9 W
Da nuvem vem a fúria da neve e do granizo
e o trovão nasce do raio fulgurante;
por causa de homens poderosos a cidade perece
e o povo em sua ignorância cai na escravidão de um só governante.
Quando um homem se elevou muito, não é fácil contê-lo depois;
mas agora é preciso considerar tudo isso.
10 W
Breve tempo mostrará aos cidadãos a minha loucura,
mostrará, quando a verdade vier a público.
12 W
Pelos ventos o mar é perturbado; se nenhum (vento) o agita
é a mais justa de todas as coisas.
14 W
Não, homem algum é feliz: miseráveis
são todos os mortais que o sol contempla.
16 W
É muito difícil conhecer a medida oculta da sabedoria,
ela, a única que tem o fim de todas as coisas.
17 W
De todos os lados, a mente dos imortais é oculta aos homens.
22a W
Dize por mim a Crítias de ruivos cabelos que ouça o seu pai,
pois não obedecerá um guia de mente errada.
23 W
Feliz quem possui filhos queridos, cavalos de casco não partido,
cães de caça e um hóspede estrangeiro.
25 W
Até a amável flor da juventude amarás um rapaz,
desejando suas coxas e sua doce boca.
Tradução: Gilda N.M. de Barros
Mostrando postagens com marcador Gilda Naécia Maciel Barros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gilda Naécia Maciel Barros. Mostrar todas as postagens
terça-feira, janeiro 26, 2010
segunda-feira, agosto 25, 2008
Sólon - Eunomia
Nossa cidade, por disposição de Zeus, não perecerá jamais,
nem por vontade dos abençoados deuses imortais;
magnânima, vigilante filha de um pai poderoso,
Palas Atena tem mão sobre ela.
Eles próprios, com suas loucuras, querem destruir a grande cidade -
os cidadãos, persudidos por riquezas,
e também a mente injusta dos chefes do povo; para eles,
por sua grande desmedidaa, estão preparados muitos sofrimentos,
pois não sabem conter a insolência
nem moderar na paz do banquete as alegrias do momento.
.....................................................
Mas enriquecem persuadidos por ações injustas
.....................................................
Não poupando os bens sagrados nem os públicos
eles roubam por rapinagem, um aqui outro acolá...
E não preservam os veneráveis alicerces da Justiça que,
em silêncio, conhece o presente e o passado
e com o tempo sempre vem para punir.
Essa ferida inevitável já alcança a cidade inteira
que depressa chegou à dolorosa servidão:
esta desperta a revolta civil e a guerra adormecida,
que de muitos destrói a amável juventude;
por obra de inimigos, depressa a amorável cidade
se consome em reuniões de que os injustos são amigos.
São esses os males que grassam entre o povo; dos pobres,
muitos chegam à terra estranha, vendidos
e agrilhoados com inadequados grilhões.
.......................................................
Assim, o Mal Público chega para cada um em sua casa
e já os portões do pátio não podem detê-lo,
mas de um salto ultrapassa o muro elevado e sempre encontra,
mesmo aquele que, fugindo, estiver no recôndito do quarto.
Eis o que meu coração ordena ensinar aos Atenienses:
a Disnomia tras males inúmeros à cidade
mas Eunomia faz aparecer tudo em boa ordem
e bem ajustado e muitas vezes coloca peias nos homens injustos.
Aplaina o abrupto, põe fim à insolência, abranda a violência,
murcha as flores da desgraça em seu desabrochar...
Endireita as sentenças torcidas, enfraquece as obras do orgulho,
põe fim às obras da sedição,
põe fim à ira da penosa discórdia; com ela
tudo entre os homens é justeza e prudência.
Tradução: Gilda N.M.Barros
nem por vontade dos abençoados deuses imortais;
magnânima, vigilante filha de um pai poderoso,
Palas Atena tem mão sobre ela.
Eles próprios, com suas loucuras, querem destruir a grande cidade -
os cidadãos, persudidos por riquezas,
e também a mente injusta dos chefes do povo; para eles,
por sua grande desmedidaa, estão preparados muitos sofrimentos,
pois não sabem conter a insolência
nem moderar na paz do banquete as alegrias do momento.
.....................................................
Mas enriquecem persuadidos por ações injustas
.....................................................
