Mostrando postagens com marcador Simônides de Céos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Simônides de Céos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Simônides - Elegia 8 (Tradução de Tadeu Andrade)

 Coisa mais bela disse o homem quio:
“Como das folhas são as gerações dos homens”.
Pouquíssimos mortais, como a escutassem,
Puseram-na no peito, pois atém-se a espera
Ao homem, já nascida n’alma jovem.
Quando um mortal possui da mocidade a flor,
No surdo engenho pensa o inatingível
E não espera que virá velhice ou morte,
Nem, se saudável, pensa na doença.
É tolo quem assim cogita, e desconhece
Que à juventude e à vida é pouco o tempo
Dos homens. E, se o aprendes, rumo ao fim da vida,
Na alma degustando os bens, suporta.

Fonte: tadeuandrade.wordpress.com  (Acessado em 11.02.2026).

segunda-feira, janeiro 26, 2026

Simônides (Trad. Donaldo Schüler)

 Fragmento 521

Por seres homem, não digas o que sucederá amanhã.

Havendo alguém feliz, como prever por quanto tempo o será?

Pois rápida nem a da mosca asa-veloz

assim a mudança. 


Fonte: Schüler, Donaldo. Literatura Grega. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1985. 


terça-feira, setembro 03, 2019

Os Trenos de Simônides (Trad. Rafael Brunhara)


Os trenos são um subgênero da poesia propriamente lírica. Consistem, basicamente, em uma reflexão fúnebre sobre a condição humana. Pouco nos restou deste gênero senão fragmentos. Boa parte deles se encontra na poesia de Simônides de Céos, que teria sido um de seus maiores cultores.

[Fragmento 520]
Plutarco, Consolação a Apolônio, 11, 107ab
...a opinião que prevalece entre alguns de que é melhor morrer do que viver. Simônides por exemplo, diz:

Da humanidade, pequena
a força, inúteis seus cuidados,
na vida breve é dor atrás de dor;
e sobre todos a mesma morte inescapável:
igual quinhão recebem dela os bons
e quem seja mau.

[Fragmento 521]
Estobeu, Excertos 4.41.9
De Simônides:

Humano, nunca digas o que acontece amanhã
E se vires um homem feliz, por quanto tempo será;
Mais célere que o bater de asas de uma mosca:
assim a mudança

Estobeu, Excertos 4.41, 62
De Favorino: “Humano, nunca digas o que acontece amanhã/E se vires um homem feliz, por quanto tempo será” E nem mesmo uma casa. Repara como o poeta narra a ruína completa dos Escópadas.

[Fragmento 522]
Estobeu, Excertos 4.51.7
De Simônides:

Tudo chega a uma só horrenda Caríbdis:
Até mesmo grandes excelências e a riqueza.

[Fragmento 523]
Estobeu, Excertos 4.34.14
Dos trenos de Simônides:

Pois nem os que viveram outrora
E nasceram semideuses filhos de soberanos Deuses
alcançaram a velhice sem cumprir
vida sem dor sem morte sem perigo

[Fragmento 524]
Estobeu, Excertos 4.51.7
De Simônides:

E a morte pega até quem foge à guerra

[Fragmento 525]
Estobeu, Excertos 2.1.10
De Simônides:

Fácil aos Deuses roubar a razão humana.

[Fragmento 526]
Teófilo de Antioquia, Para Autólico, 2.8
E Simônides [disse]:

Ninguém sem Deus
conquista excelência, nem urbe nem homem
Deus é todo astúcia: a salvo
nada está entre os mortais.

[Fragmento 527]
Teófilo da Antioquia, Para Autólico, 2.37
Que o julgamento de Deus está prestes a ocorrer e os males inopinadamente recairão nos criminosos, também isso...indicou...Simônides:

Não há mal aos humanos
inesperado: em pouco tempo
Deus subverte tudo.

