Ao fim de vinte anos de trabalhos e de estranha aventura, Ulisses filho de Laertes retorna a sua Ítaca. Com a espada de ferro e o arco executa a devida vingança. Atônita até o medo, Penélope não se atreve a reconhecê-lo e alude, para testá-lo, a um segredo que os dois compartilham, e apenas os dois: o de seu tálamo comum, que nenhum dos mortais pode mover, porque a oliveira com que foi lavrado o ata à terra. Esta é a história que se lê no livro vigésimo terceiro da Odisséia.
Homero não ignorava que as coisas devem ser ditas de maneira indireta. Tampouco o ignoravam seus gregos, cuja linguagem natural era o mito. A fábula do tálamo que é uma árvore é uma espécie de metáfora. A rainha soube que o desconhecido era o rei quando se viu em seus olhos, quando sentiu em seu amor que a encontrava o amor de Ulisses.
Jorge Luís Borges
Tradução: Josely Vianna Baptista
Fonte: BORGES, J.L. História da Noite in: Obra completa Volume 3 São Paulo: Globo, 1996.
terça-feira, fevereiro 16, 2010
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
Poema do beco
Que me importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
- O que eu vejo é o beco
M.Bandeira
- O que eu vejo é o beco
M.Bandeira
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segunda-feira, fevereiro 08, 2010
Safo 137 L-P
quero dizer-te uma coisa, mas me tolhe
o pudor [
...
fosse, o teu, um desejo por algo nobre e bom
não te estalassem na língua umas palavras feias,
nenhum pudor velaria os teus olhos
[e o que é certo tu dirias]
Tradução: Joaquim Brasil Fontes
Fonte: FONTES, J.B. Eros, tecelão de mitos. São Paulo: Iluminuras. 2002.
o pudor [
...
fosse, o teu, um desejo por algo nobre e bom
não te estalassem na língua umas palavras feias,
nenhum pudor velaria os teus olhos
[e o que é certo tu dirias]
Tradução: Joaquim Brasil Fontes
Fonte: FONTES, J.B. Eros, tecelão de mitos. São Paulo: Iluminuras. 2002.
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