terça-feira, fevereiro 03, 2015

Antígona de Sófocles - 781 - 801 - Duas traduções

Guilherme de Almeida

Eros, invicto na batalha,
Eros, que à tua presa escravizas;
tu, que nas faces delicadas
da virgem estás à espreita
e vogas sobre o mar e pelas agrestes choupanas:
de ti nem o divino eterno se liberta
nem o efêmero humano; o que te possui desvaira.
Tu, que aos justos tornas injustos,
enlouqueces e levas à ruina;
tu, que também esta contenda
entre homens - pai e filho - armaste!
Mas triunfa fulgindo entre os cílios e úmido olhar da amável
noiva, como que sob o comando das fortes
leis. Sem lutar, brinca conosco a divina Afrodite.

Trajano Vieira

Há rusga em que Eros se frustre?
Eros, enreda-reses,
anoiteces à face flébil da núbil,
ocupas, transmarino,
o casebre campesino.
Imortal não há,
tampouco homem -- ser-de-um-dia --
imune ao teu desvario.

Incriminas quem tem discrímen,
quando enublas teu caminho.
Suscitas discordância consanguínea.
Mas hímeros -- querer que cintila
entre os cílios belos da virgem --
triunfa,
voz que avulta em concílios que legislam.
Não há quem resista a Afrodite,
deusa que brinca.

Fontes

VIEIRA, T. (org.) Três Tragédias Gregas. São Paulo: Perspectiva. 2003
VIEIRA, T. (trad.) Antígone de Sófocles. São Paulo: Perspectiva. 2009.

Alexander Pope (An Essay on Criticism, 1711)

(...) True ease in writing comes from art, not chance,
As those move easiest who have learn'd to dance.
'T is not enough no harshness gives offence,
The sound must seem an Echo to the sense.
Soft is the strain when Zephyr gently blows,
And the smooth stream in smoother number flows;
But when loud surges lash the sounding shore,
The hoarse, rough verse should like the torrent roar (...)

O escrever fácil só com arte é que se alcança,
Como melhor se move o que aprendeu a dança.
Não basta que o poema seja comedido:
Deve o som parecer um eco do sentido.
Maviosa é a música se branda expira a brisa,
E em métrica mais doce o doce rio desliza;
Mas se a vaga vergasta o litoral plangente,
O verso rude e rouco ruge qual torrente.

[Trad. Paulo Vizioli]

segunda-feira, janeiro 19, 2015

Hino Órfico 54: Sátiro Sileno, Bacas.

[Σιληνοῦ Σατύρου Βακχῶν], θυμίαμα μάνναν.


Κλῦθί μου, ὦ πολύσεμνε τροφεῦ, Βάκχοιο τιθηνέ,
Σιληνῶν ὄχ' ἄριστε, τετιμένε πᾶσι θεοῖσι
καὶ θνητοῖσι βροτοῖσιν ἐπὶ τριετηρίσιν ὥραις,
ἁγνοτελής, γεραρός, θιάσου νομίου τελετάρχα,
εὐαστής, φιλάγρυπνε σὺν εὐζώνοισι τιθήναις,
Ναΐσι καὶ Βάκχαις ἡγούμενε κισσοφόροισι·
δεῦρ' ἐπὶ πάνθειον τελετὴν Σατύροις ἅμα πᾶσι
θηροτύποις, εὔασμα διδοὺς Βακχείου ἄνακτος,
σὺν Βάκχαις Λήναια τελεσφόρα σεμνὰ προπέμπων,
ὄργια νυκτιφαῆ τελεταῖς ἁγίαις ἀναφαίνων,
εὐάζων, φιλόθυρσε, γαληνιόων θιάσοισιν.

ao Sátiro Sileno, Bacas. Fumigação: incenso

Ouve-me, multi-insigne mestre, nutridor de Baco,
dos Silenos de longe o melhor, honrado por todos os Deuses
e morituros mortais nas estações de festas trienais.
Sacerdote ancião, rei dos ritos no tíaso pastoral,
ama as vigílias e brada evoés com nutrizes de bela cintura,
o líder das Náiades e Bacas com guirlandas de Hera:
vem ao ritual de todos os deuses, traz todos os Sátiros,
de formas bestiais, brada o evoé do soberano Baco
em procissão com Bacas nas Leneias insignes e perfectivas,
revelando nos puros ritos a orgia noctiluzente,
amando o tirso e bradando evoés, encontrando a paz nos tíasos.

