terça-feira, janeiro 31, 2017

Hino Órfico 78: Aurora [Éos]

[Ἠοῦς], θυμίαμα μάνναν.

Κλῦθι, θεά, θνητοῖς φαεσίμβροτον ἦμαρ ἄγουσα,
Ἠὼς λαμπροφαής, ἐρυθαινομένη κατὰ κόσμον,
ἀγγέλτειρα θεοῦ μεγάλου Τιτᾶνος ἀγαυοῦ,
ἣ νυκτὸς ζοφερήν τε καὶ αἰολόχρωτα πορείην
ἀντολίαις ταῖς σαῖς πέμπεις ὑπὸ νέρτερα γαίης·
ἔργων ἡγήτειρα, βίου πρόπολε θνητοῖσιν·
ἧι χαίρει θνητῶν μερόπων γένος· οὐδέ τίς ἐστιν,
ὃς φεύγει τὴν σὴν ὄψιν καθυπέρτερον οὖσαν,
ἡνίκα τὸν γλυκὺν ὕπνον ἀπὸ βλεφάρων ἀποσείσηις,
πᾶς δὲ βροτὸς γήθει, πᾶν ἑρπετὸν ἄλλα τε φῦλα
τετραπόδων πτηνῶν τε καὶ εἰναλίων πολυεθνῶν·
πάντα γὰρ ἐργάσιμον βίοτον θνητοῖσι πορίζεις.
ἀλλά, μάκαιρ', ἁγνή, μύσταις ἱερὸν φάος αὔξοις.

[Da Aurora (Éos)], Fumigação: incenso

Ouve, Deusa, que traz o luzeiro dia aos mortais,
Aurora [Éos] luzente, pelo cosmo rubescente,
núncia do Deus magno, o puro Titã,
a sombria e cintilante marcha da Noite
aos ínferos tu envias quando ascendes!
Tu diriges os trabalhos,administras a vida aos mortais;
alegra-te a raça humana de fala articulada.
Não há quem fuja a teu superno olhar:
quando o doce sono tu afastas das pálpebras,
Todo mortal rejubila-se, todo o ser rastejante, as greis
de quadrúpedes, de alados e inúmeras raças marinhas;
em tudo provês uma vida ativa aos mortais.
Vamos, venturosa e pura, nos iniciados a sacra luz elevas!

Trad. Rafael Brunhara

terça-feira, agosto 09, 2016

Safo, fr. 31 - Tradução de André Malta

idêntico aos deuses parece-me
ser o homem que em frente a você
se senta, e a ouve falar do-
ce bem de perto

e rir de desejo – isso sim
me abala o coração no peito,
que mal a vejo e não há fa-
la mais em mim,

mas minha língua falha e leve
na pele um fogo logo espalha-se,
nos olhos nada olho e zu-
nem-me os ouvidos,

e o suor me escorre e o tremor
me toma toda, e estou mais pálida
que esta folha – e estar quase morta
é o que pareço.

[Trad.: André Malta]

domingo, abril 03, 2016

Hino Órfico 77: Memória [Mnemosine]

Μνημοσύνης, θυμίαμα λίβανον


Μνημοσύνην καλέω, Ζηνὸς σύλλεκτρον, ἄνασσαν,
ἣ Μούσας τέκνωσ' ἱεράς, ὁσίας, λιγυφώνους,
ἐκτὸς ἐοῦσα κακῆς λήθης βλαψίφρονος αἰεί,
πάντα νόον συνέχουσα βροτῶν ψυχαῖσι σύνοικον,
εὐδύνατον κρατερὸν θνητῶν αὔξουσα λογισμόν,
ἡδυτάτη, φιλάγρυπνος ὑπομνήσκουσά τε πάντα,
ὧν ἂν ἕκαστος ἀεὶ στέρνοις γνώμην κατ<ά>θηται,
οὔτι παρεκβαίνουσ', ἐπεγείρουσα φρένα πᾶσιν.
ἀλλά, μάκαιρα θεά, μύσταις μνήμην ἐπέγειρε
εὐιέρου τελετῆς, λήθην δ' ἀπὸ τῶν<δ'> ἀπόπεμπε.

De Memória [Mnemosine], Fumigação: Olíbano

Memória eu chamo, a consorte de Zeus, soberana
que engendrou as Musas, divinas sagradas claras cantoras,
longe sempre do terrível Oblívio demente [Lete]
conservas a inteligência que em almas mortais convive,
bem poderosa forte elevas a razão humana,
dulcíssima vigilante recordando os pensamentos
que cada um sempre deposita no peito,
sem descaminhos despertando a mente em todos.
Vem, venturosa deusa, nos iniciados a memória dos mistérios
despertas, sacratíssimo rito: o oblívio expedes para longe!

[Tradução Rafael Brunhara]