Grande riqueza tenho: a lança, a espada
e o belo escudo que me cobre o corpo;
com eles lavro, ceifo; e o doce vinho
com eles eu vindimo na parreira
e patrão sou chamado de criados.
Os que não ousam ter espada e lança
e um belo escudo que lhes cubra o corpo,
cheios de susto, abraçam-me os joelhos
e de patrão, de grande rei me chamam.
Tradução de Aluízio Faria de Coimbra.
Fonte: Os elegíacos Gregos, de Calino a Crates. São Paulo, 1941.
sexta-feira, outubro 23, 2009
sexta-feira, outubro 16, 2009
Epicarmo Fr.1
Sou um cadáver; um cadáver é adubo, e adubo é a terra;
mas se a terra é um Deus, não sou cadáver, e sim um Deus.
mas se a terra é um Deus, não sou cadáver, e sim um Deus.
Focílides
Fr. 2 [Adrados]
Também isto é de Focílide: as classes de mulheres nasceram
destes quatro animais: da cadela, da abelha;
da terrível javalina, da égua de longa crina.
Esta é vigorosa, rápida, corredora, bela;
a que nasceu da terrível javalina, nem má, nem boa;
a da cadela, de gênio difícil e brava; a da abelha,
boa dona de casa e sabe trabalhar;
reza, caro amigo, para conseguir o desejável casamento com essa.
Fr. 3 [Adrados]
Também isto é de Focílide: que importa ser de origem nobre,
para aquele que a graça não acompanha nem nas palavras nem nas decisões?
Fr.4 [Adrados]
Também isto é de Focílide: uma pequena cidade, no cimo de um monte,
que vive bem governada, é mais forte que uma Nínive insensata.
Fr. 5 [Adrados]
Também isto é de Focílide: é preciso que o amigo com o amigo
medite em tudo o que os concidadãos murmurem.
Tradução de Daisi Malhadas e Maria Helena da Moura Neves
Também isto é de Focílide: as classes de mulheres nasceram
destes quatro animais: da cadela, da abelha;
da terrível javalina, da égua de longa crina.
Esta é vigorosa, rápida, corredora, bela;
a que nasceu da terrível javalina, nem má, nem boa;
a da cadela, de gênio difícil e brava; a da abelha,
boa dona de casa e sabe trabalhar;
reza, caro amigo, para conseguir o desejável casamento com essa.
Fr. 3 [Adrados]
Também isto é de Focílide: que importa ser de origem nobre,
para aquele que a graça não acompanha nem nas palavras nem nas decisões?
Fr.4 [Adrados]
Também isto é de Focílide: uma pequena cidade, no cimo de um monte,
que vive bem governada, é mais forte que uma Nínive insensata.
Fr. 5 [Adrados]
Também isto é de Focílide: é preciso que o amigo com o amigo
medite em tudo o que os concidadãos murmurem.
Tradução de Daisi Malhadas e Maria Helena da Moura Neves
sexta-feira, outubro 09, 2009
Aspiração
Já não queria a maternal adoração
que afinal nos exaure, e resplandece em pânico,
tampouco o sentimento de um achado precioso
como o de Catarina Kippenberg aos pés de Rilke.
E não queria o amor, sob disfarces tontos
da mesma ninfa desolada no seu ermo
e a constante procura de sede e não de linfa,
e não queria também a simples flor do sexo,
abscôndita, sem nexo, nas hospedarias do vento,
como ainda não quero a amizade geométrica
de almas que se elegeram numa seara orgulhosa,
imbricamento, talvez? de carências melancólicas.
Aspiro antes à fiel indiferença
mas pausada bastante para sustentar a vida
e, na sua indiscriminação de crueldade e diamante,
capaz de sugerir o fim sem a injustiça dos prêmios.
que afinal nos exaure, e resplandece em pânico,
tampouco o sentimento de um achado precioso
como o de Catarina Kippenberg aos pés de Rilke.
E não queria o amor, sob disfarces tontos
da mesma ninfa desolada no seu ermo
e a constante procura de sede e não de linfa,
e não queria também a simples flor do sexo,
abscôndita, sem nexo, nas hospedarias do vento,
como ainda não quero a amizade geométrica
de almas que se elegeram numa seara orgulhosa,
imbricamento, talvez? de carências melancólicas.
