quarta-feira, janeiro 29, 2014

"O Poema dos Irmãos" - Novo fragmento de Safo

Nota Liminar:

Trata-se de um dos dois novos fragmentos de Safo, descobertos recentemente em uma coleção particular. O papirologista Dirk Obbink, que trabalha em uma edição do texto, chamou-o de "Poema dos Irmãos" por ser o primeiro que menciona explicitamente os nomes de Caraxo e Lárico, referidos como irmãos de Safo em outras fontes. As descobertas de Obbink serão publicadas em breve, mas uma versão preliminar (de onde foi extraído o texto para esta tradução) pode ser lida aqui: 

http://www.papyrology.ox.ac.uk/Fragments/Obbink.Sappho7.draft.pdf

Tradução:

Mas dizes sem parar que Caraxo veio
com o navio cheio; Zeus sabe disso,
creio, e os deuses todos: mas não é
o que deves pensar,

e sim em enviar-me e recomendar
que eu faça muitas preces à rainha Hera
para que Caraxo chegue aqui, guiando
seu navio em segurança,

e nos encontre a salvo. Tudo o mais,
confiemos aos numes.
Pois das grandes ventanias de pronto
surge o céu claro.

Aqueles a quem o rei do Olimpo quiser
mandar um nume que os auxilie nos afãs,
são estes que se tornam venturosos
e muito prósperos.

Também nós; se Lárico erguer a cabeça
e um dia enfim tornar-se um homem,
de tanto peso na alma, sim, de pronto,
estaríamos livres.

[Tradução de  Rafael Brunhara]

ἀλλ’ ἄϊ θρύλησθα Χάραξον ἔλθην
νᾶϊ σὺμ πλέαι· τὰ μέν̣, οἴο̣μα̣ι, Ζεῦς
οἶδε σύμπαντές τε θέοι· σὲ δ᾽οὐ χρῆ
ταῦτα νόεισθαι,

ἀλλὰ καὶ πέμπην ἔμε καὶ κέλ{η}`ε ́ςθαι
πόλλα λίσσεσθαι̣ βασί̣λ̣η̣αν Ἤρ̣αν
ἐξίκεσθαι τυίδε σάαν ἄγοντα
νᾶα Χάραξον,

κἄμμ’ ἐπεύρην ἀρτέ̣ μ̣ εας· τὰ δ’ ἄλλα
πάντα δαιμόνεσσι̣ν ἐπι̣τ̣ρόπωμεν·
εὐδίαι̣ γὰ̣ρ̣ ἐκ μεγάλαν ἀήτα̣ν̣
αἶψα πέλ̣̣ο̣νται·

τῶν κε βόλληται βασίλευς Ὀλύμπω
δαίμον’ ἐκ πόνων ἐπάρ{η}`ω ́γον ἤδη
περτρόπην, κῆνοι μ̣άκαρες πέλονται
καὶ πολύολβοι.

κἄμμες, αἴ κε τὰν κεφάλαν ἀέρρῃ
Λάριχος καὶ δήποτ᾽ἄνηρ γένηται,
καὶ μάλ’ἐκ πόλλ{η}`αν ́ βαρ̣υθύμ̣ιάν̣ κεν
αἶψα λύθειμεν.

quarta-feira, janeiro 22, 2014

Hino Órfico 35: Leto

Λητοῦς, θυμίαμα σμύρναν.

Λητὼ κυανόπεπλε, θεὰ διδυματόκε, σεμνή,
Κοιαντίς, μεγάθυμε, πολυλλίστη βασίλεια,
εὔτεκνον Ζηνὸς γονίμην ὠδῖνα λαχοῦσα,
γειναμένη Φοῖβόν τε καὶ Ἄρτεμιν ἰοχέαιραν,
τὴν μὲν ἐν Ὀρτυγίηι, τὸν δὲ κραναῆι ἐνὶ Δήλωι, (5)
κλῦθι, θεὰ δέσποινα, καὶ ἵλαον ἦτορ ἔχουσα
βαῖν' ἐπὶ πάνθειον τελετὴν τέλος ἡδὺ φέρουσα.

De Leto, fumigação: mirra

Leto de escuro véu, Deusa mãe dos gêmeos, insigne,
Filha de Coios magnânima, rainha de muitas preces,
que teve por honra o fértil parto da boa prole de Zeus,
dando à luz a Febo e a Ártemis sagitária:
ela em Ortígia, ele em Delos rochosa (5).
Ouve-me, senhora Deusa e com propício peito,
vem ao ritual de todos os deuses, trazendo o doce fim.