[Tradução: Rafael Brunhara]



Hino Órfico 53: Deus Anual

θυμίαμα πάντα πλὴν λιβάνου καὶ σπένδε γάλα.

Ἀμφιετῆ καλέω Βάκχον, χθόνιον Διόνυσον,
ἐγρόμενον κούραις ἅμα νύμφαις εὐπλοκάμοισιν
ὃς παρὰ Περσεφόνης ἱεροῖσι δόμοισιν ἰαύων
κοιμίζει τριετῆρα χρόνον, Βακχήιον ἁγνόν.
αὐτὸς δ' ἡνίκα τὸν τριετῆ πάλι κῶμον ἐγείρηι,
εἰς ὕμνον τρέπεται σὺν ἐυζώνοισι τιθήναις
εὐνάζων κινῶν τε χρόνους ἐνὶ κυκλάσιν ὥραις.
ἀλλά, μάκαρ, χλοόκαρπε, κερασφόρε, κάρπιμε Βάκχε,
βαῖν' ἐπὶ πάνθειον τελετὴν γανόωντι προσώπωι
εὐιέροις καρποῖσι τελεσσιγόνοισι βρυάζων.

Do Anual, Fumigação: Todas, exceto olíbano. Faça também uma libação de leite.

Anual Baco eu chamo, Dioniso ctônio
a despertar com donzelas ninfas de belas tranças.
Enquanto dorme no sacro palácio de Perséfone,
faz repousar por três anos o puro Baqueu.
Mas quando de novo desperta no terceiro ano o cortejo,
ele mesmo ao hino se volta, com suas nutrizes de bela cintura,
e adormece e agita as eras no giro das estações.
Eia, venturoso dos verdes frutos, cornígero Baco frutuoso,
Vem ao ritual de todos os Deuses, a face brilhando em alegria,
em sacratíssimos maduros frutos florescendo.

Tradução: Rafael Brunhara

quinta-feira, janeiro 15, 2015

Hino Órfico 52: DeusTrienal

<Τριετηρικοῦ>, θυμίαμα ἀρώματα.

Κικλήσκω σε, μάκαρ, πολυώνυμε, † μανικέ, Βακχεῦ,
ταυρόκερως, ληναῖε, πυρίσπορε, Νύσιε, λυσεῦ,
μηροτρεφής, λικνῖτα, † πυριπόλε καὶ τελετάρχα,
νυκτέρι', Εὐβουλεῦ, μιτρηφόρε, θυρσοτινάκτα,
ὄργιον ἄρρητον, τριφυές, κρύφιον Διὸς ἔρνος, [5]
πρωτόγον', Ἠρικεπαῖε, θεῶν πάτερ ἠδὲ καὶ υἱέ,
ὠμάδιε, σκηπτοῦχε, χοροιμανές, ἁγέτα κώμων,
βακχεύων ἁγίας τριετηρίδας ἀμφὶ γαληνάς,
ῥηξίχθων, πυριφεγγές, † ἐφάπτωρ, κοῦρε διμάτωρ,
οὐρεσιφοῖτα, κερώς, νεβριδοστόλε, ἀμφιέτηρε,[10]
Παιὰν χρυσεγχής, † ὑποκόλπιε, βοτρυόκοσμε,
Βάσσαρε, κισσοχαρής, † πολυπάρθενε καὶ διάκοσμε †
ἐλθέ, μάκαρ, μύσταισι βρύων κεχαρημένος αἰεί.

[Do Trienal], fumigação: ervas aromáticas

Invoco-te, venturoso de muitos nomes, louco Baqueu,
tauricorne Leneu, filho do fogo, Nísio Libertador
nutrido na coxa, Licnito que vaga nas chamas regendo os ritos,
noturno Eubuleu levando a mitra e brandindo o tirso,
Deus da orgia inefável, de três naturezas, rebento oculto de Zeus,
és o primogênito, o Deus Vernal [Ericepeu], o pai e o filho dos Deuses,
crudívoro rei cetrado, louco pelas danças, líder dos cortejos
entoando Baqueus à roda das sacras serenas cerimônias trienais,
irrompendo da terra fúlgido como fogo, tangedor de duas mães,
andarilho das montanhas, córneo em nébridas peles, todo o ano festejado,
Peã de áurea lança que ornado de uvas se esconde no seio materno,
Bassário que se compraz nas heras, harmonioso de muitas donzelas,
Vem, venturoso, sempre a florescer, alegre nos mistérios!

[Tradução: Rafael Brunhara]

domingo, dezembro 21, 2014

Píndaro, Ístmica 2


Para Xenócrates de Agrigento, vencedor na corrida de carros

Os homens do passado, Trasíbulo,
            que das Musas de laços de ouro
subiam a carruagem,
             ínclita lira com eles,
ágeis asseteavam com hinos dulcíssonos 
os meninos. Quem era belo tinha a mais doce flor
estival, a lembrança de Afrodite em trono.

Outrora a Musa não era gananciosa
ainda, por dinheiro não trabalhava:
não estavam à venda as doces 
              blandíloquas canções
de Terpsícore[1] voz-de-mel,
            para cobrir de prata a fronte.
Mas hoje nos ordena a defender Argivo
adágio,  (...) a um só passo da verdade:

“Dinheiro, o dinheiro faz o homem!” –
            Disse o que perdeu posses e amigos também.
Basta! Sois sábios. Não ignorais o que canto:
            Ístmica vitória com corcéis,
que concedeu Posídon a Xenócrates,
e enviou-lhe guirlanda de dórios
aipos para prender aos cabelos,

recompensa ao varão de bom carro,
            a luz para Agrigento!
Em Crisa viu-o estrênuo
Apolo, e infundiu-lhe o brilho
também ali; com ínclitas graças dos Erectidas[2] munido,
            na opima Atenas não recebeu censuras
o braço do ginete que guiou a carruagem,

Nicômaco, que as rédeas todas
            manejou competente:
até mesmo os arautos das estações, os Eléios
            portadores das tréguas[3] do Cronida
Zeus, o reconheceram, por provarem, alhures, de sua acolhida:
            saudaram-lhe com doce alento na voz,
quando ele se curvou a áurea Vitória,

em sua terra,
            que chamam de bosque sacro
de Zeus Olímpio. Lá os filhos de Enesídamo[4]
a honras imortais uniram-se.
De fato a tua casa não ignora,
Trasíbulo, amáveis cortejos,
nem canções de louvor doce mel,

pois não existem montes,
não existem estradas difíceis demais,
se para homens de boa fama
alguém leva os lauréis das Musas[5]
Lançado longe o disco, possa eu atirar meus dardos, tanto quanto
Xenócrates no doce ímpeto superava a todos!
Nas assembleias de cidadãos respeitado,

 acostumado ao trato de corcéis,
            tradição pan-helênica,
 todos os banquetes de Deuses
            abraçou! E jamais lufaram tantos ventos
que o fizeram colher as velas de sua mesa hóspede!
            Não, mas ele cruzava o Fásis no verão,
e no inverno vogava até as costas do Nilo!

Ora porque invejosas esperanças
pairam em torno do coração dos mortais,
que a virtude paterna o filho não emudeça,
nem estes hinos!  Não os lavrei
para serem imóveis.
Tudo isso comunica, Nicásipo,
a Trasíbulo, meu hóspede amigo querido.

[Tradução: Rafael Brunhara]

Αʹ Οἱ μὲν πάλαι, ὦ Θρασύβουλε,
φῶτες, οἳ χρυσαμπύκων
ἐς δίφρον Μοισᾶν ἔβαι-
νον κλυτᾷ φόρμιγγι συναντόμενοι,
ῥίμφα παιδείους ἐτόξευον μελιγάρυας ὕμνους,
ὅστις ἐὼν καλὸς εἶχεν Ἀφˈροδίτας
εὐθρόνου μνάστειραν ἁδίσταν ὀπώραν.(5)

