quarta-feira, outubro 31, 2018

Persas, vv. 230-242


A derrota de Xerxes pelos atenienses parece certa. Enquanto isso, em Susa, capital do Império, a rainha, apreensiva, quer saber sobre que tipo de povo teria aniquilado as ambições despóticas de seu filho. É a liberdade política de Atenass a causa da queda do grande exército persa. 

Rainha
[...]Isto é o que eu quero saber,
amigos: em que terra fica Atenas?

Corifeu
 Longe, no poente, onde recosta-se o Sol soberano.

Rainha
E ainda assim meu filho deseja destruir essa cidade?

Corifeu
 Sim. Toda a Hélade se tornaria súdita do rei.

Rainha
Eles têm, então, um exército cheio de guerreiros?

Corifeu
Um exército tal que fez aos Persas muitos males.

Rainha
O que mais além disso? Bastante riqueza no lar?

Corifeu
 Têm fonte de prata, tesouro da terra.

Rainha
A seta que retesa o arco é notável em suas mãos?

Corifeu
Não! Portam lanças no corpo a corpo, escudo e armadura.

Rainha
Mas quem apascenta o povo? Quem é o senhor das tropas?

Corifeu:
Eles não se consideram escravos nem súditos de ninguém!

[Trad. Rafael Brunhara]

terça-feira, julho 03, 2018

Ogura Hyakunin Isshu - 34 (Fujiwara no Okikaze)


誰をかも
知る人にせむ
高砂の
松もむかしの
友ならなくに

Tare o ka mo
Shiru hito ni se
Takasago no
Matsu mo mukashi no
Tomo nara naku ni
*
Daqueles que amei,
quem restou? Em Takasago
o Antigo Pinheiro
tem minha idade. Mas - ai! -
nem somos velhos amigos.

[Trad. Rafael Brunhara]

(Agora que estou velho e perdendo meus amigos) Quem vou escolher pra ser minha companhia? Não posso tornar o Pinheiro de Takasago (não vai morrer antes de mim), um amigo de longa data. [Tradução em prosa de Carlos H.Fujinaga]

domingo, julho 01, 2018

Petrarca - Cancioneiro - VII

A gula e o sono, o ócio e o prazer,
têm deste mundo a virtude banido,
daí que segue um curso já perdido
o natural costume deste nosso ser:

tão morta está a luz toda do saber
vindo do céu dar à vida um sentido,
que se admira como algo merecido
fazer do Hélicon um rio nascer.

Quem sonha com o louro? Ou o mirto?
- mísera e nua, vai, filosofia; -
diz essa turba ao ganho imundo presa.

Poucos terás contigo nessa outra via:
muito te rogo então, gentil espír'to,
não deixa tua magnânima empresa.

[Trad. José Clemente Pozenato]

sábado, abril 07, 2018

Goethe, "Heidenröslein" - 4 traduções

Heidenröslein - Goethe

Sah ein Knab ein Röslein stehn,
Röslein auf der Heiden,
War so jung und morgenschön,
Lief er schnell, es nah zu sehn,
Sah’s mit vielen Freuden.
Röslein, Röslein, Röslein rot,
Röslein auf der Heiden.
.
Knabe sprach: „Ich breche dich,
Röslein af der Heiden!“
Röslein sprach: „Ich steche dich,
Dass du ewig denkst an mich,
und ich wills nicht leiden.“
Röslein, Röslein, Röslein rot,
Röslein auf der Heiden.
.
Und der wilde Knabe brache
‚s Röslein auf der Heiden;
Röslein wehrte sich und stach,
Half ihm doch kein Weh und Ach,
Musst es eben leiden!
Röslein, Röslein, Röslein rot,
Röslein auf der Heiden.

A Rosinha do Campo (Tradução de Frei Pedro Sinzig)

O rapaz viu florescer
No campo a rosinha,
Nova e galante a valer;
Correu, p'ra de perto a ver;
Viu-a tão lindinha.
Rosa, minha flor gentil!
Rosa mimosinha!

Disse-lhe: "Vou te apanhar,
Ó fragrante rosa!"
Ela disse: "Eu sei picar,
Que em mim sempre hás de pensar,
Na flor espinhosa!"
Rosa, minha flor gentil!
Rosa mimosinha!

E o selvagem a arrancou,
A débil rosinha!
Destemida ele o picou,
Mas, mais forte, ele a levou,
A pobre florzinha!
Rosa, minha flor gentil!
Rosa mimosinha!

Rosinha do Silvado (Tradução de Paulo Quintela)
 .
Viu um rapaz uma rosa,
Rosinha do silvado,
Tão fresquinha, tão formosa,
Que em carreira pressurosa
Salta a vê-la, extasiado,
Linda, linda rosa corada,
Rosinha do silvado.
.
Vai ele diz: “Vou-te cortar,
Rosinha do silvado!”
Diz ela: “E eu vou-te picar,
Que de mim te hás-de lembrar,
Se me cortares, malcriado!”
Linda, linda rosa corada,
Rosinha do silvado.
.
E o maroto cortou
A rosinha do silvado;
Defendeu-se ela, e picou;
Bem se carpiu e gritou…
Sempre a colheu, o malvado!
Linda, linda rosa corada,
Rosinha do silvado.

A Rosinha sobre a terra (Tradução de Raphael Soares)

Um menino viu uma rosa,
Sobre a terra a rosinha,
Como a manhã era amorosa,
A criança correu ansiosa,
Inquieto à rosa vinha.
Rosa, rosa, rosa rubra,
Sobre a terra a rosinha.

Ele disse: “vou colher-te!”
Sobre a terra a rosinha.
Ela disse: “vou morder-te,
Que a mordida sempre alerte
Que eu não quero dor mesquinha.”
Rosa, rosa, rosa rubra,
Sobre a terra a rosinha.

Mas a criança cruel pegou
Sobre a terra a rosinha;
Ela reagiu, mas fraquejou,
Sem sorte, seu fim chegou,
Deixa cumprir-se a sina.
Rosa, rosa, rosa rubra,
Sobre a terra a rosinha.

A Rosa (Tradução de Wagner Schadeck)

Um menino viu ali a
Rosalina do sertão,
Bela e fresca como o dia.
E correndo com alegria,
ele quis tê-la na mão.
Rosa, Rosa, Rosa rubra,
Rosalina do sertão.
Disse ele: “Eu vou te cortar,
Rosalina do sertão.”
Disse ela: “E eu vou te espinhar,
Não quero te ver chorar,
Doída é a recordação.”
Rosa, Rosa, Rosa rubra,
Rosalina do sertão.

Mas o menino cortou
Rosalina do Sertão.
Rosalina o espinhou,
Não lhe adiantou “ai” nem “ou”,
Doída é a recordação.
Rosa, Rosa, Rosa rubra,
Rosalina do sertão.