Aspiro antes à fiel indiferença
mas pausada bastante para sustentar a vida
e, na sua indiscriminação de crueldade e diamante,
capaz de sugerir o fim sem a injustiça dos prêmios.
quarta-feira, outubro 07, 2009
Teognideia, vv. 01-04
Ó senhor, filho de Leto, nascido de Zeus, jamais te
esquecerei nem ao começar a compor nem ao terminar
mas, sempre, no início, no fim e no decorrer do poema
te cantarei; assim, ouve-me e concede-me teu favor.
Tradução: Daisi Malhadas e Maria Helena da Moura Neves
Fonte: MALHADAS, D. & NEVES, M.H.M. Antologia de poetas gregos de Homero a Píndaro. Araraquara: FFCLAr-UNESP, 1976
esquecerei nem ao começar a compor nem ao terminar
mas, sempre, no início, no fim e no decorrer do poema
te cantarei; assim, ouve-me e concede-me teu favor.
Tradução: Daisi Malhadas e Maria Helena da Moura Neves
Fonte: MALHADAS, D. & NEVES, M.H.M. Antologia de poetas gregos de Homero a Píndaro. Araraquara: FFCLAr-UNESP, 1976
Sólon Fr. 4 W (Tradução de Daisi Malhadas e Maria Helena da Moura Neves)
Nossa cidade jamais pelo desígnio de Zeus
perecerá nem pela vontade dos bem-aventurados deuses imortais
pois a tão magnânima e protetora Palas Atena,
filha do poderoso pai, tem suas mãos sobre nós.
Os próprios cidadãos, porém, querem destruir, com suas loucuras [5]
nossa grande cidade, persuadidos pelas riquezas,
e há também o injusto propósito dos chefes do povo,para os quais está reservado,
por seu grande descomedimento, muitas dores sofrer:
pois nem sabem controlar a fartura nem organizar
com tranqulidade as alegrias do festim de hoje [10]
..............................................
enriquecem, por ações injustas deixando-se persuadir
.............................................
nem os bens sagrados nem os do estado
poupam, mas furtam-nos em pilhagem cada qual por seu lado,
nem guardam os veneráveis fundamentos da Justiça,
a qual, silenciosa, ciente do que acontece e do que aconteceu,[15]
com o tempo vem para executar cabal vingança.
Esta ferida inevitável já atinge a cidade toda,
leva-a rapidamente à nociva escravidão,
que desperta a sedição civil e a guerra adormecida,
esta que foi a ruína da juventude encantadora de muitos homens;[20]
pois pelos inimigos rapidamente uma cidade formosa
é arruinada nas associações em que se comprazem os injustos.
Esses os males que envolvem o povo; muitos
pobres chegam a uma terra estranha
vendidos e, com desonrosas correntes, amarrados,[25]
.................................................
Assim o infortúnio público atinge cada um em sua casa;
as portas do pórtico não podem detê-lo,
por cima do elevado muro salta, e encontra por certo o morador
mesmo que fuja para a parte mais recuada de seu quarto.
Ensinar isto aos atenienses é o que o meu coração ordena: [30]
de que modo os mais numerosos males a uma cidade Disnomia causa,
e de que modo Eunomia garante ordem e justiça plena e sempre aos injustos acorrenta;
ela aplaina as asperezas, faz cessar a fartura, aniquila o descomedimento,
seca as flores da desgraça, quando brotam,
corrige os julgamentos errados e modera as ações
orgulhosas; faz cessar as obras da discórdia,
faz cessar o ódio da terrível sedição, e graças a ela
todas as ações humanas são justas e sábias.
Tradução de Daisi Malhadas e Maria Helena da Moura Neves
Fonte: MALHADAS, D. & NEVES, M.H.M. Antologia de poetas gregos de Homero a Píndaro. Araraquara: FFCLAr-UNESP, 1976
perecerá nem pela vontade dos bem-aventurados deuses imortais
pois a tão magnânima e protetora Palas Atena,
filha do poderoso pai, tem suas mãos sobre nós.
