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quarta-feira, novembro 21, 2018

Calímaco, Epigrama 27

Ἡσιόδου τό τ' ἄεισμα καὶ ὁ τρόπος· οὐ τὸν ἀοιδῶν
         ἔσχατον, ἀλλ' ὀκνέω μὴ τὸ μελιχρότατον
τῶν ἐπέων ὁ Σολεὺς ἀπεμάξατο· χαίρετε λεπταί
           ῥήσιες, Ἀρήτου σύμβολον ἀγρυπνίης.



De Hesíodo, a canção e o modo. Não no aedo
         exímio, mas creio que nos mais doces
 versos o homem de Sólos se moldou. Olá,
        breves linhas, sinal da vigília de Arato! 

Trad. Rafael Brunhara

sábado, janeiro 16, 2016

Calímaco Fragmento 110 - A Coma de Berenice


"Coma de Berenice" - Ambrogio Borghi (1878)

Todo o território do estelário viu nos traços por onde vão [os astros]...
...
mirou-me Cônon no céu trança
de Berenice que ela aos deuses todos dedicou
...
[noturno signo do certame]

[magnânimo]

por tua cabeça jurei, por tua vida

prole em prata de Teia [1] sobreleva-se,
grosso aguilhão de Arsínoe tua mãe, Atos,
por ele fenderam funestas naus dos Medos [2].
Ó cabelos, que faremos, quando montes tais ao ferro
cedem? Dos Cálibes [3] prouvera pereça a raça;
a planta ruim, a brotar da terra, a revelaram (50)
primeiro, e dos martelos ensinaram o ofício.
assim que fui cortada tranças irmãs saudosas me choravam
e de súbito o irmão de Mêmnon Etíope [4]
lançou-se turbilhonando ligeiras asas femíneo vento
corcel de Lócria Arsínoe em purpúreo jugo (55)
em sopro pelo ar úmido levou-me
no seio de Cípris pôs-me
a própria Zefirítide [5] para este fim
....da praia de Canopo habitante.
para que da noiva minoica (60) [6]
...aos homens não sozinha
luzisse no enorme [estelário] conto-me
também eu a bela coma de Berenice.
nas águas me banho aos imortais me elevo [7]
Cípris entre astros prístinos nova estrela pôs-me. (65)

à frente dirigind...outonal...ao Oceano

[...]não te enfureças[...] de Ramnúsia ninguém refreará [8]
boi o verbo...............(?).........(passo?)
....(?)......audaz...os outros astros
...
isso não me traz tanto prazer quanto a dor
que por aquela cabeça eu choro não mais tocá-la
que desde ainda virgem muitos bebera
frugais perfumes, sem fruir os de mulheres...[9]

Tradução: Rafael Brunhara


Πάντα τὸν ἐν γραμμαῖσιν ἰδὼν ὅρον ᾗ τε φέρονται
...
η με Κόνων ἔβλεψεν ἐν ἠέρι τὸν Βερενίκης
βόστρυχον ὃν κείνη πᾶσιν ἔθηκε θεοῖς

[σύμβολον ἐννυχίης...ἀεθλοσύνης?]

[μεγάθυμον?]

