quinta-feira, outubro 30, 2008

Píndaro - "O Sonho de uma Sombra" (8º pítica, excerto)

A sorte dos mortais
cresce num só momento
e um só momento basta
para a lançar por terra,
quando o cruel destino
a venha sacudir.

Efêmeros! que somos?
que não somos? O homem
é o sonho de uma sombra.
Mas quando os deuses lançam
sobre ele a sua luz,
claro esplendor o envolve
e doce é então a vida.

Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos

Tradução integral da 8ºpítica por Trajano Vieira

Píndaro - "Vim para celebrar"

Vim para celebrar os filhos
de pais sublimes e de mães tebanas,
quando, ao abrir-se a câmara das Horas
dos véus de púrpura,
a primavera perfumada nos concede
toda uma floração tão doce como o néctar.
Pela terra imortal brotam então
os meigos tufos das violetas,
e de rosas enfeitam-se os cabelos,
enquanto a voz das frautas se une à das canções
e os coros se erguem para Sêmele
de fronte ornada por um diadema.

Tradução: Péricles E.S. Ramos

Píndaro - "Elísio"

Enquanto aqui é noite,
o sol fulgura vigoroso para eles
no mundo subterrâneo;
e diante da cidade,
pelos campos de rosas carmesins,o incenso
derrama a sua sombra,
e os ramos vergam-se com frutos de ouro.
Uns se divertem com cavalos ou lutando,
enquanto jogam outros, ou a lira tocam,
e entre eles a felicidade é como a árvore
que já cresceu de todo e se acha em flor.
Por essa terra amável
um doce aroma sem cessar se espalha:
nos altares dos deuses eles mesclam
arômatos de toda espécie
ao fogo que de longe brilha.

Denso negror expelem no outro lado
os lentos rios da sombria noite.


Tradução: Péricles E.S. Ramos

Simônides - "Sem os Deuses"

Ninguém prospera sem os deuses,
nem homem nem cidade.
Aquele que conhece tudo é um deus,
nem há o que conseguir,
em meio aos homens, sem trabalho.

Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos

Simônides - "Instabilidade" (541 PMG)

Homem mortal,
não queiras predizer
o que o Amanhã trará
nem, vendo alguém feliz,
o tempo em que há de assim continuar.
É rápida a mudança:
tão rápido não é o vôo instável
da libélula de asas céleres.

Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos

Outra tradução: Maria Helena da Rocha Pereira

quinta-feira, outubro 23, 2008

Píndaro - "De Uma Só Raça"

De uma só raça, apenas uma,
nós somos, deuses e homens:
de uma só mãe tiramos nosso alento.
Separa-nos, porém,
o desigual poder: o homem é nada,
mas para os deuses
morada para sempre inabalável
é o céu de brônzeo piso.

Pela forma corpórea, ou no vigor do espírito,
somos no entanto como os imortais,
embora não saibamos onde,
no meio de que dias ou que noites,
o Destino escreveu que deveremos
findar nossa carreira.

Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos

Simônides de Céos: "Pequena é a força do homem"

Pequena é a força do homem, vãos os seus cuidados;
para ele, em vida curta, só existe
fadiga após fadiga.
Faça o que faça, pende sobre ele
a morte inevitável,
que devem partilhar, da mesma forma,
os bons e os maus.

tradução de Péricles E.S.Ramos

Aos que morreram nas Termópilas

Dos que morreram nas Termópilas
ilustre foi a sina, bela a morte;
seu jazigo é um altar
onde as lembranças são as libações
e os louvores o vinho derramado.
Sobre esta pedra não terá poder o musgo
nem mesmo o tempo que domina tudo:
na tumba dos heróis habita agora
o resplendor da Grécia.

Atesta-o Leônidas, o Rei de Esparta,
do qual bravura e glória
eternamente brilham.

Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos

Outra tradução: Antônio Medina Rodrigues

domingo, outubro 12, 2008

Baquílides - "O mergulho de Teseu"

Soprando a ré o Vento Norte, o barco
andou veloz; quando saltou o herói,
assustaram-se os jovens atenienses
e dos olhos de lírio

verteram lágrimas ao meditar
nos tristes fatos que por força ocorrem.
Mas o povo marinho dos delfins
levou Teseu, de pressa,

para a morada de seu pai, o deus
a que são consagrados os cavalos;
lá chegando, ele viu, amedrontado,
as filhas de Nereu,

cujos membros esplêndidos radiavam
como um clarão de fogo; nos cabelos
mostravam fitas de ouro, e compraziam-nas
ágeis pés a dançar.

Viu também Anfitrite de olhos grandes,
a majestosa esposa de seu pai,
naquela doce casa: e ela vestiu-o
de linho cor de púrpura,

e nos cabelos densos pôs-lhe a bela
coroa que ao casar-se recebera
da enganadora deusa, de Afrodite
que as roupas engrinaldam.

Nada que os deuses possam consumar
excede a crença do homem de bom juízo:
Teseu surgiu ao lado do navio
de delicada popa.