Os próprios cidadãos, porém, querem destruir, com suas loucuras [5]
nossa grande cidade, persuadidos pelas riquezas,
e há também o injusto propósito dos chefes do povo,para os quais está reservado,
por seu grande descomedimento, muitas dores sofrer:
pois nem sabem controlar a fartura nem organizar
com tranqulidade as alegrias do festim de hoje [10]
..............................................
enriquecem, por ações injustas deixando-se persuadir
.............................................
nem os bens sagrados nem os do estado
poupam, mas furtam-nos em pilhagem cada qual por seu lado,
nem guardam os veneráveis fundamentos da Justiça,
a qual, silenciosa, ciente do que acontece e do que aconteceu,[15]
com o tempo vem para executar cabal vingança.
Esta ferida inevitável já atinge a cidade toda,
leva-a rapidamente à nociva escravidão,
que desperta a sedição civil e a guerra adormecida,
esta que foi a ruína da juventude encantadora de muitos homens;[20]
pois pelos inimigos rapidamente uma cidade formosa
é arruinada nas associações em que se comprazem os injustos.
Esses os males que envolvem o povo; muitos
pobres chegam a uma terra estranha
vendidos e, com desonrosas correntes, amarrados,[25]
.................................................
Assim o infortúnio público atinge cada um em sua casa;
as portas do pórtico não podem detê-lo,
por cima do elevado muro salta, e encontra por certo o morador
mesmo que fuja para a parte mais recuada de seu quarto.
Ensinar isto aos atenienses é o que o meu coração ordena: [30]
de que modo os mais numerosos males a uma cidade Disnomia causa,
e de que modo Eunomia garante ordem e justiça plena e sempre aos injustos acorrenta;
ela aplaina as asperezas, faz cessar a fartura, aniquila o descomedimento,
seca as flores da desgraça, quando brotam,
corrige os julgamentos errados e modera as ações
orgulhosas; faz cessar as obras da discórdia,
faz cessar o ódio da terrível sedição, e graças a ela
todas as ações humanas são justas e sábias.
Tradução de Daisi Malhadas e Maria Helena da Moura Neves
Fonte: MALHADAS, D. & NEVES, M.H.M. Antologia de poetas gregos de Homero a Píndaro. Araraquara: FFCLAr-UNESP, 1976
sexta-feira, outubro 02, 2009
Álcman 3 Dav.
Musas do Olimpo, o meu espírito
com o desejo de um canto novo
enchei! Quero ouvir
a voz virginal
a entoar até o céu a bela melodia!
...
sobre as minhas pálpebras espalhará o doce sono
...
depressa agitarei os louros cabelos.
...
Com desejo que deslassa os membros, ela lança-me
um olhar mais derretedor que o sono ou a morte.
A doçura dela não é em vão.
Astimelusa não me responde,
mas de grinalda na mão,
como uma estrela cintilante
no céu fulgente,
ou ramo de ouro ou macia penugem...
...
Quem me dera que ela me pegasse pela mão!
Depressa eu me tornaria suplicante dela.
Tradução: Frederico Lourenço.
Fonte: LOURENÇO, F. (org.) Poesia Grega de Álcman a Teócrito. Livraria Cotovia. 2006.
com o desejo de um canto novo
enchei! Quero ouvir
a voz virginal
a entoar até o céu a bela melodia!
...
sobre as minhas pálpebras espalhará o doce sono
...
depressa agitarei os louros cabelos.
...
Com desejo que deslassa os membros, ela lança-me
um olhar mais derretedor que o sono ou a morte.
A doçura dela não é em vão.
Astimelusa não me responde,
mas de grinalda na mão,
como uma estrela cintilante
no céu fulgente,
ou ramo de ouro ou macia penugem...
...
Quem me dera que ela me pegasse pela mão!
Depressa eu me tornaria suplicante dela.
Tradução: Frederico Lourenço.
Fonte: LOURENÇO, F. (org.) Poesia Grega de Álcman a Teócrito. Livraria Cotovia. 2006.
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