Trad. Rafael Brunhara


domingo, junho 02, 2019

Simônides Fr. 260 Poltera = 542 PMG

O texto deste poema foi conservado no diálogo Protágoras, de Platão. Nele, Sócrates faz uma paráfrase do poema de Simônides para discutir com seu interlocutor Protágoras o conceito de virtude. É importante observar a recorrência de alguns termos conceituais: a crítica e a reformulação de noções como o "homem de valor" (andr' agathós, ἄνδρ' ἀγαθός), o vil (kakós, κακὸς) e o bom (esthlós, ἐσθλός). Tais conceitos poderiam nos levar a pensar numa antecipação da universo retórico da sofística já em Simônides,entretanto os termos parecem bastante vinculados a uma ética arcaica simposial enraizada em um conceito de justiça que próprio da concepção política do mundo arcaico (ver v.35). Remeto o leitor ao trabalho de Anderson, A Ode a Escopas no Protágoras de Platão (2011) para uma discussão pormenorizada do fragmento à luz do Protágoras. Recentemente, o fragmento também já foi traduzido e comentado por Ragusa (2013).

Se tornar de verdade um homem de valor
é difícil, nas mãos, nos pés e na mente
completo, moldado sem mácula
[
[
[ Faltam 7 versos
[
[
[
[
Nem a máxima de Pítaco me soa
bem, embora dita por sábio
homem: “difícil” –dizia – “ser bom”
Só o Deus teria tal mercê, ao homem não
resta senão ser vil (15)
se o abate inelutável conjuntura.
Se bem-sucedido todo homem tem valor,
é vil se fracassa...
Amiúde os] melhores são
quem os Deuses amam. (20)

Por isso não jogarei a vida fora
buscando o impossível, em vã
inútil esperança:
o ser humano impecável entre nós, que da ampla
terra colhemos os frutos, (25)
vos avisarei se encontrá-lo.
E a todos vou louvando e amando,
que adrede não praticam
nada torpe: contra a necessidade
nem os Deuses lutam. (30)

[
[
[Não amo a censura. Basta-me]
um que não seja vil nem tão inábil,
ciente da benéfica justiça da pólis, (35)
um homem são... Eu não vou
censurá-lo. Pois infinita é a raça
dos estultos.
Belo é tudo a que
Não se funde o torpe. (40)

ἄνδρ' ἀγαθὸν μὲν ἀλαθέως γενέσθαι
χαλεπὸν χερσίν τε καὶ ποσὶ καὶ νόῳ
τετ'ράγωνον ἄνευ ψόγου τετυγ'μένον·
[
[
[ vacant 7 ll.
[
[
[


⸏[
οὐδέ μοι ἐμμελέως τὸ Πιττάκειον
νέμεται, καίτοι σοφοῦ παρὰ φωτὸς εἰ-
ρημένον· χαλεπὸν φάτ' ἐσθλὸν ἔμμεναι.
θεὸς ἂν μόνος τοῦτ' ἔχοι γέρας, ἄνδρα δ' οὐκ
ἔστι μὴ οὐ κακὸν ἔμμεναι, (15)
ὃν ἀμήχανος συμφορὰ καθέληι·
πράξας γὰρ εὖ πᾶς ἀνὴρ ἀγαθός,
κακὸς δ' εἰ κακῶς < -- >
ἐπὶ πλεῖστον δὲ καὶ] ἄριστοί εἰσιν
⸏οὓς ἂν οἱ θεοὶ φιλῶσιν. (20)

τοὔνεκεν οὔ ποτ' ἐγὼ τὸ μὴ γενέσθαι
δυνατὸν διζήμενος κενεὰν ἐς ἄ-
π'ρακτον ἐλπίδα μοῖραν αἰῶνος βαλέω·
πανάμωμον ἄνθρωπον, εὐρυεδέος ὅσοι
καρπὸν αἰνύμεθα χθονός, (25)
ἐπὶ δ' ὑμὶν εὑρὼν ἀπαγγελέω.
πάντας δ' ἐπαίνημι καὶ φιλέω,
ἑκὼν ὅστις ἔρδηι
μηδὲν αἰσχρόν· ἀνάγκᾳ δ'
οὐδὲ θεοὶ μάχονται. (30)
[
[
[οὐκ εἰμὶ φιλόψογος, ἐπεὶ ἔμοιγε ἐξαρκεῖ]
ὃς ἂν μὴ κακὸς ἦι μηδ' ἄγαν ἀπάλαμνος εἰ-
δώς γ' ὀνασίπολιν δίκαν,(35)
ὑγιὴς ἀνήρ· οὐ < u ->; ἐγὼ
μωμήσομαι· τῶν γὰρ ἀλιθίων
ἀπείρων γενέθλα.
πάντα τοι καλά, τοῖσίν τ'
αἰσχρὰ μὴ μέμεικται. (40)

