1. José Paulo Paes (1997)
Era intenso o calor, passava já do meio dia;
Estendi-me na cama a repousar os membros.
Das janelas, em parte abertas, em parte cerradas,
Vinha luz semelhante à que há dentro das matas,
À luz mortiça do crepúsculo, após Febo sumir,
Ou de antes de a noite ir-se sem que seja dia.
A esta luz é que se hão de mostrar as jovens tímidas;
Nela, o pudor medroso espera achar refúgio.
Eis que chega Corina numa túnica ligeira,
Cobriam os cabelos seu alvo pescoço;
Assim entrava pela alcova a formosa Semíramis,
Diz-se, e Laís, a quem tantos homens amaram.
Desvesti-lhe a túnica; de tão tênue, mal contava:
Ela lutou, entanto, para cobrir-se com
A túnica, mas sem nenhum empenho de vencer:
Venceu-a, sem pesar, a sua traição.
Ficou em pé, sem roupa alguma, diante dos meus olhos.
Não havia, em seu corpo, um único defeito.
Que ombros e que braços a mim foi dado ver, tocar!
Os belos seios, que deleite comprimí-los!
Que ventre mais polido logo debaixo do peito!
As ancas, que primor! Que juvenil a coxa!
Por que pormenorizar? Nada vi de não louvável!
E a nudez lhe estreitei contra o meu próprio corpo.
Quem não sabe o resto? Exaustos, repousamos depois.
Que mais outros meios-dias prósperos me sejam!
Era intenso o calor, passava já do meio dia;
Estendi-me na cama a repousar os membros.
Das janelas, em parte abertas, em parte cerradas,
Vinha luz semelhante à que há dentro das matas,
À luz mortiça do crepúsculo, após Febo sumir,
Ou de antes de a noite ir-se sem que seja dia.
A esta luz é que se hão de mostrar as jovens tímidas;
Nela, o pudor medroso espera achar refúgio.
Eis que chega Corina numa túnica ligeira,
Cobriam os cabelos seu alvo pescoço;
Assim entrava pela alcova a formosa Semíramis,
Diz-se, e Laís, a quem tantos homens amaram.
Desvesti-lhe a túnica; de tão tênue, mal contava:
Ela lutou, entanto, para cobrir-se com
A túnica, mas sem nenhum empenho de vencer:
Venceu-a, sem pesar, a sua traição.
Ficou em pé, sem roupa alguma, diante dos meus olhos.
Não havia, em seu corpo, um único defeito.
Que ombros e que braços a mim foi dado ver, tocar!
Os belos seios, que deleite comprimí-los!
Que ventre mais polido logo debaixo do peito!
As ancas, que primor! Que juvenil a coxa!
Por que pormenorizar? Nada vi de não louvável!
E a nudez lhe estreitei contra o meu próprio corpo.
Quem não sabe o resto? Exaustos, repousamos depois.
Que mais outros meios-dias prósperos me sejam!
2. Lucy Ana de Bem (2010)
Fazia calor e o dia tinha cumprido a metade de suas horas;
Os membros a descansar no meio do leito repousei.
Parte da janela estava aberta, parte fechada,
Tais lumes costumam ter as selvas,
Tais os crepúsculos que pouco alumiam quando Febo foge,
Ou quando a noite parte sem, contudo, ter nascido o dia;
É a essa luz que a menina casta deve expor-se,
Onde o tímido pudor anseie encontrar abrigo.
Eis, Corina chega, coberta por uma túnica lassa,
Com os cabelos repartidos cobrindo o cândido colo;
Da forma como, dizem, a formosa Semíramis adentrou a alcova
E Laís, amada por muitos homens.
Arranquei-lhe a túnica; transparente, não estorvava tanto,
Entretanto, ela lutava para cobrir-se;
Ela, que lutava como se não quisesse vencer,
Sem dificuldade foi vencida por sua própria cumplicidade.
Quando se pôs de pé, deposta a veste, ante os meus olhos,
Por todo o corpo, em toda a parte, defeito algum havia.
Que ombros, que braços, vi e toquei!
A forma dos mamilos quão apta era ao toque!
Que ventre perfeito sob o rijo peito!
Que ancas fartas! Que coxa juvenil!
Para que entrar em detalhes? Nada vi não digno de elogio,
E nua, abracei-a junto ao meu corpo.
Quem desconhece o restante? Rendidos, ambos repousamos.
Que me ocorram muitos meios-dias como esse!
3. Carlos Ascenso André (2011)
Fazia calor, e o dia já tinha cumprido metade das suas horas;
pousei em cima da cama o corpo, para lhe dar descanso.
Uma parte da janela estava aberta, a outra parte fechada;
assim era a luz, como a que os bosques costumam deixar entrever,
como a penumbra do crepúsculo, à hora em que o sol se esvai,
ou quando a noite já se foi e não nasceu, ainda, o dia;
essa é a luz que deve amostrar-se a jovens recatadas;
nela, a timidez e a vergonha encontram refúgio.
Eis que surge Corina, resguardada e envolta em sua túnica,
os cabelos caídos de ambos os lados do colo resplandecente;
assim formosa entrava Semíramis no quarto,
diz-se, e Laís, amada por tantos homens.
Arranquei-lhe a túnica; e não é que me estorvasse muito a sua quase transparência,
mas ela resistia por estar coberta daquela túnica;
pois que resistia assim como quem não quer vencer,
foi vencida sem custo, com a sua própria ajuda.
Quando ela surgiu diante de meus olhos, o manto caído aos pés,
no corpo inteiro nem uma só mácula se me mostrou:
Que ombros! Que braços eu vi e toquei!
A beleza dos seios, como se pôs ao dispor dos meus afagos!
Como era liso, abaixo da linha do peito, o ventre!
Que grandiosidade e perfeição nas coxas! Que frescura nas pernas!
Que mais minúcias direi? Nada vi que não mereça elogio,
e foi a nudez do seu corpo que apertei contra o meu.
O resto, quem não o sabe? Depois da fadiga, repousamos ambos.
Assim possam correr muitas vezes as minhas tardes!
Fontes
ASCENSO, C.A. Ovídio. Amores. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
DE BEM, L. Primeiro Livro dos Amores. São Paulo: Hedra, 2010.
PAES, J.P. Poesia Erótica em Tradução. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
Nenhum comentário:
Postar um comentário