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terça-feira, maio 15, 2007

Catulo, 89

Gélio está magro. Pudera!
Tem u'a mãe tão bondosa
E tão cheia de saúde;
Tem uma irmã tão gostosa,

Tem um tio tão complacente,
Tem primas por todo o lado,
Como é que ele poderia
Deixar de ser tão mirrado?

Ainda que só tocasse
Naquilo que é interdito,
Mesmo assim compreenderias
Por que ele está um palito.

(Tradução de José Dejalma Dezotti)

sábado, maio 12, 2007

Catulo, 92

Lésbia só fala mal de mim, sempre, e não cala
nunca; que eu morra se ela não me ama.
Como sei? Também tenho tal sintoma; ataco-a
muito, mas que eu morra se não a amo.
(Tradução de João Angelo Oliva Neto)

Sem calar-se um só instante,
Lésbia sempre me difama
Pois que eu morra esturricado
Se essa mulher não me ama.

Como sei? Pois é a mesma
A situação em que estamos:
Eu sempre a cubro de injúrias,
Que eu morra se não a amo!
(Tradução de José Dejalma Dezotti)

Catulo,93

Não ligo a mínima, César,
Se estou mal em seu conceito.
Nem mesmo quero saber
Se você é branco ou preto.
(Tradução de José Dejalma Dezotti)


Não faço o mínimo, César, para te agradar.
Nem quero o saber se és branco ou preto.
(Tradução de Haroldo de Campos)

Pouco me importa, César, querer te agradar,
nem quero saber se és Grego ou Troiano.
(Tradução de João Angelo Oliva Neto)

Catulo,70

Minha mulher me diz que com ninguém se casa
menos eu, nem se Júpiter pedir.
Diz. Mas o que a mulher diz ao amante ardente
convém escrever no vento e na água rápida.
(Tradução de João Angelo Oliva Neto)


Com ninguém, diz minha amada,
Só comigo quer unir-se,
Ainda que o próprio Júpiter
A procurasse e pedisse.

Ela o diz; mas o que diz
A mulher ao louco amante,
Convém escrever no vento
Ou na rápida vazante.
(Tradução de José Dejalma Dezotti)

segunda-feira, abril 30, 2007

Marcial

Homem belo e de valor
queres, Cota, parecer:
mas um homem, sendo belo,
de valor não pode ser.

**********

Aqui lês dois versos bons,
três passáveis, mil ruins.
Não há outro modo, Avito:
Um livro se faz assim.

*********

Os versos que tu recitas
São sim, Fidentino, meus:
Mas como os recitas mal
Eles passam a ser teus.

*********
Você que franze os sobrolhos
e não me lê de bom grado
morra sempre de inveja,
sem nunca ser invejado.

*******

Que eu te recite meus versos,
me pedes quase a implorar.
Não quero, Célere, almejas
não ouvir, mas recitar.

**********

Dar a metade pro Lino
É bem melhor, na verdade,
do que tudo lhe emprestar.
Antes perder só metade.

*********

Tens costume quando metes
De cagar depois que acabas.
Policarmo, o que é que fazes
Quando é alguém que te enraba?

***********
Se no moço dói o pau,
e em ti dói o buraco,
não sou advinho, Névolo,
mas o que fazes, eu saco.

**********
Sertório começa tudo
e nada acaba, em verdade:
penso até que quando mete,
ele pára na metade.

(Traduções de José Dejalma Dezotti)

domingo, abril 29, 2007

Catulo, 69

Não fiques, Rufo, espantado
se não há nenhuma trouxa
que queira sob teu corpo
colocar a tenra coxa,

mesmo quando em tua lábia
ofereces de presente
tentações de um manto raro,
ou de pedras reluzentes.

É que corre por aí
um boato que te fode:
dizem que nos teus sovacos
habita um terrível bode.

E dele todas têm medo.
Não pasmes; é de amargar
a fera e nenhuma bela
com ela quer se se deitar.

Por isso ou põe fim à peste
para os narizes maldita,
ou pára de ficar pasmo
se a mulherada te evita.

(Tradução de José Dejalma Dezotti)