domingo, abril 28, 2019

Simônides, fragmento 257 Poltera [579 PMG]

ἐστί τις λόγος
τὰν Ἀρετὰν ναίειν δυσαμβάτοις ἐπὶ πέτραις,
†νῦν δέ μιν θοαν† χῶρον ἁγνὸν ἀμφέπειν·
οὐδὲ πάντων βλεφάροισι θνατῶν
ἔσοπτος, ὧι μὴ δακέθυμος ἱδρὼς
ἔνδοθεν μόληι,
ἵκηι τ' ἐς ἄκρον ἀνδρείας·

Uma história diz
Que Excelência mora em ínvios rochedos
[perto dos Deuses]* a velar por terra sacra:
Mas não aos olhos de todos os mortais
é visível, só para aquele que sua o suor
que morde o coração dentro do peito
e chega ao ápice da coragem:


* Adoto a sugestão de Poltera (2018, p.448) que propõe ἐγγὺς δὲ θεῶν como uma das muitas leituras possíveis para o verso corrompido em grego.

Referência

POLTERA, O. Simonides Lyricus. Testimonie und Fragmente. Basel: Schwabe. 2018. 

domingo, abril 14, 2019

Dois epitáfios (Simônides e Antologia Palatina)

Simônides, Epigrama XXXVII

πολλὰ πιὼν καὶ πολλὰ φαγὼν καὶ πολλὰ κάκ' εἰπὼν
ἀνθρώπους κεῖμαι Τιμοκρέων Ῥόδιος.

Depois de muito beber, muito comer e muito falar mal
das pessoas, aqui jazo, Timocreonte de Rodes.

Antologia Palatina, Livro VII, Epigrama 348

Βαιὰ φαγὼν καὶ βαιὰ πιὼν καὶ πολλὰ νοσήσας,
ὀψὲ μέν, ἀλλ᾿ ἔθανον. ἔρρετε πάντες ὁμοῦ.

Comendo pouco, bebendo pouco e adoecendo muito,
  tarde, enfim, morri. E danem-se todos vocês.

Tradução: Rafael Brunhara


segunda-feira, abril 15, 2013

Simônides, fr. 564 Page

ὅτι δὲ τὸ ποίημα τοῦτο Στησιχόρου ἐστὶν ἱκανώτατος μάρτυς Σιμωνίδης ὁ ποιητής, ὃς περὶ τοῦ Μελεάγρου τὸν λόγον ποιούμενός φησιν ·

                      ὃς δουρὶ πάντας
νίκασε νέους, δινάεντα βαλὼν
Ἄναυρον πολυβότρυος ἐξ Ἰωλκοῦ·
οὕτω γὰρ Ὅμηρος ἠδὲ Στασίχορος ἄεισε λαοῖς.

Que este poema é de Estesícoro, o poeta Simônides é a testemunha mais adequada. Falando a respeito de Meleagro, diz:

[Meleagro], que venceu na lança todos
os jovens ao atirar por sobre os remoinhos
do rio Anauro, em Iolco de ricas videiras.
Assim cantaram aos povos Homero e Estesícoro.

[Tradução: Rafael Brunhara]

Simônides fr.584 Page

584 Ateneu, Banquete dos Eruditos, 12.512c

καὶ οἱ φρονιμώτατοι δέ, φησίν, καὶ μεγίστην δόξαν ἐπὶ σοφίᾳ ἔχοντες μέγιστον ἀγαθὸν τὴν ἡδονὴν εἶναι νομίζουσιν, Σιμωνίδης μὲν οὑτωσὶ
λέγων ·
τίς γὰρ ἁδονᾶς ἄτερ θνα-
τῶν βίος ποθεινὸς ἢ ποί-
α τυραννίς;
τᾶς ἄτερ οὐδὲ θεῶν ζηλωτὸς αἰών.