ἁ Μοῖσα γὰρ οὐ φιλοκερδής
πω τότ' ἦν οὐδ' ἐργάτις·
οὐδ' ἐπέρναντο γˈλυκεῖ-
αι μελιφθόγγου ποτὶ Τερψιχόρας
ἀργυρωθεῖσαι πρόσωπα μαλθακόφωνοι ἀοιδαί.
νῦν δ' ἐφίητι <τὸ> τὠργείου φυλάξαι
ῥῆμ' ἀλαθείας <⏑–> ἄγχιστα βαῖνον, (10)


’χρήματα χρήματ' ἀνήρ’
ὃς φᾶ κτεάνων θ' ἅμα λειφθεὶς καὶ φίλων.
ἐσσὶ γὰρ ὦν σοφός· οὐκ ἄγˈνωτ' ἀείδω
Ἰσθμίαν ἵπποισι νίκαν,
τὰν Ξενοκˈράτει Ποσειδάων ὀπάσαις,
Δωρίων αὐτῷ στεφάνωμα κόμᾳ (15)
⸐πέμπεν ἀναδεῖσθαι σελίνων,


Βʹ εὐάρματον ἄνδρα γεραίρων,
Ἀκˈραγαντίνων φάος.
ἐν Κρίσᾳ δ' εὐρυσθενὴς
εἶδ' Ἀπόλλων νιν πόρε τ' ἀγˈλαΐαν
καὶ τόθι κˈλειναῖς <τ'> Ἐρεχθειδᾶν χαρίτεσσιν ἀραρώς
ταῖς λιπαραῖς ἐν Ἀθάναις, οὐκ ἐμέμφθη (20)
ῥυσίδιφˈρον χεῖρα πλαξίπποιο φωτός,

τὰν Νικόμαχος κατὰ καιρὸν
νεῖμ' ἁπάσαις ἁνίαις·
ὅν τε καὶ κάρυκες ὡ-
ρᾶν ἀνέγˈνον, σπονδοφόροι Κρονίδα
Ζηνὸς Ἀλεῖοι, παθόντες πού τι φιλόξενον ἔργον·
ἁδυπνόῳ τέ νιν ἀσπάζοντο φωνᾷ (25)
χρυσέας ἐν γούνασιν πίτˈνοντα Νίκας
γαῖαν ἀνὰ σφετέραν,


τὰν δὴ καλέοισιν Ὀλυμπίου Διός
ἄλσος· ἵν' ἀθανάτοις Αἰνησιδάμου
παῖδες ἐν τιμαῖς ἔμιχθεν.
καὶ γὰρ οὐκ ἀγνῶτες ὑμῖν ἐντὶ δόμοι (30)
⸐οὔτε κώμων, ὦ Θρασύβουλ', ἐρατῶν,
οὔτε μελικόμπων ἀοιδᾶν.

Γʹ οὐ γὰρ πάγος οὐδὲ προσάντης
ἁ κέλευθος γίνεται,
εἴ τις εὐδόξων ἐς ἀν-
δρῶν ἄγοι τιμὰς Ἑλικωνιάδων.
μακˈρὰ δισκήσαις ἀκοντίσσαιμι τοσοῦθ', ὅσον ὀργάν (35)
Ξεινοκράτης ὑπὲρ ἀνθρώπων γλυκεῖαν
⸏ἔσχεν. αἰδοῖος μὲν ἦν ἀστοῖς ὁμιλεῖν,
ἱπποτˈροφίας τε νομίζων
ἐν Πανελλάνων νόμῳ·
καὶ θεῶν δαῖτας προσέ-
πτυκτο πάσας· οὐδέ ποτε ξενίαν
οὖρος ἐμπνεύσαις ὑπέστειλ' ἱστίον ἀμφὶ τράπεζαν· (40)
ἀλλ' ἐπέρα ποτὶ μὲν Φᾶσιν θερείαις,
ἐν δὲ χειμῶνι πˈλέων Νείλου πρὸς ἀκτάν.
μή νυν, ὅτι φθονεραὶ


θνατῶν φρένας ἀμφικρέμανται ἐλπίδες,
μήτ' ἀρετάν ποτε σιγάτω πατρῴαν,
μηδὲ τούσδ' ὕμνους· ἐπεί τοι (45)
οὐκ ἐλινύσοντας αὐτοὺς ἐργασάμαν.
ταῦτα, Νικάσιππ', ἀπόνειμον, ὅταν
ξεῖνον ἐμὸν ἠθαῖον ἔλθῃς.


