quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Odisséia, XVIII, 104-110

"De quanto cá respira e cá rasteja,
Nada é mais lastimável do que o homem:
No seu vigor e próspera fortuna,
Com desgraça não conta, e se esta o assalta,
Não sabe suportá-la e acusa os deuses.
Pois tem versátil ânimo os terrestres,
Segundo altera Júpiter os dias."

Tradução: Odorico Mendes

domingo, fevereiro 03, 2008

Epílogo

Eu quis um dia, como Schumann, compor
um carnaval todo subjetivo:
Um carnaval que o só motivo
fosse o meu próprio ser interior...

Quando acabei - a diferença que havia!
O de Schumann é um poema cheio de amor,
e de frescura, e mocidade...
E o meu tinha a morta morta-cor
da senilidade e da amargura...
- O meu carnaval sem nenhuma alegria!

sábado, fevereiro 02, 2008

Mascarada

Você me conhece?
(Frase dos mascarados de antigamente)


-Você me conhece?
-Não conheço não.
-Ah, como fui bela!
Tive grandes olhos,
que a paixão dos homens
(estranha paixão!)
Fazia maiores...
Fazia infinitos.
Diz: não me conheces?
-Não conheço não.

-Se eu falava, um mundo
Irreal se abria
à tua visão!
Tu não me escutavas:
Perdido ficavas
Na noite sem fundo
Do que eu te dizia...
Era a minha fala
Canto e persuasão...
Pois não me conheces?
-Não conheço não.
-Choraste em meus braços
-Não me lembro não.

-Por mim quantas vezes
O sono perdeste
E ciúmes atrozes
Te despedaçaram!

Por mim quantas vezes
Quase tu mataste,
Quase te mataste,
Quase te mataram!
Agora me fitas
E não me conheces?

-Não conheço não.
Conheço que a vida
É sonho, ilusão.
Conheço que a vida,
A vida é traição.