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segunda-feira, fevereiro 17, 2020

Hipônax, fragmento 39

Darei aos males minha alma multissofrente
se não me entregares agora mesmo um alqueire
de cevada, para eu fazer dos grãos
uma bebida que cure meu sofrimento.

κακοῖσι δώσω τὴν πολύστονον ψυχήν,
ἢν μὴ ἀποπέμψηις ὡς τάχιστά μοι κριθέων
μέδιμνον, ὡς ἂν ἀλφίτων ποιήσωμαι
κυκεῶνα πίνειν φάρμακον πονηρίης.

Trad. Rafael Brunhara

sábado, dezembro 02, 2017

Hipônax, fr. 115 West

Varrido pela onda
Em Salmidessos pelado a melhor acolhida
 os Trácios Cabeludos
 deem – aí de misérias mil se farte,
comendo pão de escravos -
hirto de frio saia da salsugem do mar
e muitas algas vomite
bata os dentes como cão de bruços
caído sem forças
no quebra-mar ...
ah isso eu queria ver
que ele me ofendeu, pisou nos pactos

ele que antes era meu amigo

 κύμ[ατι] πλα[ζόμ]ενοσ̣·
κἀν Σαλμυδ[ησς]ῶ̣ι̣ γυμνὸν εὐφρονέσ[τατα
 Θρήϊκες ἀκρό[κ]ομοι
λάβοιεν – ἔνθα πόλλ' ἀναπλήσαι κακὰ
 δούλιον ἄρτον ἔδων –  
ῥίγει πεπηγότ' αὐτόν· ἐκ δὲ τοῦ χνόου
 φυκία πόλλ' ἐπιχέοι,
κροτέοι δ' ὀδόντας, ὡς [κ]ύ̣ων ἐπὶ στόμα
 κείμενος ἀκρασίηι
ἄκρον παρὰ ῥηγμῖνα κυμα.....
 ταῦτ' ἐθέλοιμ' ἂ̣ν ἰδεῖ̣ν,  
ὅς μ' ἠδίκησε, λ̣[ὰ]ξ δ' ἐπ' ὁρκίοις ἔβη,
 τὸ πρὶν ἑταῖρος [ἐ]ών. ⊗

[Trad. Rafael Brunhara]

sábado, setembro 30, 2017

Hipônax, fr. 120 W + 121 W

λάβετέ μεο ταἰμάτια, κόψω Βουπάλωι τὸν ὀφθαλμόν
ἀμφιδέξιος γάρ εἰμι κοὐκ ἁμαρτάνω κόπτων.

Segurem meu casaco, vou socar Búpalo no olho;
pois sou ambidestro e socando não erro.

[Tradução: Rafael Brunhara]

sexta-feira, julho 26, 2013

Hipônax, fragmentos 32, 34 e 36 W


32

Ἑρμῆ, φίλ' Ἑρμῆ, Μαιαδεῦ, Κυλλήνιε,
ἐπεύχομαί τοι, κάρτα γὰρ κακῶς ῥιγῶ
καὶ βαμβαλύζω ...

δὸς χλαῖναν Ἱππώνακτι καὶ κυπασσίσκον
καὶ σαμβαλίσκα κἀσκερίσκα καὶ χρυσοῦ  (5)
στατῆρας ἑξήκοντα τοὐτέρου τοίχου.


Hermes, meu caro, filho de Maia, Cilênio,
rogo-te, estou tremendo tanto de frio
 e bato os dentes...

Dá p'ra Hipônax um manto, um casaquinho,
sandalinhas, pantufinhas, e as douradas (5)
sessenta moedas do outro muro.

34 

ἐμοὶ γὰρ οὐκ ἔδωκας οὔτέ κω χλαῖναν
δασεῖαν ἐν χειμῶνι φάρμακον ῥίγ<εο>ς,
οὔτ' ἀσκέρηισι τοὺς πόδας δασείηισι
ἔκρυψας, ὥς μοι μὴ χίμετλα ῥήγνυται.