[1] Terpsícore é uma das nove Musas, associada à dança.
[2] Os descendentes de Erecteu, rei mítico de Atenas. Designa, portanto, os Atenienses.
[3] Os arautos de Élis, região que hospedava os jogos Olímpicos. Estes arautos proclamavam a trégua entre os gregos durante as competições, enviada por Zeus. Eram eles os responsáveis por anunciar os vencedores.
[4]Enesídamo: pai de Xenócrates. Ao mencionar que “os filhos de Enesídamo a honras imortais uniram-se” Píndaro certamente alude também a Terão, irmão de Xenócrates, vencedor na corrida de carros em Olímpia (ver Ol.2)
[5] No original, Heliconíades. As Musas habitavam o monte Hélicon. 



domingo, dezembro 14, 2014

Hino Órfico 51: Ninfas

Νυμφῶν;, θυμίαμα ἀρώματα.


Νύμφαι, θυγατέρες μεγαλήτορος Ὠκεανοῖο,
ὑγροπόροις γαίης ὑπὸ κεύθεσιν οἰκί' ἔχουσαι,
κρυψίδρομοι, Βάκχοιο τροφοί, χθόνιαι, πολυγηθεῖς,
καρποτρόφοι, λειμωνιάδες, σκολιοδρόμοι, ἁγναί,
ἀντροχαρεῖς, σπήλυγξι κεχαρμέναι, ἠερόφοιτοι,
πηγαῖαι, δρομάδες, δροσοείμονες, ἴχνεσι κοῦφαι,
φαινόμεναι, ἀφανεῖς, αὐλωνιάδες, πολυανθεῖς,
σὺν Πανὶ σκιρτῶσαι ἀν' οὔρεα, εὐάστειραι,
πετρόρυτοι, λιγυραί, βομβήτριαι, οὐρεσίφοιτοι,
ἀγρότεραι κοῦραι, κρουνίτιδες ὑλονόμοι τε,
παρθένοι εὐώδεις, λευχείμονες, εὔπνοοι αὔραις,
αἰπολικαί, νόμιαι, θηρσὶν φίλαι, ἀγλαόκαρποι,
κρυμοχαρεῖς, ἁπαλαί, πολυθρέμμονες αὐξίτροφοί τε,
κοῦραι ἁμαδρυάδες, φιλοπαίγμονες, ὑγροκέλευθοι,
Νύσιαι, † μανικαί, παιωνίδες, εἰαροτερπεῖς,
σὺν Βάκχωι Δηοῖ τε χάριν θνητοῖσι φέρουσαι·
ἔλθετ' ἐπ' εὐφήμοις ἱεροῖς κεχαρηότι θυμῶι
νᾶμα χέουσαι ὑγεινὸν ἀεξιτρόφοισιν ἐν ὥραις.

Das Ninfas; Fumigação: Ervas Aromáticas

Ninfas, filhas do magnânimo Oceano,
com lares nos úmidos recessos da terra,
nutrizes de Baco, de ocultos percursos, terrestres e muito alegres:
Deusas dos prados, nutrizes de frutos, puras de oblíquos percursos,
que se alegram nos antros, nas grutas, errantes dos ares!
Vestidas de orvalho, deixam rastros sutis nas fontes, nos rios;
Visíveis e invisíveis as  ninfas multiflóreas dos promontórios,
bradando evoés no alto das montanhas com o lépido Pan,
das rochas defluem com silvos sonoros, errantes das montanhas!
Rústicas donzelas das fontes e dos bosques;
virgens vistosas, de alvas vestes e suaves ventos,
com pastos, cabras - amigas das bestas! - e esplêndidos frutos,
tenras amigas do frio, fruticosas multinutrientes,
as divertidas e umentes donzelas hamadríades.
Nísias loucas, Peãs felizes na primavera,
com Baco e Deméter trazendo graça aos mortais!
Vinde aos auspiciosos ritos, com o coração grato,
vertendo fontes de fruticosas chuvas nas estações.

[Tradução: Rafael Brunhara]