E até mesmo os mais lúcidos, afirma [sc.Heráclides Pôntico] e  que tem a maior reputação por sua sabedoria, consideram que o prazer é o maior bem. Simônides, dizendo assim,

Sem o prazer, que vida humana
é desejável? Que poder?
Sem o prazer, nem a eternidade dos Deuses
é invejável.

[Tradução: Rafael Brunhara]

quarta-feira, abril 10, 2013

Simônides fr.543 Page

543 Dionísio de Halicarnasso, Da Composição Literária

ἐκ δὲ τῆς μελικῆς τὰ Σιμωνίδεια ταῦτα· γέγραπται δὲ κατὰ διαστολὰς οὐχ ὧν Ἀριστοφάνης ἢ ἄλλός τις κατεσκεύασε κώλων ἀλλ' ὧν ὁ πεζὸς λόγος ἀπαιτεῖ. πρόσεχε δὴ τῷ μέλει καὶ ἀναγίνωσκε κατὰ διαστολάς, καὶ εὖ ἴσθ' ὅτι λήσεταί σε ὁ ῥυθμὸς τῆς ᾠδῆς καὶ οὐχ ἕξεις συμβαλεῖν οὔτε στροφὴν οὔτε ἀντίστροφον οὔτ' ἐπῳδόν, ἀλλὰ φανήσεταί σοι λόγος εἷς εἰρόμενος. ἔστι δὲ ἡ διὰ πελάγους φερομένη Δανάη τὰς ἑαυτῆς ἀποδυρομένη τύχας·


Ὅτε λάρνακι
 ἐν δαιδαλέᾳ
ἄνεμός τε μιν πνέων
κινηθεῖσά τε λίμνα δείματι
 ἒρειπεν οὔτ' ἀδιάντοισι παρειαῖς
ἀμφί τε Περσέι βάλλε φίλαν χέρα
εἶπέν τε· Ὦ τέκος, οἷον ἔχω πόνον·

σὺ δ'  ἀωτεῖς,  γαλαθηνῷ
δ' ἤτορι κνοώσσεις
ἐν ἀτερπέι δούρατι χαλκεογόμφῳ
 νυκτὶ <τ' ἄ> λαμπέι
κυανέῳ τε δνόφῳ σταλείς·
ἅχναν δ' ὕπερθε τεᾶν κομᾶν
βαθεῖαν παριόντος
κύματος οὐκ ἀλέγεις, οὐδ' ἀνέμου
φθόγγον, πορφυρέᾳ
κείμενος ἐν χλανίδι,  πρὸσωπον καλὸν.
εἰ δέ τοι δεινὸν τό γε δεινὸν ἦν,
καί κεν ἐμῶν ῥημάτων
 λεπτὸν ὑπεῖχες οὖας.


κέλομαι· εὗδε βρέφος,
εὑδέτω δὲ πόντος, εὑδέτω ἄμετρον κακόν·
μεταβουλία δέ τις φανείη,
Ζεῦ πάτερ, ἐκ σέο·
ὅττι δὴ θαρσαλέον ἔπος εὔχομαι
ἢ νόσφι δίκας,
σύγγνωθί μοι.

Os seguintes versos de Simônides, provenientes da poesia mélica, não foram escritos conforme as divisões métricas que Aristófanes ou qualquer outro preparou, mas demandam a prosa.  Atenta a canção e lê conforme as divisões. Vê bem que o ritmo do poema te escapará, e não poderás agrupar nem estrofe, nem antístrofe e nem epodo, mas parecerás ler um texto em prosa. Trata-se de Dânae sendo levada em alto mar e lamentando a sua sorte:

[Dânae*], na dedálea arca
quando o vento soprava
e o mar revolto em pavor
a prostrava, não sem pranto no rosto
envolveu Perseu nos braços amáveis
e disse:  "ah, filho, que aflição a minha!