Pois nunca me deste um manto
felpudo, remédio contra o frio do inverno
nem cobriste com pantufas felpudas
os meus pés, p'ra não me doer as frieiras...


36 Tzetzes em Aristófanes, Pluto, 87

Τυφλὸν δὲ  τὸν  Πλοῦτόν φησιν ἐξ  Ἱππώνακτος τοῦτο σφετερισάμενος. Φησὶ γὰρ οὕτως  Ἱππώναξ

ἐμοὶ δὲ Πλοῦτος – ἔστι γὰρ λίην τυφλός –
ἐς τὠικί' ἐλθὼν οὐδάμ' εἶπεν “Ἱππῶναξ,
δίδωμί τοι μν<έα>ς ἀργύρου τριήκοντα
καὶ πόλλ' ἔτ' ἄλλα”· δείλαιος γὰρ τὰς φρένας.

[Aristófanes] diz que Pluto é cego, apropriando-se de Hipônax. Pois assim diz Hipônax:

Pluto, Deus da riqueza, por ser cego demais,
nunca me veio em casa e disse: “Hipônax,
dou-te aqui trinta minas de prata
e muitas outras coisas mais” – pois ele é um estúpido.

[Tradução: Rafael Brunhara]

Hipônax de Éfeso - Fragmento 128 W

128 Ateneu, Banquete dos Eruditos 15.198

Πολέμων δ' ἐν τῷ δωδεκάτῳ τῶν πρὸς Τίμαιον περὶ τῶν τὰς παρῳδίας γεγραφότων ἱστορῶν τάδε γράφει ‘καὶ τὸν Βοιωτὸν δὲ καὶ τὸν Εὔβοιον τοὺς τὰς παρῳδίας γράψαντας λογίους ἂν φήσαιμι διὰ τὸ
παίζειν ἀμφιδεξίως καὶ τῶν προγενεστέρων ποιητῶν ὑπερέχειν ἐπιγεγονότας. εὑρετὴν μὲν οὖν τοῦ γένους Ἱππώνακτα φατέον τὸν ἰαμβοποιόν. λέγει γὰρ οὗτος ἐν τοῖς ἑξαμέτροις ·

Μοῦσά μοι Εὐρυμεδοντιάδεα, τὴν ποντοχάρυβδιν,
τὴν ἐγγαστριμάχαιραν, ὃς ἐσθίει οὐ κατὰ κόσμον ,
ἔννεφ', ὅπως ψηφῖδι <κακῇ> κακὸν οἶτον ὄληται
βουλῇ δημοσίῃ παρὰ θῖν' ἁλὸς ἀτρυγέτοιο.

Pôlemon escreve o seguinte no décimo segundo livro de Para Timeu, pesquisando sobre os escritores de paródias:

'Eu diria que tanto Beoto quanto Eubeu foram escritores de paródias, por brincarem com duplos sentidos e, apesar de serem anteriores, superaram os poetas que vieram depois. Diga-se que o inventor do gênero sem sombra de dúvida foi Hipônax, o poeta  jâmbico. Pois ele disse isto em hexâmetros:

Musa, do Eurimedontida, o marinocaríbdis,
gastro-faca que come sem elegância nenhuma
conta-me; para que morra mal, de uma morte má,
por voto popular junto às praias do insone mar'

[Tradução: Rafael Brunhara]

sexta-feira, maio 04, 2007

Hipônax

Pela onda extraviado,
e em Salmidesso, nu,
na mais negra noite os trácios tufocomados
o peguem e aí se farte de muitos males
o pão escravo comendo
hirto e frio do fluxo marinho
muitas algas lhe escorram
lhe batam os dentes como um cão sobre a boca
caído e extenuado
à beira d'água vomitando a onda.
Isso eu queria ver,
que ele me ofendeu, aos pés calcou as juras,
ele que antes era amigo.