατηγοῦνθ' Ἑλλάδ' ἐξανιστάναι·
Ἥρα δ' ὑπέσχετ' Ἀσιάδ' Εὐρώπης θ' ὅρους
τυραννίδ' ἕξειν, εἴ σφε κρίνειεν Πάρις·
Κύπρις δὲ τοὐμὸν εἶδος ἐκπαγλουμένη
δώσειν ὑπέσχετ', εἰ θεὰς ὑπερδράμοι
κάλλει. τὸν ἔνθεν δ' ὡς ἔχει σκέψαι λόγον·
νικᾶι Κύπρις θεάς, καὶ τοσόνδ' οὑμοὶ γάμοι
ὤνησαν Ἑλλάδ'· οὐ κρατεῖσθ' ἐκ βαρβάρων,
οὔτ' ἐς δόρυ σταθέντες, οὐ τυραννίδι.
ἃ δ' εὐτύχησεν Ἑλλάς, ὠλόμην ἐγὼ
εὐμορφίαι πραθεῖσα, κὠνειδίζομαι
ἐξ ὧν ἐχρῆν με στέφανον ἐπὶ κάραι λαβεῖν.
οὔπω με φήσεις αὐτὰ τἀν ποσὶν λέγειν,
ὅπως ἀφώρμησ' ἐκ δόμων τῶν σῶν λάθραι.
ἦλθ' οὐχὶ μικρὰν θεὸν ἔχων αὑτοῦ μέτα
ὁ τῆσδ' ἀλάστωρ, εἴτ' Ἀλέξανδρον θέλεις
ὀνόματι προσφωνεῖν νιν εἴτε καὶ Πάριν·
ὅν, ὦ κάκιστε, σοῖσιν ἐν δόμοις λιπὼν
Σπάρτης ἀπῆρας νηὶ Κρησίαν χθόνα.


O mito do Julgamento de Páris torna-se um lugar-comum na poesia erótica, e são exemplos os dois epigramas (V.35; V.36) do poeta Rufino, abaixo citados. Pouco se sabe deste poeta a não ser pelos 38 epigramas de sua lavra conservados no Livro V da Antologia Palatina, o que levou alguns estudiosos (Paton, Stadtmüller) a crerem que ao menos uma porção deste livro seria proveniente de uma coleção organizada pelo próprio poeta. D.Page, em sua edição aos poemas de Rufino, argumenta que o poeta teria atuado, provavelmente, no século IV d.C.

Os poemas são uma paródia do julgamento de Páris: assim como as três deusas, as três competidoras também aparecem nuas para o poeta; e nesse sentido, o poeta expõe os critérios do que é desejável: o centro de interesse do poeta está nas partes ocultas da anatomia.

Rufino, V.35

as nádegas julguei de três moças: as próprias me escolheram
e me mostraram a fulgurante nudez de seus corpos.
A de uma, marcada por covinhas arredondadas,
florescia com alvura delicada.
Mas a de outra, quando abria as pernas, a nívea carne enrubescia
mais rubra que a rosa de cor púrpura;
a da terceira, mar sereno batido por tranquila onda,
balançava, tez macia, como que por vontade própria.
Se o juiz das deusas tivesse contemplado estas nádegas,
Nunca teria desejado ver as três primeiras.

Πυγὰς αὐτὸς ἔκρινα τριῶν· εἵλοντο γὰρ αὐταὶ
δείξασαι γυμνὴν ἀστεροπὴν μελέων.
καί ῥ' ἡ μὲν τροχαλοῖς σφραγιζομένη γελασίνοις
λευκῇ ἀπὸ γλουτῶν ἤνθεεν εὐαφίῃ·
τῆς δὲ διαιρομένης φοινίσσετο χιονέη σὰρξ
πορφυρέοιο ῥόδου μᾶλλον ἐρυθροτέρη·
ἡ δὲ γαληνιόωσα χαράσσετο κύματι κωφῷ,
αὐτομάτη τρυφερῷ χρωτὶ σαλευομένη.
εἰ ταύτας ὁ κριτὴς ὁ θεῶν ἐθεήσατο πυγάς,
οὐκέτ' ἂν οὐδ' ἐσιδεῖν ἤθελε τὰς προτέρας.