σήν τε κάρην ὤμοσα σόν τε βίον

ἀμνά]μ̣ω̣[ν Θείης ἀργὸς ὑ]π̣ε̣ρ̣φέ̣[ρ]ε̣τ̣[αι,
βουπόρος Ἀρσινόη̣⌊ς μ⌋ητρὸς σέο, καὶ διὰ μέ̣[σσου
Μηδείων ὀλοαὶ νῆες ἔβησαν Ἄθω.
τί πλόκαμοι ῥέξωμεν, ὅτ' οὔρεα τοῖα σιδή[ρῳ
εἴκουσιν; Χαλύβων ὡς ἀπόλοιτο γένος,
γειόθεν ἀντέλλοντα, κακὸν φυτόν, οἵ μιν ἔφ⌊ηναν (50)
πρῶτοι καὶ τυπίδων ἔφρασαν ἐργασίην.
ἄρτι [ν]εότμητόν με κόμαι ποθέεσκον ἀδε[λφεαί,
καὶ πρόκατε γνωτὸς Μέμνονος Αἰθίοπος
ἵετο κυκλώσας βαλιὰ πτερὰ θῆλυς ἀήτης,
ἵ̣ππ̣ο[ς] ἰοζώνου Λοκρίδος Ἀρσινόης, (55)
.[.]ασε̣ δὲ πνοιῇ μ̣ε, δι' ἠέρα δ' ὑγρὸν ἐνείκας
Κύπρ]ιδος εἰς κόλ⌊πους ἔθηκε
αὐτή⌋ μιν Ζεφυρῖτις ἐπὶ χρέο[ς
....Κ]ανωπίτου ναιέτις α[ἰγιαλοῦ.
ὄφρα δὲ] μὴ νύμφης Μινωίδος ο[ (60)
.....]ος ἀνθρώποις μοῦνον ἐπι.[ ,
φάες]ι̣ν ἐν πολέεσσιν ἀρίθμιος ἀλλ̣[ὰ γένωμαι
καὶ Βερ]ενίκειος καλὸς ἐγὼ πλόκαμ[ος,
ὕδασι] λ̣ουόμενόν με παρ' ἀθα̣[νάτους ἀνιόντα
Κύπρι]σ̣ ἐν ἀρχαίοις ἄστρον [ἔθηκε νέον. (65)
]
]
⌊πρόσθε μὲν ἐρχομεν.. μ̣ε̣τ̣οπωρ̣ι̣ν̣ὸν⌋ Ὠκ]ε̣α̣νό̣ν̣δε
].ο[
ἀ]λ̣λ' εἰ κα̣[ι ].....ν
].. ιτη[
μὴ ]κ̣οτέσῃ[ς, Ῥαμνουσιάς· οὔτ]ι̣ς ἐρύξει
βοῦς ἔπος⌋ ]η...[ ].[ ].βη
].[.]ε̣λε̣.[ ].θράσος ἀ[στ]έρες ἄλλοι
]ν̣δινειε.[ ]ο̣σ̣οσο[.]τ̣εκ.[.]ω·
110.75
οὐ⌋ τάδ⌊ε⌋ μοι τοσσήνδε̣ φ⌊έ⌋ρ̣ε̣ι̣ χάρι̣ν̣ ὅσ̣[σο]ν ἐκείνης
ἀ]σχάλλω κορυφῆς οὐκέ̣τ̣ι̣ θιξό̣μεν[ος,
ἧς ἄπο, παρ[θ]ενίη μὲν ὅτ' ἦν ἔτι, πολλ⌊ὰ πέ⌋πωκα
λι⌊τ⌋ά, γυναικείων δ' οὐκ ἀπέλαυσα μύρων.


*Berenice, esposa do rei Ptolomeu III, como professa o costume, dedicara à Afrodite uma trança de seu cabelo pelo retorno bem-sucedido do marido de sua campanha na Ásia. Mas a trança desaparece misteriosamente, e Cônon,astrônomo da corte, a reconhece nos céus, como uma das constelações vizinhas à Ursa Maior. A lenda diz que Afrodite, Cípris, teria ficado tão encantada com a trança que a levara para si até os céus. O "Eu Lírico" do poema são os próprios cabelos de Berenice, recém-cortados.

[1] Bóreas, descendente da titânide Teia;

[2] Referência ao Monte Atos, no litoral norte do Egeu, na Calcídica; o "grosso espeto" é metáfora para os picos deste monte, atravessado pelos Persas para levar guerra aos gregos. A violência do ferro que provoca guerras é a mesma que corta os cabelos da rainha.

[3] Os Cálibes habitavam as proximidades do rio Termodonte e eram povo dedicado à metalurgia do ferro.

[4] É o vento Zéfiro, filho da Aurora, meio-irmão de Mêmnon, vento brando.

[5] A rainha do egito Arsínoe, divinizada como Afrodite Zefirítide.

[6] Noiva minoica refere-se à Coroa Boreal, constelação associada à Ariadne, filha de Minos. É a "noiva minoica" de Dioniso, que atirou sua coroa aos céus e fixou uma constelação para se provar um Deus à Ariadne e assim conquistá-la em casamento.

[7] Os astros se banham no mar antes de subir aos céus. Referência ao movimento das estrelas e constelações na alternância do dia e da noite.

[8] Ramnúsia é Nemêsis, deusa da vingança. De resto, a referência é totalmente obscura, devido à sua fragmentariedade.

