sábado, outubro 20, 2007

Teogonia 116-122

Sim bem primeiro nasceu Caos, depois também
Terra de amplo seio, de todos sede irresvalável sempre,
dos imortais que têm a cabeça no Olimpo nevado,
e Tártaro nevoento no fundo do chão de amplas vias,
e Eros: o mais belo entre Deuses imortais,
solta-membros, dos Deuses todos e dos homens todos
ele doma no peito o espírito e a prudente vontade.

[Tradução de Jaa Torrano]

quinta-feira, outubro 18, 2007

Anacreonte # 2

1.
Traz essa taça, ó rapazinho,
Para que agora um trago eu prove,
E cinco doses põe de vinho,
Uma de água com mais nove.
Eu decidi, sem insolência,
Honrar a Baco em compromisso,
Dispenso agora a exigência,
O formalismo, e mais serviço!
Não quero claque ou audiência. [Fr.4 Diehl]

2.
Detesto quem evoca
Prantos da fera guerra,
Enquanto os lábios molha
Ao vinho da cratera.
Por isso eu amo quem
Mistura Musa e Vênus,
E os dons da farra tem,
Esplêndidos, serenos.

3.
Alva me restou a fronte,
Me são têmporas grisalhas,
Vão meus verdes anos: onde?
Já meus dentes são limalha!
Resta-me viver da vida
Um sopro que vai morrendo,
Por que choro sem guarida?
Pelo Tártaro, que é horrendo.
Mas terrível é que a ida
Não tem volta, é só descendo.

Alceu - Fr.357 LP

Reluz em bronze a sala. De elmos brilhantes todo o teto está
apinhado, onde se ondeiam crinas alvas de cavalo, que hão de
ornar a testa dos guerreiros. E dos ganchos penduradas, mil luzidas
caneleiras são o aval contra uma lança poderosa. De linho
novo revestidas,as couraças juncam-se no chão, em meio a
côncavos escudos. Espadas da Calcídia pelos lados, montes de
túnicas e cinturões. Que não se esqueça coisa alguma, que a
peleja se aproxima.

[Tradução: Antônio Medina Rodrigues]