Rufino, V.36

Ródope, Mélite e Rodocleia disputaram entre si
qual das três tinha a melhor cona,
e me elegeram juiz. Assim como as deusas, admirabilíssimas
se puseram nuas, escorrendo em néctar;
E o meio das pernas de Ródope reluzia, raro,
qual roseira desfeita pelo sopro de Zéfiro [...]
[faltam dois versos.]
A de Rodocleia, igual cristal, úmida na frente
como estátua recém-esculpida em templo.
Mas, sabendo bem o que sofrera Páris pelo julgamento,
De pronto coroei as três deusas.

Ἤρισαν ἀλλήλαις Ῥοδόπη, Μελίτη, Ῥοδόκλεια,
τῶν τρισσῶν τίς ἔχει κρείσσονα μηριόνην,
καί με κριτὴν εἵλοντο· καὶ ὡς θεαὶ αἱ περίβλεπτοι
ἔστησαν γυμναί, νέκταρι λειβόμεναι.
καὶ Ῥοδόπης μὲν ἔλαμπε μέσος μηρῶν πολύτιμος
οἷα ῥοδὼν πολλῷ σχιζόμενος ζεφύρῳ ...
τῆς δὲ Ῥοδοκλείης ὑάλῳ ἴσος ὑγρομέτωπος
οἷα καὶ ἐν νηῷ πρωτογλυφὲς ξόανον.
ἀλλὰ σαφῶς, ἃ πέπονθε Πάρις διὰ τὴν κρίσιν, εἰδὼς
τὰς τρεῖς ἀθανάτας εὐθὺ συνεστεφάνουν.

[Traduções e comentários: Rafael Brunhara]

sábado, maio 30, 2015

Íon de Quios (Antologia Palatina, 7.43)



Χαῖρε μελαμπετάλοις, Εὐριπίδη, ἐν γυάλοισι
Πιερίας τὸν ἀεὶ νυκτὸς ἔχων θάλαμον·
ἴσθι δ' ὑπὸ χθονὸς ὤν, ὅτι σοι κλέος ἄφθιτον ἔσται
ἶσον Ὁμηρείαις ἀενάοις χάρισιν.

Salve, Eurípides, que nos vales de pétalas negras
da Piéria tens o leito da noite eterna!
Sabe disto: embora sob a terra, será imperecível tua glória,
igual às graças perenes de Homero.

[Trad. Rafael Brunhara]

domingo, abril 05, 2015

Lucílio - Antologia Grega 11.211

Γραπτὴν ἐν τοίχῳ Καλπούρνιος ὁ στρατιώτης,
ὡς ἔθος ἐστίν, ἰδὼν τὴν ἐπὶ ναυσὶ μάχην,
ἄσφυκτος καὶ χλωρὸς ὁ θούριος ἐξετανύσθη
“Ζωγρεῖτε,” κράξας, “Τρῶες ἀρηίφιλοι.”
καὶ μὴ τέτρωται, κατεμάνθανε καὶ μόλις ἔγνω
ζῆν, ὅτε τοῖς τοίχοις ὡμολόγησε λύτρα.


O soldado Calpúrnio viu na parede o quadro
de uma batalha naval, e como de praxe,
pálido e sem ar, estatelado no chão o valente gritou:
"Tomai-me vivo, Troianos diletos de Ares!"
Averiguou se não fora ferido e a custo reconheceu
estar vivo, quando concordou em pagar resgate à parede.

[Tradução: Rafael Brunhara]

segunda-feira, março 23, 2015

Poliano - Antologia Palatina 11.130

Os poetas cíclicos, que narravam os feitos da saga de Troia adjacentes à Ilíada e à Odisseia, parecem nunca ter gozado de muito prestígio, sendo frequentemente criticados como meros imitadores de Homero ou muito prolixos -- crítica que já se vê desde a Poética de Aristóteles. Não é de se admirar que não tenha sobrado quase nada de seus poemas. Neste aqui, um poeta obscuro de nome Poliano critica os cíclicos e declara sua preferência por outro gênero, a elegia: diferente dos poetas dos ciclos épicos, com sua narrativa prolixa e rente à Homero, na elegia, diz, ele seria não mais do que um homem poeticamente inapto, "uma orelhuda besta" se roubasse versos de seus colegas Calímaco ou Partênio. Mas o curioso é que ele afirma isso...roubando um verso de Calímaco!