Não poupando os bens sagrados nem os públicos
eles roubam por rapinagem, um aqui outro acolá...
E não preservam os veneráveis alicerces da Justiça que,
em silêncio, conhece o presente e o passado
e com o tempo sempre vem para punir.
Essa ferida inevitável já alcança a cidade inteira
que depressa chegou à dolorosa servidão:
esta desperta a revolta civil e a guerra adormecida,
que de muitos destrói a amável juventude;
por obra de inimigos, depressa a amorável cidade
se consome em reuniões de que os injustos são amigos.
São esses os males que grassam entre o povo; dos pobres,
muitos chegam à terra estranha, vendidos
e agrilhoados com inadequados grilhões.
.......................................................
Assim, o Mal Público chega para cada um em sua casa
e já os portões do pátio não podem detê-lo,
mas de um salto ultrapassa o muro elevado e sempre encontra,
mesmo aquele que, fugindo, estiver no recôndito do quarto.
Eis o que meu coração ordena ensinar aos Atenienses:
a Disnomia tras males inúmeros à cidade
mas Eunomia faz aparecer tudo em boa ordem
e bem ajustado e muitas vezes coloca peias nos homens injustos.
Aplaina o abrupto, põe fim à insolência, abranda a violência,
murcha as flores da desgraça em seu desabrochar...
Endireita as sentenças torcidas, enfraquece as obras do orgulho,
põe fim às obras da sedição,
põe fim à ira da penosa discórdia; com ela
tudo entre os homens é justeza e prudência.
Tradução: Gilda N.M.Barros
Marcadores:
Gilda Naécia Maciel Barros,
lírica grega,
literatura grega,
Sólon
quinta-feira, julho 31, 2008
Mimnermo e Sólon
MIMNERMO
Que sem doenças e árduos sofrimentos
aos sessenta anos me venha a hora fatal da morte.
SÓLON
Mas se ainda agora me ouvisses, destrói esse verso
e não tenhas inveja porque pensei melhor do que tu:
muda o teu poema, ó doce cantor, e canta assim:
"aos oitenta anos me venha a hora fatal da morte"
............................................
Que a morte não me chegue sem lágrimas, mas aos amigos
possa deixar, quando morrer, dores e gemidos.
...........................................
Envelheço mas aprendendo sempre muitas coisas.
Tradução de Sólon: Gilda N.M. de Barros
Que sem doenças e árduos sofrimentos
aos sessenta anos me venha a hora fatal da morte.
SÓLON
Mas se ainda agora me ouvisses, destrói esse verso
e não tenhas inveja porque pensei melhor do que tu:
muda o teu poema, ó doce cantor, e canta assim:
"aos oitenta anos me venha a hora fatal da morte"
............................................
Que a morte não me chegue sem lágrimas, mas aos amigos
possa deixar, quando morrer, dores e gemidos.
...........................................
Envelheço mas aprendendo sempre muitas coisas.
Tradução de Sólon: Gilda N.M. de Barros
Sólon - Salamina
Em pessoa, um arauto, vim da amável Salamina,
apresentando em lugar do discurso uma canção, o adorno de meus versos.
................................................
Fosse eu, então, cidadão de Folegrando ou de Sicina,
e não um ateniense, a pátria mudando;
................................................
logo este rumor correria entre os homens:
"Este é um homem da Ática, um dos desertores de Salamina".
...............................................
Vamos a Salamina, combater pela ilha encantadora,
afastando essa vergonha difícil de suportar.
Tradução: Gilda N.M. de Barros in: Sólon de Atenas, a cidadania antiga. SP: Humanitas, 1999.
apresentando em lugar do discurso uma canção, o adorno de meus versos.
................................................
Fosse eu, então, cidadão de Folegrando ou de Sicina,
e não um ateniense, a pátria mudando;
................................................
logo este rumor correria entre os homens:
"Este é um homem da Ática, um dos desertores de Salamina".
...............................................
Vamos a Salamina, combater pela ilha encantadora,
afastando essa vergonha difícil de suportar.
