sábado, dezembro 05, 2009

Posídipo (Antologia Grega)

9.359

Que senda seguir vida afora? Na praça do mercado,
disputas e negócios difíceis; em casa,
preocupações; no campo, fadigas de sobra; no mar,
assombro; no estrangeiro, se tens algo, alarma;
se estás mal de vida, aflição. És casado? Não te faltam
cuidados. Não o és? Vives muito sozinho.
Filhos dão trabalho; sem eles, a vida se mutila;
a juventude é tola e a velhice fraca.
Há, pois, só uma escolha entre duas opções: ou não nascer
jamais ou morrer logo após o nascimento.

12.120


Estou bem armado e, embora mortal, vou te combater
sem pedir quartel; tu, Eros, não me ataques mais.
Se me achares ébrio, leva-me preso, mas estando eu
sóbrio, terei a razão em armas contra ti.

Tradução: José Paulo Paes
Fonte: Poemas da Antologia Grega ou Palatina. SP: Cia das Letras. 1995

As Máximas dos Sete Sábios (Antologia Grega, 9.366)

Dos sete sábios direi o nome, a cidade e a sentença.
A medida é o melhor, disse Cleóbulo de Lidos;
Quílon, da vácua Lacônia: conhece-te a ti mesmo;
Periandro, que em Corinto morou: dominar a cólera;
Pítaco, natural de Mitilene: em excesso, nada;
Sólon, da sagrada Atenas: olha para o fim da vida;
maus, na maioria, os homens, disse Bias de Priene;
e Tales de Mileto advertiu: receia a segurança.

Tradução: José Paulo Paes.

Fonte: Poemas da Antologia Grega ou Palatina. São Paulo: Companhia das Letras. 1995

Paulo Silenciário - Antologia Grega

5.252
Atiremos longe nossas túnicas e, nus nós dois,
entrelacemos, bela, nossos membros nus.
Que não haja nada de permeio: um muro de Semíramis
me parece o tecido mais ligeiro em ti.
Que se juntem nossos peitos, nossos lábios, e em silêncio
passe o resto: eu abomino boca tagarela.

5.258

Tuas rugas, Filina, são preferíveis à seiva toda
da juventude; desejo ter em minhas mãos
antes os teus pomos pensos sob o peso dos cachos que
os seios em riste de uma donzela qualquer.
Teu outono é melhor que a primavera de outras, e há mais
calor em teu inverno do que no estio delas.

5.272

Boca unida à boca, tenho os seios em minhas mãos
e lhe devoro em fúria o alvíssimo pescoço.
Porém não é minha ainda toda essa Afrodite; insisto
em persegui-la, à virgem que me nega o leito.
É que ela deu-se, metade à Páfia, a outra metade a Atena:
eu, no meio das duas, vou me consumindo.

Tradução: José Paulo Paes
Fonte: Poemas da Antologia Grega ou Palatina, São Paulo: Companhia das Letras, 1995