Esses cíclicos, que ficam falando “e então, depois...”,
eu odeio, larápios são de verso alheio.
É por isso que prefiro a elegia: pois nada tenho
p’ra roubar de Partênio ou mesmo de Calímaco;
“igual a orelhuda besta” eu seria, se então grafasse:
“pálidas andorinhas que dos mares vêm” .
Mas eles roubam Homero tão descaradamente
que já grafam até “A ira, Deusa, celebra”.

Τοὺς κυκλίους τούτους τοὺς “αὐτὰρ ἔπειτα” λέγοντας
μισῶ, λωποδύτας ἀλλοτρίων ἐπέων.
καὶ διὰ τοῦτ' ἐλέγοις προσέχω πλέον· οὐδὲν ἔχω γὰρ
Παρθενίου κλέπτειν ἢ πάλι Καλλιμάχου.
“θηρὶ μὲν οὐατόεντι” γενοίμην, εἴ ποτε γράψω,
εἴκελος, “ἐκ ποταμῶν χλωρὰ χελιδόνια.”
οἱ δ' οὕτως τὸν Ὅμηρον ἀναιδῶς λωποδυτοῦσιν,
ὥστε γράφειν ἤδη “μῆνιν ἄειδε, θεά.”

[Tradução: Rafael Brunhara]

sexta-feira, abril 18, 2014

Antologia Palatina, 9. 385: Estéfano Gramático - Conteúdo da Ilíada a cada canto.

Ἄλφα λιτὰς Χρύσου, λοιμὸν στρατοῦ, ἔχθος ἀνάκτων,
Βῆτα δ' ὄνειρον ἔχει, ἀγορὴν καὶ νῆας ἀριθμεῖ.
Γάμμα δ' ἄρ' ἀμφ' Ἑλένης οἴοις μόθος ἐστὶν ἀκοίταις.
Δέλτα θεῶν ἀγορή, ὅρκων χύσις, ἄρεος ἀρχή.
Εἶ, βάλλει Κυθέρειαν Ἄρηά τε Τυδέος υἱός· (5)
Ζῆτα δ' ἄρ' Ἀνδρομάχης καὶ Ἕκτορός ἐστ' ὀαριστύς.
Ἦτ', Αἴας πολέμιζε μόνῳ μόνος Ἕκτορι δίῳ.
Θῆτα, θεῶν ἀγορή, Τρώων κράτος, Ἕκτορος εὖχος·
ἐξεσίη δ' Ἀχιλῆος ἀπειθέος ἐστὶν Ἰῶτα.
Κάππα δ' ἄρ', ἀμφοτέρων σκοπιαζέμεν ἤλυθον ἄνδρες. (10)
Λάμβδα δ', ἀριστῆας Δαναῶν βάλον Ἕκτορος ἄνδρες.
Μῦ, Τρώων παλάμῃσι κατήριπε τεῖχος Ἀχαιῶν.
Νῦ δέ, Ποσειδάων Δαναοῖς κράτος ὤπασε λάθρῃ.
Ξῖ, Κρονίδην λεχέεσσι σὺν ὕπνῳ τ' ἤπαφεν Ἥρη.
Οὖ, Κρονίδης κεχόλωτο Ποσειδάωνι καὶ Ἥρῃ. (15)
Πῖ, Πάτροκλον ἔπεφνεν ἀρήιον Ἕκτορος αἰχμή.
Ῥῶ, Δαναοὶ Τρῶές τε νέκυν πέρι χεῖρας ἔμισγον.
Σῖγμα, Θέτις Ἀχιλῆι παρ' Ἡφαίστου φέρεν ὅπλα·
Ταῦ δ', ἀπέληγε χόλοιο καὶ ἔκθορε δῖος Ἀχιλλεύς.
Ὗ, μακάρων ἔρις ὦρτο, φέρει δ' ἐπὶ κάρτος Ἀχαιοῖς. (20)
Φῖ, κρατερῶς κατὰ χεύματ' ἐδάμνατο Τρῶας Ἀχιλλεύς.
Χῖ δ' ἄρα, τρὶς περὶ τεῖχος ἄγων κτάνεν Ἕκτορ' Ἀχιλλεύς.
Ψῖ, Δαναοῖσιν ἀγῶνα διδοὺς ἐτέλεσσεν Ἀχιλλεύς.
Ὦ, Πριάμῳ νέκυν υἷα λαβὼν γέρα δῶκεν Ἀχιλλεύς.