Tradução: Gilda N.M. de Barros in: Sólon de Atenas, a cidadania antiga. SP: Humanitas, 1999.
quarta-feira, julho 30, 2008
Sólon
Gloriosas filhas da Memória e de Zeus Olímpico,
Musas da Piéria, ouvi a minha súplica:
dai-me a prosperidade vinda dos deuses abençoados e, vinda de todos os
homens, tenha eu sempre boa fama;
seja doce com meus amigos, amargo com meus inimigos,
para uns venerável, para outros terrível de se ver;
Riquezas desejo ter; adquirí-las injustamente
eu não quero; em todo caso depois vem a justiça.
A riqueza que os deuses dão acompanha o homem,
sólida desde a base mais profunda até o cimo;
aquela que os homens buscam com violência não vem em boa ordem;
obedecendo a ações injustas
segue sem querer, e , rapidamente, se lhe junta a desgraça;
o começo é de pouco, como o do fogo,
fraco a princípio, penoso no fim.
De fato, para os mortais as obras da violência não duram muito tempo.
Mas Zeus vigia o fim de todas as coisas e de súbito -
como um vento que repentino dispersa as nuvens,
primaveril, e, após agitar os abismos do mar estéril de muitas vagas
e devastar as belas culturas sobre a terra fértil em trigo,
chega à inacessível morada dos deuses,
o firmamento, de novo deixa ver um céu sereno,
brilha o sol em sua força sobre a terra fecunda,
esplêndido e nuvem alguma já não se pode ver -
tal a vingança de Zeus: ele não se irrita por qualquer motivo
como um homem mortal;
mas não, jamais lhe escapa esse que tem o coração faltoso,
sempre no fim se revela:
um paga logo, outro mais tarde; uns fogem pessoalmente -
que a Moira divina não sobrevenha e os alcance -
ela vem sempre de novo; os sem culpa pagam os atos,
ou os filhos dele, ou a geração posterior.
Nós mortais assim entendemos - o nobre e o homem comum -
cada qual tem por algum tempo sua própria opinião,
antes de padecer; aí então se lamenta; até esse momento,
boquiaberto, nos alegramos com esperanças vazias.
O homem esmagado por dolorosas enfermidades,
em como ficar são, é disso que cogita;
outro, covarde, pensa que é homem valente e belo,
mesmo sem ter semblante gracioso;
se alguém não é rico e as obras da indigência o oprimem,
pensa que de qualquer forma vai adquirir muitas riquezas.
Um labuta aqui, outro acolá. Um, pelo mar cheio de peixes vagueia
em seus navios querendo levar um lucro para casa,
arrastado por ventos impetuosos
sem nenhuma poupança de vida;
outro - esses que se importam com os arados recurvos - cortando
a terra de muitas árvores, serve o ano inteiro;
outro, conhecedor dos trabalhos de Atena e de Hefesto de muitas artes,
recolhe com as mãos os meios de vida;
outro, nos dons das Musas instruído,
é hábil na ciência encantadora,
e um outro, o soberano Apolo que fere à distância dele fez um adivinho:
conhece o mal que de longe vem para o homem
e os deuses o assistem; mas o que está traçado, em todo o caso,
nem vôos de aves nem sacrifícios poderão evitar;
outros, médicos, têm a tarefa de Peã conhecedor de muitos remédios,
mas também eles não são donos do fim;
muitas vezes de pouca dor nasce um grande sofrimento
e ninguém poderia livrar o doente aplicando-lhe calmantes;
mas um outro, gravemente atormentado por moléstias dolorosas,
basta tocá-lo com a mão e está curado.
Moira é que aos mortais traz o bem e o mal,
dádivas inevitáveis que vêm dos deuses imortais.
Sobre todas as ações paira o perigo e ninguém sabe aonde vai ter,
quando a tarefa começa;
quem tenta agir bem, sem prever
cai em grande e penosa desgraça,
mas ao que age mal a divindade dá em tudo bom êxito,
a libertação da loucura.
Da riqueza não há nenhum limite seguro para os homens;
uns de nós que agora tem vida farta
duplamente labutam. Quem a todos poderia saciar?
Os lucros, os imortais é que os oferecem aos mortais,
mas deles brota a desgraça; e quando Zeus
a envia para punir, ora um ora outro recebe.