[9] Os cabelos proclamam sua afeição à Berenice: lamentam tornar-se constelação, e não poderem se banhar nos perfumes próprios das mulheres casadas. Há uma distinção entre os perfumes frugais das solteiras e os que são desfrutados por mulheres casadas.



sábado, setembro 05, 2015

Epigramas de Calímaco - Traduções de José Carlos Baracat jr.

Epigrama 2 (ed.Pfeiffer)

Disse, Heráclito, alguém a tua sorte e às lágrimas
levou-me ele; lembrei-nos amiúde
a serenar o sol. Porém ao pó te arrimas,
halicarnasso, em prístino ataúde.
Mas Hades teus poemas, eternas vindimas,
não vai tocar, inda que de al mais cuide.

Εἶπέ τις, Ἡράκλειτε, τεὸν μόρον, ἐς δέ με δάκρυ
ἤγαγεν· ἐμνήσθην δ' ὁσσάκις ἀμφότεροι
ἥλιον ἐν λέσχῃ κατεδύσαμεν. ἀλλὰ σὺ μέν που,
ξεῖν' Ἁλικαρνησεῦ, τετράπαλαι σποδιή,
αἱ δὲ τεαὶ ζώουσιν ἀηδόνες, ᾗσιν ὁ πάντων
ἁρπακτὴς Ἀΐδης οὐκ ἐπὶ χεῖρα βαλεῖ.

[Fonte: BARACAT JR., J.C. - "Calímaco, Epigrama 2" in Translatio vol.8, Porto Alegre: UFRGS. 2014. p.66-68]


Epigrama 3 (ed. Pfeiffer)

Não me digas “olá”, cancro-cor, vade retro:
“Olá” p'ra mim é ver-te pelas costas.

Μὴ χαίρειν εἴπῃς με, κακὸν κέαρ, ἀλλὰ πάρελθε·
ἶσον ἐμοὶ χαίρειν ἐστὶ τὸ μὴ σὲ πελᾶν*.

*(Lê-se πελᾶν em vez de γελᾶν)


Epigrama 4 (ed.Pfeiffer)

“Tímon (pois já não vives): treva ou luz odeias?”
“Treva: mais numerosos sois no Hades”.

Τίμων (οὐ γὰρ ἔτ' ἐσσί), τί τοι, σκότος ἢ φάος, ἐχθρόν;
‘τὸ σκότος· ὑμέων γὰρ πλείονες εἰν Ἀΐδῃ


Epigrama 21 (ed.Pfeiffer)

Tu que por minha tumba andas, eu de Calímaco,
Sabe, sou filho e pai – Cirene é a terra.
Conheces ambos: um de exércitos da pátria
Chefe; poeta além de inveja o outro.
Justo: pois, quando zelam Musas por criança,
São-lhe amigas até tornar-se gris.

Ὅστις ἐμὸν παρὰ σῆμα φέρεις πόδα, Καλλιμάχου με
ἴσθι Κυρηναίου παῖδά τε καὶ γενέτην.
εἰδείης δ' ἄμφω κεν· ὁ μέν κοτε πατρίδος ὅπλων
ἦρξεν, ὁ δ' ἤεισεν κρέσσονα βασκανίης
οὐ νέμεσις· Μοῦσαι γὰρ ὅσους ἴδον ὄμματι παῖδας
ἄχρι βίου πολιοὺς οὐκ ἀπέθεντο φίλους.

[Trad. José Carlos Baracat Júnior]

quinta-feira, dezembro 26, 2013

Calímaco, Epigrama 23

Εἴπας ‘Ἥλιε χαῖρε’ Κλεόμβροτος ὡμβρακιώτης
ἥλατ' ἀφ' ὑψηλοῦ τείχεος εἰς Ἀΐδην,
ἄξιον οὐδὲν ἰδὼν θανάτου κακόν, ἀλλὰ Πλάτωνος
ἓν τὸ περὶ ψυχῆς γράμμ' ἀναλεξάμενος.

Cleômbroto d' Ambrácia disse: "Adeus, Sol!"
e lançou-se da alta muralha  para o Hades.
Não viu mal nenhum que valesse a morte: de Platão
ele leu um livro só, aquele sobre a alma.

(Tradução: Rafael Brunhara)

sábado, junho 16, 2012

Calímaco: Epigramas V, XIII, XVII, XIX [ Edição Gow-Page]


V (29)

Bebe-se num simpósio em homenagem a um rapaz de nome Diócles, cuja excessiva beleza merece ser brindada com vinho extremamente forte, sem mistura com água, que aqui é personificada pela figura do Deus-Rio Aquelôo.

Ἔγχει καὶ πάλιν εἰπὲ ‘Διοκλέος’· οὐδ' Ἀχελῷος
κείνου τῶν ἱερῶν αἰσθάνεται κυάθων.
καλὸς ὁ παῖς, Ἀχελῷε, λίην καλός, εἰ δέ τις οὐχί
φησίν – ἐπισταίμην μοῦνος ἐγὼ τὰ καλά.  

Verte [o vinho] e diz outra vez: “Por Diócles!”; Aquelôo
            não conhece as taças consagradas a ele.
O rapaz é belo, Aquelôo, belo demais; Se alguém
            discorda, que apenas eu saiba o que é belo! 


XIII (43)

Narração do comportamento de um homem no simpósio. Os suspiros denunciam que a sua ferida é causada por amor.  O poeta, experiente no assunto (“ladrão que conhece os rastros de outro ladrão”), compadece-se do sofrimento e tece seu comentário nos dois versos finais.

Ἕλκος ἔχων ὁ ξεῖνος ἐλάνθανεν· ὡς ἀνιηρόν
πνεῦμα διὰ στηθέων (εἶδες;) ἀνηγάγετο,
τὸ τρίτον ἡνίκ' ἔπινε, τὰ δὲ ῥόδα φυλλοβολεῦντα
τὠνδρὸς ἀπὸ στεφάνων πάντ' ἐγένοντο χαμαί·
ὤπτηται μέγα δή τι· μὰ δαίμονας οὐκ ἀπὸ ῥυσμοῦ
εἰκάζω, φωρὸς δ' ἴχνια φὼρ ἔμαθον.

O hóspede não percebia a ferida que tinha; Que triste,
            O suspiro de seu peito (viste?)!  Suspirou,
enquanto libava a terceira [taça]. E as rosas, a despetalar
            da coroa do homem,  caíram todas ao chão.
[O hóspede] está, sim, muito queimado; pelos numes, sem rumo
não o vejo: ladrão sou, e conheço rastros de ladrão.

XVII (37)

Oferenda de certo  Menitas, proveniente da cidade cretense de Licto, para o Deus Serápis.  Dedica aljava e arco (chamado κέρας, “chifre”, que poderia ser um  modo de se referir a um arco composto com este material ou servir simplesmente como metonímia para a própria arma). Assume o tom de uma narração, na qual  o ofertante alude à sua atuação durante o combate contra o povo da cidade de Hespérite, situada na Cirenaica.  

Ὁ Λύκτιος Μενίτας
τὰ τόξα ταῦτ' ἐπειπὼν
ἔθηκε· “Τῆ, κέρας τοι
δίδωμι καὶ φαρέτρην,
Σάραπι· τοὺς δ' ὀιστοὺς
ἔχουσιν Ἑσπερῖται.”

O Líctio Menitas
este arco dedicou,
tendo dito:  Aqui,
dou-te o [meu arco de] chifre e a aljava,
Serápis: mas as flechas,
têm-nas os Hespérites.

XIX (39)

Timodemo, da cidade de Náucratis, oferece a décima parte de seus lucros (provavelmente um objeto, como parece indicar o verbo εἵσατο, “estabelecer, assentar”) a Demeter e à sua filha Perséfone, rrainha dos subterrâneos, cultuada em Pilas (ou Termópilas) em um templo fundado por um rei de nome Acrísio, descendente dos Pelasgos (habitantes antigos e lendários da Grécia).  

 Δήμητρι τῇ Πυλαίῃ,
τῇ τοῦτον οὑκ Πελασγῶν
Ἀκρίσιος τὸν νηὸν ἐδείματο, ταῦθ' ὁ Ναυκρατίτης
καὶ τῇ κάτω θυγατρί
τὰ δῶρα Τιμόδημος
εἵσατο τῶν κερδέων δεκατεύματα· καὶ γὰρ εὔξαθ' οὕτως

À Deméter Pileia,
aqui Acrisio dos Pelasgos
fundou este templo, e também
à sua ínfera filha;
e Timodemo Naucrátida estas dádivas
apôs, dízimo de seus lucros; pois assim prometera.




