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domingo, novembro 08, 2015

"Homero" - Murilo Mendes

Homero rapta Helena corporal, arma e desarma guerreiros, incendeia Tróia;

Fatigado, sangrando-lhe a armadura projetada pelo primeiro De Chirico, seguido por algumas Metáforas fiéis.

Recolhe-se, com guerra dentro, a um castelo de textos órfão de Helena; serpente e sibila interrogam-no.

Desprovido de Helena corporal, perde a vista.

O poema entretanto continua a caminhar às apalpadelas de seu corpo macho, auto-pai sem os braços de Helena total.

Antiqüíssimo, já nem se recorda das suas primeiras letras. E clássico, barroco, romântico, surrealista, atômico.

A aurora dedirrósea, Helena nº2, abole o seu inventor;

O crítico Poleimos contesta-lhe a téssera da identidade;

O vento analfabeto atira-lhe pedras.


quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Uma Mulher

Ela estava no círculo familiar como as outras,
Folheando um livro de gravuras:
A noite nos cercava com seus abismos azuis
E a idéia de quase uma floresta próxima.

Alguém acendeu um candeeiro de petróleo,
As pessoas presentes recuaram no tempo.
Ela se levantou para abrir uma vidraça,
E muito branca, toda vestida de preto,
Seus movimentos ao mesmo tempo lentos e velozes,
Fizeram nascer
Fizeram nascer um começo de dançarina ou de gaivota,
Hélices mexendo, mãos a correr no teclado.
Quando sentou-se era outra vez a mulher.

Murilo Mendes