Tu dormes, com inocente
peito ressonas
na triste barca de brônzeas cavilhas,
estendida na noite sem luz,
nas trevas escuras.
Da espuma do mar em teus cabelos,
profunda, quando passam
as ondas, tu não cuidas,
nem da voz do vento: repousando
em manto púrpura, é belo teu rosto.    
Se o que é terrível te fosse terrível,
às minhas palavras
darias teus pequeninos ouvidos.


Dorme, meu bebê, te peço;
dorme, ó mar; dorme, ó mal imensurável!
Que surja de ti um sinal de mudança,
Zeus Pai, de tua vontade!
Mas se minha prece é insolente
ou sem justiça,

perdoa-me."

* Dânae era uma princesa de Argos, no Peloponeso. Quando um oráculo contou ao seu pai, o rei Acrísio, de que o filho nascido dela o mataria, prontamente trancafiou a jovem princesa em uma câmara subterrânea. Mas Zeus, na forma de uma chuva dourada, facilmente acessa a câmara e engravida a princesa, que dará a luz ao herói Perseu. Quando o rei soube do acontecido, incrédulo de que a filha havia sido seduzida por Zeus, pôe mãe e filho em uma arca e os lança ao mar. 

[Tradução: Rafael Brunhara]

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Simônides de Céos, fr. 579 P

Há um apólogo que diz
que Aretê habita em rochedos inacessíveis,
na companhia de um coro sagrado de céleres ninfas.
Porém não é visível aos olhos de todos os mortais,
- apenas ao daquele que, alagado de suor que devora o ânimo,
chegar ao cume, graças à sua coragem.

Tradução: Maria Helena da Rocha Pereira

Simônides de Céos fr.543 P

Quando
na arca lavrada
o vento soprando
e o mar encapelado
e o terror a abateu com faces não enxutas,
lançou os seus braços em volta de Perseu e disse: "Ó filho,

que aflição a minha!
Tu dormes, e com teu lácteo rosto
entregas-te ao sono neste madeiro sem deleite,
e na noite cravejada de pregos
brilhas estendido nas trevas escuras.
Da espuma profunda, sobre o teu cabelo,
ao passar da onda,
não curas, nem da voz do vento: deitado
no teu manto, belo é o teu rosto.
Se o que é terrível o fosse para ti,
às minhas palavras darias brandos ouvidos.
Mas eu te ordeno: dorme, filho, dorme, ó mar, dorme,
ó minha dor desmedida! Que uma mudança surja,

ó Zeus pai, vinda da tua parte!
Mas, por eu ter dito esta palavra ousada
e fora da justiça, eu te imploro, perdoa-me!"

Tradução: Maria Helena da Rocha Pereira.

sábado, dezembro 12, 2009

'Simônides' - Antologia Grega

1. (7.24)

Videira, mãe da uva e do vinho que tudo apaziguas,
possa a teia de tuas gavinhas tortuosas
florescer, exuberante, no chão fino e coroar
a estela da tumba do teano Anacreonte,
para que ele, festeiro e ébrio do vinho a que é tão dado,
tangendo sua lira amante de rapazes
noite afora, sob a terra, tenha acima da cabeça
os galhos com o esplêndido racimo maduro,
e que possa umedecê-lo sempre o sereno da noite
que sua boca de ancião tão doce respirava.

2. (7.249)

Vai dizer, passante, aos lacedemônios que nós aqui
jazemos em obediência a suas leis.

3. (7.250)

Aqui jazemos por ter salvo com nossas próprias vidas
a Grécia toda posta sobre o fio da navalha.

4. (7.442)

Lembremos, nestas tumbas, os lanceiros que em luta aberta
morreram pela sua cidade, Tegéia,
tão rica de ovelhas, para que a Grécia não lhes tirasse
das frontes mortas o laurel da liberdade.

5. (7.507a)

Homem, o que vês é não a tumba de Creso, mas a cova
de um pobre artesão, para mim o bastante.