Alfa, as súplicas de Crises, a peste do exército, a querela dos soberanos;
Beta contém o sonho, a assembleia, a contagem dos navios.
Gama é o combate singular por Helena entre os maridos.
Delta, a assembleia dos Deuses, a quebra das juras, o início da guerra.
Epsilon,  fere Afrodite e Ares o filho de Tideu.
Zeta, a conversa amável entre Andrômaca e Heitor.
Eta, Ájax sozinho luta contra o divino Heitor sozinho.
Théta, assembleia dos Deuses, a vitória dos troianos, vanglória de Heitor.
A embaixada ao inflexível Aquiles está em Iota. 
Kappa,  guerreiros de ambos os lados vão para espionar.
Lambda, os guerreiros de Heitor ferem os melhores dos Dânaos.
Mu, a muralha dos aqueus cai pelas mãos dos troianos.
Nu, Posídon confere vitória aos Dânaos em segredo.
Ksi, Hera engana Zeus com o leito e o sono.
Ômicron, Zeus se enfurece com Posídon e Hera.
Pi, A lança de Heitor mata o guerreiro Pátroclo.
Rô, Dânaos e Troianos se misturam na luta pelo corpo.
Sigma, Tétis leva as armas de Hefesto para Aquiles.
Tau, desiste da cólera o divino Aquiles, e ataca.
Ípsilon, Entre os venturosos faz-se a discórdia, mas traz a vitória aos Aqueus.
Phi, Aquiles às margens do rio fortemente subjuga os troianos.
Khi, E então, Aquiles mata Heitor, guiando pela muralha três vezes.
Psi, Aquiles realiza jogos,  que dedica aos Dânaos.
Ômega, Aquiles, depois de ganhar presentes, dá a Príamo o cadáver de seu filho.

Tradução: Rafael Brunhara


quinta-feira, abril 03, 2014

Antologia 9.368 (Juliano) - "Sobre a Cerveja"

Τίς, πόθεν εἶς, Διόνυσε; μὰ γὰρ τὸν ἀληθέα Βάκχον,
οὔ σ' ἐπιγιγνώσκω, τὸν Διὸς οἶδα μόνον·
κεῖνος νέκταρ ὄδωδε, σὺ δὲ τράγου. ἦ ῥά σε Κελτοὶ
τῇ πενίῃ βοτρύων τεῦξαν ἀπ' ἀσταχύων·
τῷ σε χρὴ καλέειν Δημήτριον, οὐ Διόνυσον, (5)
πυρογενῆ μᾶλλον καὶ Βρόμον, οὐ Βρόμιον.

Quem és, Dioniso? De onde? Pelo verdadeiro Baco!
Não te reconheço. Só sei do filho de Zeus.
Ele cheira a néctar; tu, a bode. Sim, os Celtas,
pobres de uvas, fizeram-te dos cereais...
Então, deves se chamar Demétrio, não Dioniso, (5)
antes nascido do trigo que do fogo*, e "Bromo"**, não mais Brômio.

Tradução: Rafael Brunhara

* antes nascido do trigo que do fogo" no original,  jogo de palavras entre πῠρογενής ("nascido do fogo"), epíteto do deus do vinho, e πῡρογενής,"nascido do trigo".
** "Bromo": do grego "Βρόμον", "cereal", "aveia".

quarta-feira, abril 02, 2014

Antologia Palatina 9.489 (Paladas de Alexandria)

Γραμματικοῦ θυγάτηρ ἔτεκεν φιλότητι μιγεῖσα
παιδίον ἀρσενικόν, θηλυκόν, οὐδέτερον.

A filha do professor de gramática gerou unida em amor
prole do gênero masculino, feminino e neutro.

(Tradução: Rafael Brunhara)

sábado, março 29, 2014

Antologia Palatina, 9.401 (Anônimo)

Ἡ φύσις ἐξεῦρεν φιλίης θεσμοὺς ἀγαπῶσα
τῶν ἀποδημούντων ὄργανα συντυχίης,
τὸν κάλαμον, χάρτην, τὸ μέλαν, τὰ χαράγματα χειρός,
σύμβολα τῆς ψυχῆς τηλόθεν ἀχνυμένης.

A natureza, por apreço às leis da amizade,inventou
 ferramentas para o encontro de amigos ausentes:
cálamo, papel, tinta, a letra manuscrita;
signos do coração que longe se aflige.

[Tradução: Rafael Brunhara]

terça-feira, março 18, 2014

Antologia Palatina 10.45 (Paladas)

Ἂν μνήμην, ἄνθρωπε, λάβῃς, ὁ πατήρ σε τί ποιῶν
ἔσπειρεν, παύσῃ τῆς μεγαλοφροσύνης.
ἀλλ' ὁ Πλάτων σοὶ τῦφον ὀνειρώσσων ἐνέφυσεν
ἀθάνατόν σε λέγων καὶ φυτὸν οὐράνιον.
ἐκ πηλοῦ γέγονας. τί φρονεῖς μέγα; τοῦτο μὲν οὕτως (5)
εἶπ' ἄν τις κοσμῶν πλάσματι σεμνοτέρῳ.
εἰ δὲ λόγον ζητεῖς τὸν ἀληθινόν, ἐξ ἀκολάστου
λαγνείας γέγονας καὶ μιαρᾶς ῥανίδος.

Se te lembrasses, homem, o que fez teu pai
ao te gerar, porias de lado o orgulho.
Mas Platão,sonhador, plantou em ti ilusão,
chamando-te imortal, planta do céu;
Do barro tu nasceste. Por que a arrogância?
Quem diz isso orna-se em ficções solenes.
Se procuras um dito verdadeiro: vieste
de licencioso coito e sêmen sujo.

[Tradução: Rafael Brunhara]

sexta-feira, março 14, 2014

Antologia Palatina, 11.430 - Luciano

Εἰ τὸ τρέφειν πώγωνα δοκεῖς σοφίαν περιποιεῖν,
καὶ τράγος εὐπώγων αἶψ' ὅλος ἐστὶ Πλάτων.

Se tu acreditas que cultivar uma barba é adquirir sabedoria,
de repente até um bode de bela barba é um  Platão completo.

[Tradução: Rafael Brunhara]

segunda-feira, janeiro 06, 2014

Antologia Palatina 5.95 (Anônimo)

Quatro são as Graças, duas as Afrodites e dez as Musas:
Dercílis é uma de cada: Musa, Graça, Afrodite.  (5.95)

(Tradução: Rafael Brunhara)

Asclepíades de Samos - Antologia Grega 5. 85

Φείδῃ παρθενίης. καὶ τί πλέον; οὐ γὰρ ἐς Ἅιδην
ἐλθοῦσ' εὑρήσεις τὸν φιλέοντα, κόρη.
ἐν ζωοῖσι τὰ τερπνὰ τὰ Κύπριδος· ἐν δ' Ἀχέροντι
ὀστέα καὶ σποδιή, παρθένε, κεισόμεθα.

Poupas tua virgindade; o que ganhas com isso? Ao chegar
no Hades não encontrarás quem te ame, menina.
Entre os vivos é que estão as delícias da Cípria; no Aqueronte,
como ossos e cinzas, donzela, jazeremos.

Tradução: Rafael Brunhara