um dia
a gente ia ser homero
a obra nada menos que uma ilíada
depois
a barra pesando
dava pra ser aí um rimbaud
um ungaretti um fernando pessoa qualquer
um lorca um éluard um ginsberg
por fim
acabamos o pequeno poeta de província
que sempre fomos
por trás de tantas máscaras
que o tempo tratou como a flores
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quarta-feira, junho 22, 2011
terça-feira, dezembro 29, 2009
um deus também é o vento
só se vê nos seus efeitos
árvores em pânico
bandeiras
água trêmula
navios a zarpar
me ensina
a sofrer sem ser visto
a gozar em silêncio
o meu próprio passar
nunca duas vezes
no mesmo lugar
a este deus
que levanta poeira dos caminhos
os levando a voar
consagro este suspiro
nele cresça
até virar vendaval
só se vê nos seus efeitos
árvores em pânico
bandeiras
água trêmula
navios a zarpar
me ensina
a sofrer sem ser visto
a gozar em silêncio
o meu próprio passar
nunca duas vezes
no mesmo lugar
a este deus
que levanta poeira dos caminhos
os levando a voar
consagro este suspiro
nele cresça
até virar vendaval
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quarta-feira, dezembro 19, 2007
Paulo Leminski # 3
um dia
a gente ia ser homero
a obra nada menos que uma ilíada
depois
a barra pesando
dava pra ser aí um rimbaud
um ungaretti um fernando pessoa qualquer
um lórca um éluard um ginsberg
por fim
acabamos o pequeno poeta de província
que sempre fomos
por trás de tantas máscaras
que o tempo tratou como a flores
a gente ia ser homero
a obra nada menos que uma ilíada
depois
a barra pesando
dava pra ser aí um rimbaud
um ungaretti um fernando pessoa qualquer
um lórca um éluard um ginsberg
por fim
acabamos o pequeno poeta de província
que sempre fomos
por trás de tantas máscaras
que o tempo tratou como a flores
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quarta-feira, setembro 26, 2007
Osíris
- Ramsés, meu bem, acorde. Acho que tem alguém batendo.
- Como ousa, minha amada, minha irmã, ó lótus da primeira lua da primavera, acordar o filho do Sol? Espero a hora de Osíris.
- Sério, Ramsés. Ouço barulho de gente tentando arrombar a porta da pirâmide.
- Tá bem, tá bem, Nefertiti. Vou ver o que há.
- Tome cuidado, amor. Sofri tanto quando você morreu a primeira vez.
- Deixe comigo. Esses ladrõezinhos de tumbas vão ver uma coisa.
- Escutou?
- Escutei. Pã, pã, pã. Acho que é só um.
- Quem viria roubar, sozinho, a pirâmide de Ramsés?
- Sozinho?
- Sozinho.
- Nefertiti, me diga uma coisa. Como foi que aquele sacerdote de Bubástis disse que meu pai Osíris iria me ressuscitar?
- Tantos séculos, não lembro mais. Lembro que disse uma coisa.
- Que foi?
- Ele viria sozinho.
- Tem certeza?
- A certeza aos vivos pertence. Me parece, de qualquer forma.
- A merda é que eu não consigo me lembrar de nada daquela maldita frase. Mas acho que tinha alguma coisa que ver com o que você está dizendo. Sozinho, você disse?
- Pã, pã, pã, ouviu? Ele está sozinho.
- Pode ser um ladrão.
- E se for Osíris?
[Paulo Leminski]
- Como ousa, minha amada, minha irmã, ó lótus da primeira lua da primavera, acordar o filho do Sol? Espero a hora de Osíris.
- Sério, Ramsés. Ouço barulho de gente tentando arrombar a porta da pirâmide.
- Tá bem, tá bem, Nefertiti. Vou ver o que há.
- Tome cuidado, amor. Sofri tanto quando você morreu a primeira vez.
- Deixe comigo. Esses ladrõezinhos de tumbas vão ver uma coisa.
- Escutou?
- Escutei. Pã, pã, pã. Acho que é só um.
