sábado, dezembro 12, 2015

Brasileidas, vv. 1- 50 - Poema Épico de Carlos Alberto Nunes

Musa, canta-me a régia poranduba
das bandeiras, os feitos sublimados
dos heróis que o Brasil plasmar souberam
través do Pindorama, demarcando
nos sertões a conquista e as esperanças.
Dá que em versos eu fixe os fundamentos
históricos e míticos da pátria
brasileira, deixando-os perpetuados
na memória de todos os teus filhos:
a luta dos Titãs, os novos deuses,
as Amazonas varonis e a raça
que o Gigante de pedra fêz do solo
surgir, robusta e bela, idéias novas
de grandeza forçando à eternidade.
Sobe, imaginação! Abre os arcanos
das lendas ameríndias, e dos Andes
me facilita os penetrais augustos.
Deixa ficar meu verso como o rio
das famosas guerreiras, quando as águas
aos tálamos da luz solene guia:
caudal e majestoso. Não menores
imagens me concede, altos remígios
aos feitos adequados, porque eu canto
do Brasil a excelência, na aristia
do férreo bandeirante celebrada.
Muito peregrinou Rapôso invicto,
por todo o Tapuirama, correntezas
em seu curso transpondo inumeráveis.
Longe os fortes paulistas arrebata,
léguas grandes à pátria incorporando.
Na direção do ocaso os lindes pátrios
afastou, sempre à frente de seus homens,
desde a Serra do Mar, desde a corrente
sagrada do Anhembi, por tôda a costa
que o grande abalador bramando açoita.
Já dos Andes retorna; já, nas águas
do grande mar de dentro, as Amazonas
belicosas procura, que tão grande
terror sabiam despertar em tôdas
as tribos aguerridas do mar doce.
Loucas! Pois intentaram revoltar-se
contra o poder dos Andes, como os nobres
Titãs, vindo por isso a ser entregues
aos deuses catactônios. Mas a glória
das Amazonas não baixou nas águas
que lhes tragou o império; em fascinantes
visões revive agora, inseparável
da do maior dos sertanistas pátrios,
e eternizada neste canto que há de
ser ouvido por todo o Pindorama.

Carlos Alberto Nunes. Os Brasileidas. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1962.

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