Tradução: Rafael Brunhara


Bibliografia

GOW, A.S.F.; PAGE, D.L. (ed.) Greek Anthology: Hellenistic Epigrams. Cambridge: Cambridge University Press, 1965, vol, 1.



segunda-feira, dezembro 07, 2009

Calímaco: Antologia Grega

7.524

A. Jaz Caridas sob ti?
B. Sim, se for filho de Arima, o Cireneu.
A. Ei, Caridas, que tal aí embaixo?
C. Trevas só.
A. E quanto à volta?
C. Mentira.
A. E Plutão?
C. Um mito.
A. Então estamos fritos.
C. Crê no que te digo. Mas se queres algo de aprazível, há boi
barato no Hades.

12.43

Detesto o poema em série; tampouco me agrada o caminho
que leva muitos a várias direções.
Odeio também o amado a varejo, não bebo da fonte,
me aborrece tudo quanto seja público.
Lisânias, é um tesouro, um tesouro; mas antes de eu dizê-lo
claramente, um eco o faz: É de outro, é de outro".

Outra tradução (João Ângelo Oliva Neto)

12.102

Caçador, Epicides persegue nas montanhas toda
lebre e segue as pegadas das gazelas
pela geada e pela neve. Mas se alguém lhe diz:
"Eis um bicho ferido", não o quer.
Assim também o meu amor: perseguindo o que lhe foge,
deixa para trás o que jaz no chão.

12.118

Mil vezes me censura, Arquino, se eu buscar-te de meu grado;
mas, se mau grado meu, releva o açodamento:
amor e vinho forte compeliram-me, um com me empolgar,
outro com tirar-me sobriedade ao espírito.
Aqui chegado, não gritei quem sou nem de quem sou; beijei
tão-só os umbrais; se isso é erro, então errei.

12.139

Existe sim, eu juro por Pã e por Dioniso,
um fogo escondido debaixo das cinzas;
desconfio de mim. Não me abraces; muitas vezes,
rio calmo rói o muro pela base.
Temo pois, Menexeno, que entrando em mim, silente,
este furtivo me atire para o amor.

13.7

Menoítas, o líctio, ofereceu suas armas
com estas palavras: eis meu arco e meus carcás,
Serápis, mas as flechas têm-nas os hesperídios.

Tradução de José Paulo Paes.

Fonte: Poemas da Antologia Grega ou Palatina. SP: Cia das letras, 1995.

segunda-feira, novembro 02, 2009

Calímaco - Epigrama 2 P

Alguém falou, Heráclito, de tua morte, e me levou
às lágrimas. Lembrei-me de quantas vezes nós dois,
em colóquio,fizemos o sol se pôr. Tu, hóspede
do Halicarnasso, és - presumo - cinza há muitas eras:
mas vivem teus rouxinóis; sobre eles, Hades
raptor de tudo a mão não lança.

(Tradução de Rafael Brunhara)

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Calímaco - Epigrama 8 P

Pequena, Dionísio, basta uma palavra
ao poeta feliz: "venci" é o máximo
que diz. Mas se ao que tu não inspiraste bem
"que tal?",indagam, "duro é o que me ocorre",
diz. Que isto ocorra a quem injustos versos trama.
a mim, senhor, as tais pequenas sílabas.

Tradução de João Angelo Oliva Neto

quarta-feira, setembro 10, 2008

Calímaco - Epigrama 23

Disse: Sol, adeus! Assim Cleómbroto Ambraciota
jogou-se de alta muralha para o Hades.
Valor nenhum via na morte má. É que, de Platão,
um só livro (aquele sobre a alma) ele leu.


Tradução: Jacyntho Lins Brandão

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Calímaco - Epigrama 28P

Eu odeio o poema cíclico; da estrada
que muitos leva, traz, aqui e lá, não gosto.
Que vagueia detesto amante nem da fonte
bebo e me afasto do lugar comum.
Lisânias, tu és belo, belo, sim, mas antes
que o diga o Eco, alguém diz: "Outro o tem"

[Tradução: João Angelo Oliva Neto]