6. (7.512)

Graças à coragem destes homens, os fumos do incêndio
de Tegéia não chegaram nunca ao céu;
para deixar aos filhos uma cidade livre e próspera,
eles tombaram na frente de batalha.

Tradução
: José Paulo Paes

Fonte: Poemas da Antologia Grega ou Palatina. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Simônides - "Sem os Deuses"

Ninguém prospera sem os deuses,
nem homem nem cidade.
Aquele que conhece tudo é um deus,
nem há o que conseguir,
em meio aos homens, sem trabalho.

Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos

Simônides - "Instabilidade" (520 PMG)

Homem mortal,
não queiras predizer
o que o Amanhã trará
nem, vendo alguém feliz,
o tempo em que há de assim continuar.
É rápida a mudança:
tão rápido não é o vôo instável
da libélula de asas céleres.

Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos

Outra tradução: Maria Helena da Rocha Pereira

quinta-feira, outubro 23, 2008

Simônides de Céos: "Pequena é a força do homem"

Pequena é a força do homem, vãos os seus cuidados;
para ele, em vida curta, só existe
fadiga após fadiga.
Faça o que faça, pende sobre ele
a morte inevitável,
que devem partilhar, da mesma forma,
os bons e os maus.

tradução de Péricles E.S.Ramos

Aos que morreram nas Termópilas

Dos que morreram nas Termópilas
ilustre foi a sina, bela a morte;
seu jazigo é um altar
onde as lembranças são as libações
e os louvores o vinho derramado.
Sobre esta pedra não terá poder o musgo
nem mesmo o tempo que domina tudo:
na tumba dos heróis habita agora
o resplendor da Grécia.

Atesta-o Leônidas, o Rei de Esparta,
do qual bravura e glória
eternamente brilham.

Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos

Outra tradução: Antônio Medina Rodrigues

sexta-feira, outubro 03, 2008

Simônides de Céos: fragmentos.

1."Orfeu"

Com a doce música,
sobre sua cabeça
faziam ninho
os pássaros inumeráveis,
e da água azul saltavam peixes.

2. "Do epinício para Anaxilas de Régio"

Saúdo-vos, ó filhas dos corcéis
dos pés de tempestade.

3."Epitáfio"

Aqui poeira cobre Arquédice,
filha de Hípias,
o grego mais ilustre de seu tempo;
filha, mulher, irmã e mãe de déspotas,
jamais contudo ela abrigou no espírito
a presunção.

4."Sobre a batalha de Maratona"

Filha de Zeus,
se justo é honrar
aquele que é o melhor de todos,
quem praticou esta façanha
foi o povo de Atenas.

5."Os que salvaram Tégea"

Por causa da coragem destes homens
a fumaça do incêndio da ampla Tégea
não se elevou aos céus:
optaram eles por legar aos filhos
a terra a verdejar de liberdade,
e quanto a si, foram morrer
na frente de batalha.

6."Inscrição no altar de Platéia"

Este altar foi erguido pelos gregos
para que seja o altar do Zeus da liberdade
comum à livre Grécia,
depois de terem expulsado os persas,
em guerra vitoriosa.

Traduções de Péricles Eugênio da Silva Ramos

terça-feira, novembro 20, 2007

Simônides - 521 PMG

Sendo homem, não digas nunca o que acontece amanhã
E, se vires alguém feliz, quanto tempo o será.
Rápida como o volver de asas de uma mosca,
Assim é a mudança da fortuna.


Tradução: Maria Helena da Rocha Pereira

sábado, setembro 15, 2007

Simônides de Céos

Dos que, por fim, tombaram nas Termópilas,
Bela foi a morte e cintilante a cavalgada.
Do pó destes varões o altar nasceu.
Em vez do pranto, o seu emblema foi a guerra.
Com sangue a glória se escreveu, com lágrima.
Não vão gastá-la os tempos, nem bolores.
Esta sepultura gloriosa guarda
A fama helena em toda terra, tal
Como Leônidas de Esparta a mereceu:
Qual signo de ingente valentia,
E de um destino bravo, imperecível.

(Diehl 5)

Tradução: Antônio Medina Rodrigues.