sábado, setembro 19, 2009

Hino Homérico XX: A Hefesto

Hefesto de ínclito engenho canta, Musa de voz límpida,
que com Atena Glaucópída dons esplêndidos
aos homens ensinou sobre a terra, que antes mesmo
em antros montanhosos viviam como feras.
Hoje por Hefesto de ínclita arte obras aprenderam
e facilmente a vida até o fim do ano
livres de cuidado passam em seus lares.
Sê propício, Hefesto, dá-me virtude e felicidade!

Tradução: Rafael Brunhara

sexta-feira, setembro 18, 2009

Bocage [1]

Marília, nos teus olhos buliçosos
Os amores gentis seu facho acendem,
A teus lábios voando, os ares fendem
Terníssimos desejos sequiosos;

Teus cabelos sutis e luminosos
Mil vistas cegam, mil vontades prendem,
E em arte aos de Minerva se não rendem
Teus alvos, curtos dedos melindrosos.

Reside em teus costumes a candura,
Mora a firmeza no teu peito amante,
A razão com teus risos se mistura;

És dos céus o composto mais brilhante:
Deram-se as mãos virtude e formosura,
Para criar tua alma e teu semblante.

Oh! Vem, deidade horrenda, irmã da Morte,
Vem, que esta alma, avezada a mil conflitos,
Não se assombra do teu, bem que mais forte;

Mas, ah! Mandando ao Céu meus ais contritos,
Espero, que primeiro que o teu corte,
Me acabe viva dor dos meus delitos.

Odissey (Robert Fagles)

Sing me of the man, Muse, the man of twists and turns
driven time and again off course, once he had plundered
the hallowed heights of Troy.
Many cities of men he saw and learned their minds,
many pains he suffered, heartsick on the open sea,
fighting to save his life and bring his comrades home.
But he could not save them from disaster, hard as he strove -
the recklessness of their own ways destroyed them all,
the blind fools, they devoured the cattle of the Sun
and the Sungod blotted out the day of their return.
Launch out on his story, Muse, daughter of Zeus,
start from where you will - sing for our time too.