Como ficou perplexo o chefe cnósio,
vendo-o emergir enxuto dos abismos,
maravilhando todos a ostentar
as dádivas divinas!

Bradaram de alegria nova as Moças
de trono refulgente, e o mar clamou
quando os jovens com doce voz entoaram
um peã de gratidão.

Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos

Baquílides - "Ninguém pode manchar o céu"

Ninguém pode manchar o céu profundo,
a água do mar não se corrompe,
o ouro não sofre nódoas;
mas não se pode recobrar
a juventude em flor
quando se atinge a branca idade.
O esplendor da virtude, todavia,
não segue em decadência o corpo,
já que a aprecia a Musa. Tu, Hierão,
ostentaste de público as mais belas flores,
e não será o silêncio que honrará
qualquer que haja alcançado êxito:
existirá portanto a história verdadeira
do que se fez bem feito,
e com essa história os homens honrarão a graça
do rouxinol de Ceos, de canto igual ao mel.

Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos

Baquílides - "Agora como sempre"

Agora, como sempre,
com outro é que se obtém perícia:
pois não é fácil alcançar
a porta das palavras nunca ditas.

Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos

segunda-feira, outubro 06, 2008

Píndaro - III Pítica (excerto)

Melhor é desejar do céu
coisas que assentem a um espiríto mortal,
sabendo o que se encontra a nossos pés,
e qual a sorte para que nascemos.

Ó minh'alma, não aspires
a uma existência de imortal,
mas goza plenamente
tudo o que esteja ao teu alcance.

Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos

sábado, outubro 04, 2008

Propércio 2. 27

At vos incertam, mortales, funeris horam
quaeritis, et qua sit mors aditura via;
quaeritis et caelo Phoenicum inventa sereno,
quae sit stella homini commoda quaeque mala!
seu pedibus Parthos sequimur seu classe Britannos,
et maris et terrae caeca pericla viae;
rursus et obiectum flemus caput esse tumultu
cum Mavors dubias miscet utrimque manus;

praeterea domibus flammam domibusque ruinas,
neu subeant labris pocula nigra tuis.
solus amans novit, quando periturus et a qua
morte, neque hic Boreae flabra neque arma timet.
iam licet et Stygia sedeat sub harundine remex,
cernat et infernae tristia vela ratis:
si modo clamantis revocaverit aura puellae,
concessum nulla lege redibit iter.


Da morte vós quereis saber a hora incerta,
e a senda pela qual ela virá;
buscais num céu tranqüilo, a exemplo dos fenícios,
estrelas favoráveis ou funestas;
persigamos bretões, ou persigamos partas,
cegos perigos rondam mar ou terra;
choramos o arriscar a vida nos combates,
pois Marte mescla tropas dubiamente,
e choramos a casa que arde ou se esboroa,
ou se um veneno toca os nossos lábios.

Mas sabe o amante como e quando morrerá,
nem teme o vento norte nem as armas;
e ainda que já reme entre os juncais da Estige,
vendo a barca infernal de tristes velas,

pela senda proibida ele retornará,
se na brisa o chamar a voz da amada.

Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Simônides de Céos: fragmentos.

1."Orfeu"

Com a doce música,
sobre sua cabeça
faziam ninho
os pássaros inumeráveis,
e da água azul saltavam peixes.

2. "Do epinício para Anaxilas de Régio"

Saúdo-vos, ó filhas dos corcéis
dos pés de tempestade.

3."Epitáfio"

Aqui poeira cobre Arquédice,
filha de Hípias,
o grego mais ilustre de seu tempo;
filha, mulher, irmã e mãe de déspotas,
jamais contudo ela abrigou no espírito
a presunção.

4."Sobre a batalha de Maratona"

Filha de Zeus,
se justo é honrar
aquele que é o melhor de todos,
quem praticou esta façanha
foi o povo de Atenas.

5."Os que salvaram Tégea"

Por causa da coragem destes homens
a fumaça do incêndio da ampla Tégea
não se elevou aos céus:
optaram eles por legar aos filhos
a terra a verdejar de liberdade,
e quanto a si, foram morrer
na frente de batalha.

6."Inscrição no altar de Platéia"

Este altar foi erguido pelos gregos
para que seja o altar do Zeus da liberdade
comum à livre Grécia,
depois de terem expulsado os persas,
em guerra vitoriosa.

Traduções de Péricles Eugênio da Silva Ramos

Baquílides. "A Paz".

Grandes coisas a paz concede aos homens:
riqueza e cantos como flores,
de expressões de mel.

A paz, sobre os altares trabalhados,
queima no louro fogo em honra aos deuses
coxas de bois e de carneiros
de longos pêlos,
e leva os jovens ao ginásio,
às flautas e aos banquetes.
No férreo punho dos escudos
a aranha cor de fogo estende a teia,
e a lança aguda e a espada de dois fios
submete-as a ferrugem.
As trombetas de bronze já não soam;
já não foge de pálpebras o sono
- tão doce como o mel -
que de manhã conforta o coração.

Pela cidade espalham-se os festins amáveis:
e brilham como chamas
as canções de amor.

Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos