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domingo, outubro 12, 2008

Baquílides - "O mergulho de Teseu"

Soprando a ré o Vento Norte, o barco
andou veloz; quando saltou o herói,
assustaram-se os jovens atenienses
e dos olhos de lírio

verteram lágrimas ao meditar
nos tristes fatos que por força ocorrem.
Mas o povo marinho dos delfins
levou Teseu, de pressa,

para a morada de seu pai, o deus
a que são consagrados os cavalos;
lá chegando, ele viu, amedrontado,
as filhas de Nereu,

cujos membros esplêndidos radiavam
como um clarão de fogo; nos cabelos
mostravam fitas de ouro, e compraziam-nas
ágeis pés a dançar.

Viu também Anfitrite de olhos grandes,
a majestosa esposa de seu pai,
naquela doce casa: e ela vestiu-o
de linho cor de púrpura,

e nos cabelos densos pôs-lhe a bela
coroa que ao casar-se recebera
da enganadora deusa, de Afrodite
que as roupas engrinaldam.

Nada que os deuses possam consumar
excede a crença do homem de bom juízo:
Teseu surgiu ao lado do navio
de delicada popa.

Como ficou perplexo o chefe cnósio,
vendo-o emergir enxuto dos abismos,
maravilhando todos a ostentar
as dádivas divinas!

Bradaram de alegria nova as Moças
de trono refulgente, e o mar clamou
quando os jovens com doce voz entoaram
um peã de gratidão.

Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos

Baquílides - "Ninguém pode manchar o céu"

Ninguém pode manchar o céu profundo,
a água do mar não se corrompe,
o ouro não sofre nódoas;
mas não se pode recobrar
a juventude em flor
quando se atinge a branca idade.
O esplendor da virtude, todavia,
não segue em decadência o corpo,
já que a aprecia a Musa. Tu, Hierão,
ostentaste de público as mais belas flores,
e não será o silêncio que honrará
qualquer que haja alcançado êxito:
existirá portanto a história verdadeira
do que se fez bem feito,
e com essa história os homens honrarão a graça
do rouxinol de Ceos, de canto igual ao mel.

Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos

Baquílides - "Agora como sempre"

Agora, como sempre,
com outro é que se obtém perícia:
pois não é fácil alcançar
a porta das palavras nunca ditas.

Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos

sexta-feira, outubro 03, 2008

Baquílides. "A Paz".

Grandes coisas a paz concede aos homens:
riqueza e cantos como flores,
de expressões de mel.

A paz, sobre os altares trabalhados,
queima no louro fogo em honra aos deuses
coxas de bois e de carneiros
de longos pêlos,
e leva os jovens ao ginásio,
às flautas e aos banquetes.
No férreo punho dos escudos
a aranha cor de fogo estende a teia,
e a lança aguda e a espada de dois fios
submete-as a ferrugem.
As trombetas de bronze já não soam;
já não foge de pálpebras o sono
- tão doce como o mel -
que de manhã conforta o coração.

Pela cidade espalham-se os festins amáveis:
e brilham como chamas
as canções de amor.

Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos