sexta-feira, março 29, 2013

Hino Órfico 34: Apolo

<Ἀπόλλωνος>, θυμίαμα μάνναν.

Ἐλθέ, μάκαρ, Παιάν, Τιτυοκτόνε, Φοῖβε, Λυκωρεῦ,
Μεμφῖτ', ἀγλαότιμε, ἰήιε, ὀλβιοδῶτα,
χρυσολύρη, σπερμεῖε, ἀρότριε, Πύθιε, Τιτάν,
Γρύνειε, Σμινθεῦ, Πυθοκτόνε, Δελφικέ, μάντι,
ἄγριε, φωσφόρε δαῖμον, ἐράσμιε, κύδιμε κοῦρε, (5)
† μουσαγέτα, χοροποιέ, ἑκηβόλε, τοξοβέλεμνε,
Βράγχιε καὶ Διδυμεῦ, † ἑκάεργε, Λοξία, ἁγνέ,
Δήλι' ἄναξ, πανδερκὲς ἔχων φαεσίμβροτον ὄμμα,
χρυσοκόμα, καθαρὰς φήμας χρησμούς τ' ἀναφαίνων·
κλῦθί μου εὐχομένου λαῶν ὕπερ εὔφρονι θυμῶι· (10)
τόνδε σὺ γὰρ λεύσσεις τὸν ἀπείριτον αἰθέρα πάντα
γαῖαν δ' ὀλβιόμοιρον ὕπερθέ τε καὶ δι' ἀμολγοῦ,
νυκτὸς ἐν ἡσυχίαισιν ὑπ' ἀστεροόμματον ὄρφνην
ῥίζας νέρθε δέδορκας, ἔχεις δέ τε πείρατα κόσμου
παντός· σοὶ δ' ἀρχή τε τελευτή τ' ἐστὶ μέλουσα, (15)
παντοθαλής, σὺ δὲ πάντα πόλον κιθάρηι πολυκρέκτωι
ἁρμόζεις, ὁτὲ μὲν νεάτης ἐπὶ τέρματα βαίνων,
ἄλλοτε δ' αὖθ' ὑπάτης, ποτὲ Δώριον εἰς διάκοσμον
πάντα πόλον κιρνὰς κρίνεις βιοθρέμμονα φῦλα,
ἁρμονίηι κεράσας {τὴν} παγκόσμιον ἀνδράσι μοῖραν, (20)
μίξας χειμῶνος θέρεός τ' ἴσον ἀμφοτέροισιν,
ταῖς ὑπάταις χειμῶνα, θέρος νεάταις διακρίνας,
Δώριον εἰς ἔαρος πολυηράτου ὥριον ἄνθος.
ἔνθεν ἐπωνυμίην σε βροτοὶ κλήιζουσιν ἄνακτα,
Πᾶνα, θεὸν δικέρωτ', ἀνέμων συρίγμαθ' ἱέντα· (25)
οὕνεκα παντὸς ἔχεις κόσμου σφραγῖδα τυπῶτιν.
κλῦθι, μάκαρ, σώζων μύστας ἱκετηρίδι φωνῆι.

De Apolo; fumigação: Incenso.

Vem, venturoso Peã, assassino de Tício, Febo,
de Licórea e de Mênfis, de muitas honras e dador de fortuna,
Pítio Titã, da áurea lira e do arado, semeador,
Grineu, Esminteu, assassino de Píton, délfico profeta,
feroz nume lucífero, amado e ínclito jovem, (5)
†líder das Musas, regente dos coros, arqueiro que acerta ao longe,
amante de Branco, Dídimo, puro, Oblíquo [Lóxias] † que age ao longe,
soberano de Delos, onividente de luzeiros olhos aos mortais,
de áureos cabelos, declarando oráculos e augúrios imáculos,
ouve as minhas preces pelo povo, com um benévolo coração:
toda a vastidão infinita do Éter tu perscrutas
do alto da rica Terra [Gaia] e através do crepúsculo;
nas sombras silentes da noite contemplas as raízes
do solo com olhar astral, e deténs os confins do cosmo
todo: são teus o princípio e o fim das coisas que virão;  (15)
todo viçoso tu harmonizas a esfera celeste
com tua cítara multivibrante, ora alcançando os mais baixos acordes,
ora outra vez os mais sublimes, em dórica melodia harmônica.
Mesclando toda a esfera celeste, discernes as raças viventes
e com harmonia infundes um destino pancósmico as homens,  (20)
distribuindo o inverno e o verão, ambos igualmente:
com os mais baixos acordes, escolhes o inverno; o verão, com os mais sublimes;
e tangendo uma melodia dórica, a flor da primavera amorosa.
Por isso os mortais dão-te o nome de soberano
e de Pan, deus bicórneo, quando envias ventos silvantes,
e porque tens o selo e o molde de todo o cosmo.
Ouve, venturoso, guardando os mistérios com súplice voz.

[Tradução de Rafael Brunhara]

Um comentário:

Artur Morais disse...

Eu nem achei que você ia traduzir só porque um desconhecido pediu, mas fez. :3
Muito obrigado, muito mesmo.