segunda-feira, agosto 25, 2008

Sólon - Eunomia

Nossa cidade, por disposição de Zeus, não perecerá jamais,
nem por vontade dos abençoados deuses imortais;
magnânima, vigilante filha de um pai poderoso,
Palas Atena tem mão sobre ela.
Eles próprios, com suas loucuras, querem destruir a grande cidade -
os cidadãos, persudidos por riquezas,
e também a mente injusta dos chefes do povo; para eles,
por sua grande desmedidaa, estão preparados muitos sofrimentos,
pois não sabem conter a insolência
nem moderar na paz do banquete as alegrias do momento.
.....................................................
Mas enriquecem persuadidos por ações injustas
.....................................................
Não poupando os bens sagrados nem os públicos
eles roubam por rapinagem, um aqui outro acolá...
E não preservam os veneráveis alicerces da Justiça que,
em silêncio, conhece o presente e o passado
e com o tempo sempre vem para punir.
Essa ferida inevitável já alcança a cidade inteira
que depressa chegou à dolorosa servidão:
esta desperta a revolta civil e a guerra adormecida,
que de muitos destrói a amável juventude;
por obra de inimigos, depressa a amorável cidade
se consome em reuniões de que os injustos são amigos.
São esses os males que grassam entre o povo; dos pobres,
muitos chegam à terra estranha, vendidos
e agrilhoados com inadequados grilhões.
.......................................................
Assim, o Mal Público chega para cada um em sua casa
e já os portões do pátio não podem detê-lo,
mas de um salto ultrapassa o muro elevado e sempre encontra,
mesmo aquele que, fugindo, estiver no recôndito do quarto.
Eis o que meu coração ordena ensinar aos Atenienses:
a Disnomia tras males inúmeros à cidade
mas Eunomia faz aparecer tudo em boa ordem
e bem ajustado e muitas vezes coloca peias nos homens injustos.
Aplaina o abrupto, põe fim à insolência, abranda a violência,
murcha as flores da desgraça em seu desabrochar...
Endireita as sentenças torcidas, enfraquece as obras do orgulho,
põe fim às obras da sedição,
põe fim à ira da penosa discórdia; com ela
tudo entre os homens é justeza e prudência.

Tradução: Gilda N.M.Barros

terça-feira, agosto 05, 2008

Catulo, 65

Embora ilhado em mágoas, uma dor sem fim
me afaste, ó Hórtalo, das virgens doutas
nem bons frutos das Musas possa pensamento
gerar (que já flutua em tantos males
pois uma onda, há pouco manando do abismo
do Oblívio, os alvos pés banhou de meu
irmão, em quem, roubado a meus olhos, na praia
Retéia areias pesam de Tróia, ah!
Nunca mais conversar nem ouvir-te contar-me
teus feitos, nunca mais te ver, irmão
mais amável que a vida, e sempre vou te amar,
meu canto tornar triste por tua morte,
qual canta sob as sombras dos ramos tão densas -
ave - a Daulíade a gemer a ausência
de Ítilo); em tanta dor porém te envio, ó Hórtalo,
estes versos vertidos de Calímaco
por teus ditos, dispersos aos ventos volúveis,
em vão não creres voaram de meu peito,
como a maçã - furtivo presente do amante -
que cai do casto colo da menina
esquecida, coitada, do fruto escondido
entre as dobras do manto: vem a mãe,
ela salta e no chão foge o fruto, em sua face
infeliz um rubor lhe sobe cúmplice.

Tradução: João Angelo Oliva Neto

quinta-feira, julho 31, 2008

Odisséia XX,350-357

Teoclimeno a vozes profetiza:
"Misérrimos, que noite vos rodeia
de alto a baixo! Que lúgubre ululado!
Estou já vendo lagrimosas faces,
Em sangue estas paredes e estes postes,
Cheio o vestíbulo e a brilhante sala
De espectros, que ao profundo Erebo descem!
Morre o Sol, e se esparge e adensa a treva!"

Tradução de Odorico Mendes