Ἂν μνήμην, ἄνθρωπε, λάβῃς, ὁ πατήρ σε τί ποιῶν
ἔσπειρεν, παύσῃ τῆς μεγαλοφροσύνης.
ἀλλ' ὁ Πλάτων σοὶ τῦφον ὀνειρώσσων ἐνέφυσεν
ἀθάνατόν σε λέγων καὶ φυτὸν οὐράνιον.
ἐκ πηλοῦ γέγονας. τί φρονεῖς μέγα; τοῦτο μὲν οὕτως (5)
εἶπ' ἄν τις κοσμῶν πλάσματι σεμνοτέρῳ.
εἰ δὲ λόγον ζητεῖς τὸν ἀληθινόν, ἐξ ἀκολάστου
λαγνείας γέγονας καὶ μιαρᾶς ῥανίδος.
Se te lembrasses, homem, o que fez teu pai
ao te gerar, porias de lado o orgulho.
Mas Platão,sonhador, plantou em ti ilusão,
chamando-te imortal, planta do céu;
Do barro tu nasceste. Por que a arrogância?
Quem diz isso orna-se em ficções solenes.
Se procuras um dito verdadeiro: vieste
de licencioso coito e sêmen sujo.
[Tradução: Rafael Brunhara]
terça-feira, março 18, 2014
sexta-feira, março 14, 2014
Antologia Palatina, 11.430 - Luciano
Εἰ τὸ τρέφειν πώγωνα δοκεῖς σοφίαν περιποιεῖν,
καὶ τράγος εὐπώγων αἶψ' ὅλος ἐστὶ Πλάτων.
Se tu acreditas que cultivar uma barba é adquirir sabedoria,
de repente até um bode de bela barba é um Platão completo.
[Tradução: Rafael Brunhara]
καὶ τράγος εὐπώγων αἶψ' ὅλος ἐστὶ Πλάτων.
Se tu acreditas que cultivar uma barba é adquirir sabedoria,
de repente até um bode de bela barba é um Platão completo.
[Tradução: Rafael Brunhara]
segunda-feira, março 10, 2014
Lançamento de "Lira Grega: Antologia de Poesia Arcaica"
Apesar de dispormos de excelentes traduções da chamada poesia lírica grega arcaica, muitas dessas traduções encontram-se esparsas, publicadas em artigos de periódicos, trabalhos acadêmicos ou seções de revistas.
Há exceções notáveis -- volumes como Poesia Grega e Latina de Péricles Eugênio da Silva Ramos (Cultrix, 1967); Poesia Grega: De Álcman a Teócrito de Frederico Lourenço (Cotovia,2006) e Ritmo e Sonoridade na Poesia Grega Antiga, de Leonardo Antunes (Humanitas, 2011) -- exceções às quais este novo trabalho de Giuliana Ragusa, que será lançado no dia 25/03 em SP pela Editora Hedra, vem se somar, suprindo uma lacuna: a de oferecer, reunidos em um só volume, boas traduções dos nove grandes poetas "líricos" arcaicos.
Há exceções notáveis -- volumes como Poesia Grega e Latina de Péricles Eugênio da Silva Ramos (Cultrix, 1967); Poesia Grega: De Álcman a Teócrito de Frederico Lourenço (Cotovia,2006) e Ritmo e Sonoridade na Poesia Grega Antiga, de Leonardo Antunes (Humanitas, 2011) -- exceções às quais este novo trabalho de Giuliana Ragusa, que será lançado no dia 25/03 em SP pela Editora Hedra, vem se somar, suprindo uma lacuna: a de oferecer, reunidos em um só volume, boas traduções dos nove grandes poetas "líricos" arcaicos.
quarta-feira, janeiro 29, 2014
"O Poema dos Irmãos" - Novo fragmento de Safo
Nota Liminar:
Trata-se de um dos dois novos fragmentos de Safo, descobertos recentemente em uma coleção particular. O papirologista Dirk Obbink, que trabalha em uma edição do texto, chamou-o de "Poema dos Irmãos" por ser o primeiro que menciona explicitamente os nomes de Caraxo e Lárico, referidos como irmãos de Safo em outras fontes. As descobertas de Obbink serão publicadas em breve, mas uma versão preliminar (de onde foi extraído o texto para esta tradução) pode ser lida aqui:
Tradução:
com o navio cheio; Zeus sabe disso,
creio, e os deuses todos: mas não é
o que deves pensar,
e sim em enviar-me e recomendar
que eu faça muitas preces à rainha Hera
para que Caraxo chegue aqui, guiando
seu navio em segurança,
e nos encontre a salvo. Tudo o mais,
confiemos aos numes.
Pois das grandes ventanias de pronto
surge o céu claro.
Aqueles a quem o rei do Olimpo quiser
mandar um nume que os auxilie nos afãs,
são estes que se tornam venturosos
e muito prósperos.
Também nós; se Lárico erguer a cabeça
e um dia enfim tornar-se um homem,
de tanto peso na alma, sim, de pronto,
estaríamos livres.