- Quem viria roubar, sozinho, a pirâmide de Ramsés?
- Sozinho?
- Sozinho.
- Nefertiti, me diga uma coisa. Como foi que aquele sacerdote de Bubástis disse que meu pai Osíris iria me ressuscitar?
- Tantos séculos, não lembro mais. Lembro que disse uma coisa.
- Que foi?
- Ele viria sozinho.
- Tem certeza?
- A certeza aos vivos pertence. Me parece, de qualquer forma.
- A merda é que eu não consigo me lembrar de nada daquela maldita frase. Mas acho que tinha alguma coisa que ver com o que você está dizendo. Sozinho, você disse?
- Pã, pã, pã, ouviu? Ele está sozinho.
- Pode ser um ladrão.
- E se for Osíris?
[Paulo Leminski]
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domingo, maio 06, 2007
Paulo Leminski #2
pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando.
um dia vai ser
só não sei quando.
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domingo, abril 29, 2007
Horácio
Ode I, IX (Tradução de Paulo Leminski)
Não me perguntes
Saber não presta
Leuconoe
Que fim os deuses nos preparam
Nem arrisque
Números de Babel
Como se fosse o máximo – o que vier: fature
Se o pai te concedeu vários invernos
Ou o último
Agora o mar Tyrrheno cepilha pedras de naufragar
Filtre o vinho
Sorva os coos
Prazo breve
Corta
A espera
A era já era
Antes do tempo de dizer
Estamos conversados
Pega este dia
Crer no próximo
Não vale um nihil
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quinta-feira, janeiro 18, 2007
Limites ao léu
POESIA: "words set to music" (Dante
via Pound), "uma viagem ao
desconhecido" (Maiakovski), "cernes e
medulas" (Ezra Pound), "a fala do
infalível" (Goethe), "linguagem
voltada para a sua propria
materialidade" (Jakobson),
"permanente hesitação entre som
e sentido" (Paul Valery), "fundação do
ser mediante a palavra" (Heidegger),
"a religião original da humanidade"
(Novalis), "as melhores palavras na
melhor ordem" (Coleridge), "emoção
relembrada na tranquilidade"
(Wordsworth), "ciência e paixão"
(Alfred de Vigny), "se faz com
palavras, não com idéias"
(Ricardo Reis/Fernando Pessoa), "um
fingimento deveras" (Fernando
Pessoa), "criticism of life" (Mattew
Arnold), "palavra-coisa" (Sartre),
"linguagem em estado de pureza
selvagem" (Octavio Paz), "poetry is to
inspire" (Bob Dylan), "design de
linguagem" (Decio Pignatari), "lo
imposible hecho posible" (Garcia
Lorca), "aquilo que se perde na
tradução" (Robert Frost), "a liberdade
da minha linguagem" (Paulo
Leminski)...
(Paulo Leminski)
via Pound), "uma viagem ao
desconhecido" (Maiakovski), "cernes e
medulas" (Ezra Pound), "a fala do
infalível" (Goethe), "linguagem
voltada para a sua propria
materialidade" (Jakobson),
"permanente hesitação entre som
e sentido" (Paul Valery), "fundação do
ser mediante a palavra" (Heidegger),
"a religião original da humanidade"
(Novalis), "as melhores palavras na
melhor ordem" (Coleridge), "emoção
relembrada na tranquilidade"
(Wordsworth), "ciência e paixão"
(Alfred de Vigny), "se faz com
palavras, não com idéias"
(Ricardo Reis/Fernando Pessoa), "um
fingimento deveras" (Fernando
Pessoa), "criticism of life" (Mattew
Arnold), "palavra-coisa" (Sartre),
"linguagem em estado de pureza
selvagem" (Octavio Paz), "poetry is to
inspire" (Bob Dylan), "design de
linguagem" (Decio Pignatari), "lo
imposible hecho posible" (Garcia
Lorca), "aquilo que se perde na
tradução" (Robert Frost), "a liberdade
da minha linguagem" (Paulo
Leminski)...
(Paulo Leminski)
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