Tradução: Gilda N.M. de Barros in: Sólon de Atenas,a Cidadania Antiga. SP: Humanitas, 1999.:
Musas da Piéria, ouvi a minha súplica:
dai-me a prosperidade vinda dos deuses abençoados e, vinda de todos os
homens, tenha eu sempre boa fama;
seja doce com meus amigos, amargo com meus inimigos,
para uns venerável, para outros terrível de se ver;
Riquezas desejo ter; adquirí-las injustamente
eu não quero; em todo caso depois vem a justiça.
A riqueza que os deuses dão acompanha o homem,
sólida desde a base mais profunda até o cimo;
aquela que os homens buscam com violência não vem em boa ordem;
obedecendo a ações injustas
segue sem querer, e , rapidamente, se lhe junta a desgraça;
o começo é de pouco, como o do fogo,
fraco a princípio, penoso no fim.
De fato, para os mortais as obras da violência não duram muito tempo.
Mas Zeus vigia o fim de todas as coisas e de súbito -
como um vento que repentino dispersa as nuvens,
primaveril, e, após agitar os abismos do mar estéril de muitas vagas
e devastar as belas culturas sobre a terra fértil em trigo,
chega à inacessível morada dos deuses,
o firmamento, de novo deixa ver um céu sereno,
brilha o sol em sua força sobre a terra fecunda,
esplêndido e nuvem alguma já não se pode ver -
tal a vingança de Zeus: ele não se irrita por qualquer motivo
como um homem mortal;
mas não, jamais lhe escapa esse que tem o coração faltoso,
sempre no fim se revela:
um paga logo, outro mais tarde; uns fogem pessoalmente -
que a Moira divina não sobrevenha e os alcance -
ela vem sempre de novo; os sem culpa pagam os atos,
ou os filhos dele, ou a geração posterior.
Nós mortais assim entendemos - o nobre e o homem comum -
cada qual tem por algum tempo sua própria opinião,
antes de padecer; aí então se lamenta; até esse momento,
boquiaberto, nos alegramos com esperanças vazias.
O homem esmagado por dolorosas enfermidades,
em como ficar são, é disso que cogita;
outro, covarde, pensa que é homem valente e belo,
mesmo sem ter semblante gracioso;
se alguém não é rico e as obras da indigência o oprimem,
pensa que de qualquer forma vai adquirir muitas riquezas.
Um labuta aqui, outro acolá. Um, pelo mar cheio de peixes vagueia
em seus navios querendo levar um lucro para casa,
arrastado por ventos impetuosos
sem nenhuma poupança de vida;
outro - esses que se importam com os arados recurvos - cortando
a terra de muitas árvores, serve o ano inteiro;
outro, conhecedor dos trabalhos de Atena e de Hefesto de muitas artes,
recolhe com as mãos os meios de vida;
outro, nos dons das Musas instruído,
é hábil na ciência encantadora,
e um outro, o soberano Apolo que fere à distância dele fez um adivinho:
conhece o mal que de longe vem para o homem
e os deuses o assistem; mas o que está traçado, em todo o caso,
nem vôos de aves nem sacrifícios poderão evitar;
outros, médicos, têm a tarefa de Peã conhecedor de muitos remédios,
mas também eles não são donos do fim;
muitas vezes de pouca dor nasce um grande sofrimento
e ninguém poderia livrar o doente aplicando-lhe calmantes;
mas um outro, gravemente atormentado por moléstias dolorosas,
basta tocá-lo com a mão e está curado.
Moira é que aos mortais traz o bem e o mal,
dádivas inevitáveis que vêm dos deuses imortais.
Sobre todas as ações paira o perigo e ninguém sabe aonde vai ter,
quando a tarefa começa;
quem tenta agir bem, sem prever
cai em grande e penosa desgraça,
mas ao que age mal a divindade dá em tudo bom êxito,
a libertação da loucura.
Da riqueza não há nenhum limite seguro para os homens;
uns de nós que agora tem vida farta
duplamente labutam. Quem a todos poderia saciar?
Os lucros, os imortais é que os oferecem aos mortais,
mas deles brota a desgraça; e quando Zeus
a envia para punir, ora um ora outro recebe.
Tradução: Gilda N.M. de Barros in: Sólon de Atenas,a Cidadania Antiga. SP: Humanitas, 1999.:
Assinar:
Postagens (Atom)