[Tradução de Rafael Brunhara]
ἀλλ’ ἄϊ θρύλησθα Χάραξον ἔλθην
νᾶϊ σὺμ πλέαι· τὰ μέν̣, οἴο̣μα̣ι, Ζεῦς
οἶδε σύμπαντές τε θέοι· σὲ δ᾽οὐ χρῆ
ταῦτα νόεισθαι,
ἀλλὰ καὶ πέμπην ἔμε καὶ κέλ{η}`ε ́ςθαι
πόλλα λίσσεσθαι̣ βασί̣λ̣η̣αν Ἤρ̣αν
ἐξίκεσθαι τυίδε σάαν ἄγοντα
νᾶα Χάραξον,
κἄμμ’ ἐπεύρην ἀρτέ̣ μ̣ εας· τὰ δ’ ἄλλα
πάντα δαιμόνεσσι̣ν ἐπι̣τ̣ρόπωμεν·
εὐδίαι̣ γὰ̣ρ̣ ἐκ μεγάλαν ἀήτα̣ν̣
αἶψα πέλ̣̣ο̣νται·
τῶν κε βόλληται βασίλευς Ὀλύμπω
δαίμον’ ἐκ πόνων ἐπάρ{η}`ω ́γον ἤδη
περτρόπην, κῆνοι μ̣άκαρες πέλονται
καὶ πολύολβοι.
κἄμμες, αἴ κε τὰν κεφάλαν ἀέρρῃ
Λάριχος καὶ δήποτ᾽ἄνηρ γένηται,
καὶ μάλ’ἐκ πόλλ{η}`αν ́ βαρ̣υθύμ̣ιάν̣ κεν
αἶψα λύθειμεν.
quarta-feira, janeiro 22, 2014
Hino Órfico 35: Leto
Λητοῦς, θυμίαμα σμύρναν.
Λητὼ κυανόπεπλε, θεὰ διδυματόκε, σεμνή,
Κοιαντίς, μεγάθυμε, πολυλλίστη βασίλεια,
εὔτεκνον Ζηνὸς γονίμην ὠδῖνα λαχοῦσα,
γειναμένη Φοῖβόν τε καὶ Ἄρτεμιν ἰοχέαιραν,
τὴν μὲν ἐν Ὀρτυγίηι, τὸν δὲ κραναῆι ἐνὶ Δήλωι, (5)
κλῦθι, θεὰ δέσποινα, καὶ ἵλαον ἦτορ ἔχουσα
βαῖν' ἐπὶ πάνθειον τελετὴν τέλος ἡδὺ φέρουσα.
De Leto, fumigação: mirra
Leto de escuro véu, Deusa mãe dos gêmeos, insigne,
Filha de Coios magnânima, rainha de muitas preces,
que teve por honra o fértil parto da boa prole de Zeus,
dando à luz a Febo e a Ártemis sagitária:
ela em Ortígia, ele em Delos rochosa (5).
Ouve-me, senhora Deusa e com propício peito,
vem ao ritual de todos os deuses, trazendo o doce fim.
[Tradução: Rafael Brunhara]
Λητὼ κυανόπεπλε, θεὰ διδυματόκε, σεμνή,
Κοιαντίς, μεγάθυμε, πολυλλίστη βασίλεια,
εὔτεκνον Ζηνὸς γονίμην ὠδῖνα λαχοῦσα,
γειναμένη Φοῖβόν τε καὶ Ἄρτεμιν ἰοχέαιραν,
τὴν μὲν ἐν Ὀρτυγίηι, τὸν δὲ κραναῆι ἐνὶ Δήλωι, (5)
κλῦθι, θεὰ δέσποινα, καὶ ἵλαον ἦτορ ἔχουσα
βαῖν' ἐπὶ πάνθειον τελετὴν τέλος ἡδὺ φέρουσα.
De Leto, fumigação: mirra
Leto de escuro véu, Deusa mãe dos gêmeos, insigne,
Filha de Coios magnânima, rainha de muitas preces,
que teve por honra o fértil parto da boa prole de Zeus,
dando à luz a Febo e a Ártemis sagitária:
ela em Ortígia, ele em Delos rochosa (5).
Ouve-me, senhora Deusa e com propício peito,
vem ao ritual de todos os deuses, trazendo o doce fim.
[Tradução: Rafael Brunhara]
segunda-feira, janeiro 06, 2014
Antologia Palatina 5.95 (Anônimo)
Quatro são as Graças, duas as Afrodites e dez as Musas:
Dercílis é uma de cada: Musa, Graça, Afrodite. (5.95)
(Tradução: Rafael Brunhara)
Dercílis é uma de cada: Musa, Graça, Afrodite. (5.95)
(Tradução: Rafael Brunhara)
Asclepíades de Samos - Antologia Grega 5. 85
Φείδῃ παρθενίης. καὶ τί πλέον; οὐ γὰρ ἐς Ἅιδην
ἐλθοῦσ' εὑρήσεις τὸν φιλέοντα, κόρη.
ἐν ζωοῖσι τὰ τερπνὰ τὰ Κύπριδος· ἐν δ' Ἀχέροντι
ὀστέα καὶ σποδιή, παρθένε, κεισόμεθα.
Poupas tua virgindade; o que ganhas com isso? Ao chegar
no Hades não encontrarás quem te ame, menina.
Entre os vivos é que estão as delícias da Cípria; no Aqueronte,
como ossos e cinzas, donzela, jazeremos.
Tradução: Rafael Brunhara
ἐλθοῦσ' εὑρήσεις τὸν φιλέοντα, κόρη.
ἐν ζωοῖσι τὰ τερπνὰ τὰ Κύπριδος· ἐν δ' Ἀχέροντι
ὀστέα καὶ σποδιή, παρθένε, κεισόμεθα.
Poupas tua virgindade; o que ganhas com isso? Ao chegar
no Hades não encontrarás quem te ame, menina.
Entre os vivos é que estão as delícias da Cípria; no Aqueronte,
como ossos e cinzas, donzela, jazeremos.
Tradução: Rafael Brunhara
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