quarta-feira, abril 10, 2013

Simônides fr.543 Page

543 Dionísio de Halicarnasso, Da Composição Literária

ἐκ δὲ τῆς μελικῆς τὰ Σιμωνίδεια ταῦτα· γέγραπται δὲ κατὰ διαστολὰς οὐχ ὧν Ἀριστοφάνης ἢ ἄλλός τις κατεσκεύασε κώλων ἀλλ' ὧν ὁ πεζὸς λόγος ἀπαιτεῖ. πρόσεχε δὴ τῷ μέλει καὶ ἀναγίνωσκε κατὰ διαστολάς, καὶ εὖ ἴσθ' ὅτι λήσεταί σε ὁ ῥυθμὸς τῆς ᾠδῆς καὶ οὐχ ἕξεις συμβαλεῖν οὔτε στροφὴν οὔτε ἀντίστροφον οὔτ' ἐπῳδόν, ἀλλὰ φανήσεταί σοι λόγος εἷς εἰρόμενος. ἔστι δὲ ἡ διὰ πελάγους φερομένη Δανάη τὰς ἑαυτῆς ἀποδυρομένη τύχας·


Ὅτε λάρνακι ἐν δαιδαλέᾳ
ἄνεμός τε μιν πνέων
κινηθεῖσά τε λίμνα δείματι
 ἒρειπεν οὔτ' ἀδιάντοισι παρειαῖς
ἀμφί τε Περσέι βάλλε φίλαν χέρα
εἶπέν τε· Ὦ τέκος, οἷον ἔχω πόνον·

σὺ δ'  ἀωτεῖς,  γαλαθηνῷ
δ' ἤθορι κνοώσσεις
ἐν ἀτερπέι δούρατι χαλκεογόμφῳ
 νυκτὶ <τ' α> λαμπέι
κυανέῳ τε δνόφῳ σταλείς·
ἅχναν δ' ὕπερθε τεᾶν κομᾶν
βαθεῖαν παριόντος
κύματος οὐκ ἀλέγεις, οὐδ' ἀνέμου
φθόγγον, πορφυρέᾳ
κείμενος ἐν χλανίδι,  πρὸσωπον καλὸν.
εἰ δέ τοι δεινὸν τό γε δεινὸν ἦν,
καί κεν ἐμῶν ῥημάτων
 λεπτὸν ὑπεῖχες οὖας.


κέλομαι· εὗδε βρέφος,
εὑδέτω δὲ πόντος, εὑδέτω ἄμετρον κακόν·
μεταβουλία δέ τις φανείη,
Ζεῦ πάτερ, ἐκ σέο·
ὅττι δὴ θαρσαλέον ἔπος εὔχομαι
ἢ νόσφι δίκας,
σύγγνωθί μοι.

Os seguintes versos de Simônides, provenientes da poesia mélica, não foram escritos conforme as divisões métricas que Aristófanes ou qualquer outro preparou, mas demandam a prosa.  Atenta a canção e lê conforme as divisões. Vê bem que o ritmo do poema te escapará, e não poderás agrupar nem estrofe, nem antístrofe e nem epodo, mas parecerás ler um texto em prosa. Trata-se de Dânae sendo levada em alto mar e lamentando a sua sorte:

[Dânae*], na dedálea arca
quando o vento soprava
e o mar revolto em pavor
a prostrava, não sem pranto no rosto
envolveu Perseu nos braços amáveis
e disse:  "ah, filho, que aflição a minha!

Tu dormes, com inocente
peito ressonas
na triste barca de brônzeas cavilhas,
embora vagues na noite sem luz,
nas trevas escuras.
Da espuma do mar em teus cabelos,
quando passam as ondas
profundas, tu não cuidas,
nem da voz do vento: repousando
em manto púrpura, é belo teu rosto.    
Se o que é terrível te fosse terrível,
às minhas palavras
darias teus pequeninos ouvidos.


Dorme, meu bebê, te peço;
Dorme, ó mar; dorme, ó mal imensurável!
Que surja de ti um sinal de mudança,
Zeus Pai, de tua vontade!
Mas se minha prece é insolente
ou sem justiça,

perdoa-me."

* Dânae era uma princesa de Argos, no Peloponeso. Quando um oráculo contou ao seu pai, o rei Acrísio, de que o filho nascido dela o mataria, prontamente trancafiou a jovem princesa em uma câmara subterrânea. Mas Zeus, na forma de uma chuva dourada, facilmente acessa a câmara e engravida a princesa, que dará a luz ao herói Perseu. Quando o rei soube do acontecido, incrédulo de que a filha havia sido seduzida por Zeus, pôe mãe e filho em uma arca e os lança ao mar. 

[Tradução: Rafael Brunhara]

2 comentários:

Paula Corrêa disse...

Gosto muito da tradução, Rafael. Só nesta parte creio que o sentido seja diverso:

Se o que é terrível p'ra mim te fosse terrível,
teus pequeninos ouvidos
entenderiam minhas palavras.

Na tradução, parece que a criança, por ser pequena, não entende o que diz a mãe, enquanto o sentido é que a criança não liga para as ondas, para voz do vento nem para a voz da mãe: não lhe dá ouvidos.

Rafael disse...

Obrigado Paula! (Tanto pelo comentário quanto pela correção):não tinha notado que o sentido diferiria tanto ao traduzir ὑπεῖχες οὖας por "entender"! Já fiz lá uma alteração.