[Tradução: Rafael Brunhara]

segunda-feira, janeiro 06, 2014

Antologia Palatina 5.95 (Anônimo)

Quatro são as Graças, duas as Afrodites e dez as Musas:
Dercílis é uma de cada: Musa, Graça, Afrodite.  (5.95)

(Tradução: Rafael Brunhara)

Asclepíades de Samos - Antologia Grega 5. 85

Φείδῃ παρθενίης. καὶ τί πλέον; οὐ γὰρ ἐς Ἅιδην
ἐλθοῦσ' εὑρήσεις τὸν φιλέοντα, κόρη.
ἐν ζωοῖσι τὰ τερπνὰ τὰ Κύπριδος· ἐν δ' Ἀχέροντι
ὀστέα καὶ σποδιή, παρθένε, κεισόμεθα.

Poupas tua virgindade; o que ganhas com isso? Ao chegar
no Hades não encontrarás quem te ame, menina.
Entre os vivos é que estão as delícias da Cípria; no Aqueronte,
como ossos e cinzas, donzela, jazeremos.

Tradução: Rafael Brunhara

quinta-feira, dezembro 26, 2013

Calímaco, Epigrama 23

Εἴπας ‘Ἥλιε χαῖρε’ Κλεόμβροτος ὡμβρακιώτης
ἥλατ' ἀφ' ὑψηλοῦ τείχεος εἰς Ἀΐδην,
ἄξιον οὐδὲν ἰδὼν θανάτου κακόν, ἀλλὰ Πλάτωνος
ἓν τὸ περὶ ψυχῆς γράμμ' ἀναλεξάμενος.

Cleômbroto d' Ambrácia disse: "Adeus, Sol!"
e lançou-se da alta muralha  para o Hades.
Não viu mal nenhum que valesse a morte: de Platão
ele leu um livro só, aquele sobre a alma.

(Tradução: Rafael Brunhara)

sexta-feira, dezembro 20, 2013

Antologia Palatina 11.61 (Macedônio)


Χθιζὸν ἐμοὶ νοσέοντι παρίστατο δήιος ἀνὴρ
ἰητρὸς δεπάων νέκταρ ἀπειπάμενος·
εἶπε δ' ὕδωρ πίνειν, ἀνεμώλιος, οὐδ' ἐδιδάχθη,
ὅττι μένος μερόπων οἶνον Ὅμηρος ἔφη.

Ontem, quando adoeci, postou-se um inimigo contra mim,
um médico, proibindo-me o néctar das taças;
Prescreveu-me beber água. Cabeça de vento, não aprendeste
que Homero diz que o vinho é a força dos homens?*

Tradução: Rafael Brunhara

* Ver por exemplo Ilíada 6.261: ἀνδρὶ δὲ κεκμηῶτι μένος μέγα οἶνος ἀέξει ("ao homem fatigado, o vinho aviva enormemente a força")

quinta-feira, dezembro 05, 2013

Hino Órfico 33: Vitória [Nike]

Νίκης, θυμίαμα μάνναν.

Εὐδύνατον καλέω Νίκην, θνητοῖσι ποθεινήν,
ἣ μούνη λύει θνητῶν ἐναγώνιον ὁρμὴν
καὶ στάσιν ἀλγινόεσσαν ἐπ' ἀντιπάλοισι μάχαισιν,
ἐν πολέμοις κρίνουσα τροπαιούχοισιν ἐπ' ἔργοις,
οἷς ἂν ἐφορμαίνουσα φέροις γλυκερώτατον εὖχος· (5)
πάντων γὰρ κρατέεις, πάσης δ' ἔριδος κλέος ἐσθλὸν
Νίκηι ἐπ' εὐδόξωι κεῖται θαλίαισι βρυάζον.
ἀλλά, μάκαιρ', ἔλθοις πεποθημένη ὄμματι φαιδρῶι
αἰεὶ ἐπ' εὐδόξοις ἔργοις κλέος ἐσθλὸν ἄγουσα.

Da Vitória, fumigação: incenso

Chamo bem poderosa Vitória, desejada pelos mortais;
só ela livra os mortais do anseio pela disputa,
do doloroso dissídio dos oponentes em combate;
Nas guerras julga os feitos premiáveis
e no ardor da luta confere-lhes o triunfo mais doce, (5)
pois a tudo imperas; de toda a discórdia a nobre glória
repousa em Vitória [Nike],florescente em fama e festivais.
Peço-te, venturosa, vem com teus olhos radiantes,
trazendo sempre nobre glória a obras célebres.

[Tradução: Rafael Brunhara]