Se alguém, com pés turbinados, colhesse os louros de Nike,
ou no pentatlo, onde se localiza o templo de Zeus
à beira-Pisa, rio olímpio, ou na luta,
ou na estressante peleja de boxe,
ou na selvagem disputa denominada pancrácio,
cairia nas graças da coletividade,
assinalado por todos na tribuna de honra,
levando alimento às custas do erário,
e o regalo do prêmio, verdadeiro tesouro.
Mesmo no hipismo, receberia o acima descrito,
sem o merecer como eu: músculos e eqüinos,
a força bruta, ficam aquém da minha filosofia!
Esse hábito extrapola o razoável! É justo
optar pela força em detrimento da boa sabedoria?
Um representante do povo campeão de boxe,
ás no pentatlo, ouro na pugna,
expedito na pista (modalidade mais honrosa que o uso
da força nos jogos), não garante à pólis um norte.
Fugaz sera o prazer da cidade
se um filho seu ganhasse na fímbria do Pisa.
Isso não sobe os silos da pólis.
Trajano Vieira
VIEIRA, T. Xenofanias - releitura de Xenófanes. Campinas: Editora da Unicamp; São Paulo: Imprensa oficial do Estado de São Paulo. 2006
domingo, setembro 19, 2010
sexta-feira, setembro 17, 2010
Xenófanes, Fragmento 7a
Testemunha casual do açoite de um cão,
reagiu, coração partido - é o que dizem:
Pára! Chega de tortura! Pertence a um amigo
seu espírito. Reconheci-o pelo timbre do grito.
Trajano Vieira
VIEIRA, T. Xenofanias - releituras de Xenófanes. - Campinas, SP: Editora da UNICAMP; São Paulo, SP: Imprensa oficial do Estado de São Paulo, 2006.
reagiu, coração partido - é o que dizem:
Pára! Chega de tortura! Pertence a um amigo
seu espírito. Reconheci-o pelo timbre do grito.
Trajano Vieira
VIEIRA, T. Xenofanias - releituras de Xenófanes. - Campinas, SP: Editora da UNICAMP; São Paulo, SP: Imprensa oficial do Estado de São Paulo, 2006.
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quinta-feira, setembro 16, 2010
Xenófanes, Fr. 1 W
Agora o solo se depura, as mãos todas, os cálices;
alguém eleva à fronte a trança da coroa;
um outro infunde bálsamo no púcaro;
a cratera, plena, rejubila-se;
ultimam um vinho diverso - sua falta é inadmissível! - ,
docimel, arômata floral nos jarros;
espira sacra incensa o meio;
água pura, água-dulçor, frescor de água;
pronto o louro pão; fartura de queijo e mel
à mesa engalanada;
pétalas antológicas enchem o altar central;
vozes musicais ocupam a morada em festa.
Iniciar hinos ao deus é prerrogativa de homens felizes,
com seus mitos de augúrio, linguagens de catarse.
Finda a libação e o clamor pelo justo proceder
- eis o que a tudo precede! -
beber já não agride, quando permita o torna-lar
sem amparo no escravo, se idade não pesa...
Digno de nota é quem, pós-beberagem, revela temas de nobreza,
o tônus da memória no que é meritório,
não em episódios de refregas titânicas, gigânteas,
centáureas, invencionices do passado,
ou nas revoltas sanguinárias. Que vantagem nos trazem?
Dádiva é manter a mente nas deidades.
Trajano Vieira.
Fonte: VIEIRA, T. Xenofanias: releituras de Xenófanes. Editora da Unicamp, São Paulo, SP: Imprensa oficial do estado de São paulo, 2006.
alguém eleva à fronte a trança da coroa;
um outro infunde bálsamo no púcaro;
a cratera, plena, rejubila-se;
ultimam um vinho diverso - sua falta é inadmissível! - ,
docimel, arômata floral nos jarros;
espira sacra incensa o meio;
água pura, água-dulçor, frescor de água;
pronto o louro pão; fartura de queijo e mel
à mesa engalanada;
pétalas antológicas enchem o altar central;
vozes musicais ocupam a morada em festa.
Iniciar hinos ao deus é prerrogativa de homens felizes,
com seus mitos de augúrio, linguagens de catarse.
Finda a libação e o clamor pelo justo proceder
- eis o que a tudo precede! -
beber já não agride, quando permita o torna-lar
sem amparo no escravo, se idade não pesa...
Digno de nota é quem, pós-beberagem, revela temas de nobreza,
o tônus da memória no que é meritório,
não em episódios de refregas titânicas, gigânteas,
centáureas, invencionices do passado,
ou nas revoltas sanguinárias. Que vantagem nos trazem?
Dádiva é manter a mente nas deidades.
Trajano Vieira.
Fonte: VIEIRA, T. Xenofanias: releituras de Xenófanes. Editora da Unicamp, São Paulo, SP: Imprensa oficial do estado de São paulo, 2006.
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