Leonardo, soldado bem disposto,
Manhoso, cavaleiro e namorado,
A quem Amor não dera um só desgosto,
Mas sempre fora dele mal tratado,
E tinha já por firme pressuposto
Ser com amores mal afortunado,
Porém não que perdesse a esperança
De inda poder seu fado ter mudança,
Quis aqui sua ventura que corria
Após Efire, exemplo de beleza,
Que mais caro que as outras dar queria
O que deu, para dar-se, a Natureza
Já cansado, correndo, lhe dizia:
- "Ó fermosura indigna de aspereza,
Pois desta vida te concedo a palma,
Espera um corpo de quem levas a alma!
-"Todas de correr cansam, Ninfa pura,
Rendendo-se à vontade do inimigo;
Tu só de mim só foges na espessura?
Quem te disse que eu era o que te sigo?
Se to tem dito já aquela ventura
Que em toda parte sempre anda comigo,
Oh, não na creias, porque eu, quando a cria,
Mil vezes cada hora me mentia!
"Não canses, que me cansas! E se queres
Fugir-me, por que não possa tocar-te,
Minha ventura é tal que, inda que esperes,
Ela fará que não possa alcançar-te!
Espera! quero ver, se tu quiseres,
Que sutil modo busca de escapar-te,
E notarás, no fim deste sucesso,
Tra la spica e la man qual muro he messo.
Oh, não me fujas! Assim nunca o breve
Tempo fuja de tua fermosura!
Que, só com refrear o passo leve,
Vencerás da Fortuna a força dura.
Que Imperador, que exército se atreve
A quebrantar a fúria da ventura
Que, em quanto desejei, me vai seguindo,
O que tu só farás não me fugindo?
"Pões-te da parte da desdita minha?
Fraqueza é dar ajuda ao mais potente.
Levas-me um coração que livre tinha?
Solta-mo, e correrás mais levemente.
Não te carrega essa alma tão mesqunha
Que, nesses fios de ouro reluzente,
Atada levas? Ou, depois de presa,
Lhe mudaste a ventura, e menos pesa?
"Nesta esperança só te vou seguindo:
Que ou tu não sofrerás o peso dela,
Ou na virtude de teu gesto lindo
Lhe mudarás a triste e dura estrela!
E se se lhe mudar, não vás fugindo,
Que Amor te ferirá, gentil donzela,
E tu me esperarás, se Amor te fere;
E se me esperas, não há mais que se espere!"
Já não fugia a bela Ninfa tanto,
Por se dar cara ao triste que a seguia,
Como por ir ouvindo o doce canto,
As namoradas mágoas que dizia.
Volvendo o rosto, já sereno e santo,
Toda banhada em riso de alegria,
Cair se deixa aos pés do vencedor,
Que todo se desfaz em puro amor.
Oh que famintos beijos na floresta!
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves! Que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vênus com prazeres inflamava,
Melhor é exprimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo.
sábado, novembro 14, 2009
segunda-feira, novembro 02, 2009
Anacreonte (fr.eleg.2)
Não gosto de quem, bebendo vinho junto ao crater repleto,
fala de querelas e da guerra lácrima
e sim de quem, resplandecentes dons das Musas e Afrodite
mesclando, comemora a desejável alegria.
(Tradução de Rafael Brunhara)
fala de querelas e da guerra lácrima
e sim de quem, resplandecentes dons das Musas e Afrodite
mesclando, comemora a desejável alegria.
(Tradução de Rafael Brunhara)
Skholia 893 PMG
No ramo de mirto vou levar a espada,
tal qual Harmódio e Aristogíton
quando iam ambos assassinar o tirano
e tornar Atenas igual em direitos.
tal qual Harmódio e Aristogíton
quando iam ambos assassinar o tirano
e tornar Atenas igual em direitos.
Skholia 900 PMG
Ah, se eu fosse uma bela lira de marfim
e belos meninos me levassem ao coro de Dioniso!
[Tradução: Rafael Brunhara]
e belos meninos me levassem ao coro de Dioniso!
[Tradução: Rafael Brunhara]
Anacreonte 348 PMG
Suplico-te, golpeadora de cervos,
loura filha de Zeus, de agrestes
bestas a senhora, Ártemis,
que algures sobre os remoinhos
do Leiteio perscruta a cidade
de varões de fero coração,
grata - pois de cidadãos
indômitos não és pastora.
(Tradução de Rafael Brunhara)
loura filha de Zeus, de agrestes
bestas a senhora, Ártemis,
que algures sobre os remoinhos
do Leiteio perscruta a cidade
de varões de fero coração,
grata - pois de cidadãos
indômitos não és pastora.
(Tradução de Rafael Brunhara)
Safo 34 V
Astros ao redor da bela lua
De pronto ocultam sua luz fanal
quando plena ela mais fulge
argêntea
sobre a terra.
(Tradução: Rafael Brunhara)
De pronto ocultam sua luz fanal
quando plena ela mais fulge
argêntea
sobre a terra.
(Tradução: Rafael Brunhara)
Calímaco - Epigrama 2 P
Alguém falou, Heráclito, de tua morte, e me levou
às lágrimas. Lembrei-me de quantas vezes nós dois,
em colóquio,fizemos o sol se pôr. Tu, hóspede
do Halicarnasso, és - presumo - cinza há muitas eras:
mas vivem teus rouxinóis; sobre eles, Hades
raptor de tudo a mão não lança.
(Tradução de Rafael Brunhara)
às lágrimas. Lembrei-me de quantas vezes nós dois,
em colóquio,fizemos o sol se pôr. Tu, hóspede
do Halicarnasso, és - presumo - cinza há muitas eras:
mas vivem teus rouxinóis; sobre eles, Hades
raptor de tudo a mão não lança.
(Tradução de Rafael Brunhara)
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