Chorai, Amores, Vênus e quem for
sensível à beleza neste mundo.
Morreu o pássaro de minha amiga,
Morreu o pássaro de minha amiga,
o deleite de minha amiga, o pássaro,
a quem amava mais que aos próprios olhos.
Ele era um mel e conhecia a dona
tão bem quanto uma filha à própria mãe.
Não se afastava de seu colo, mas
Não se afastava de seu colo, mas
de um lado e de outro saltitava, só
pipiando aos ouvidos da senhora.
Agora segue a via tenebrosa,
lugar sem volta -- como nos afirmam.
Devoradoras da beleza, trevas
malditas, vos amaldiçoo! Belíssimo
pardal me arrebatastes! Que desgraça!
Pobre pardal! Agora os olhinhos
Pobre pardal! Agora os olhinhos
inchados da minha menina estão
vermelhos de chorar e és o motivo.
Fonte: Catulo e Horácio, Uma Antologia. São Paulo: Ateliê, 2025.
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