sábado, fevereiro 14, 2026

Bacanal - Manuel Bandeira

Quero beber! cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco...
           Evoé Baco! 

Lá se me parte a alma levada
No torvelim da mascarada 
A gargalhar em doudo assomo...
         Evoé Momo! 

Lacem-na toda, multicores,
As serpentinas dos amores,
--  Cobras de lívidos venenos...
     Evoé Vênus! 

Se me perguntarem: que mais queres,
Além de versos e mulheres? ....
-- Vinhos! ...O vinho que é o meu fraco!
           Evoé Baco!

O alfanje rútilo da lua
Por degolar a nuca nua
Que me alucina e que não domo!...
      Evoé Momo!

A Lira etérea, a grande Lira!...
Por que eu extático desfira
Em seu louvor versos obscenos,
        Evoé Vênus! 

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