sexta-feira, outubro 12, 2007

Catulo, 39

Egnatius
porque tem dentes brancos
ri à toa.
Se alguém está no banco dos réus
e o advogado arranca lágrimas do júri
Egnatius ri.
Ri.
Em qualquer momento ou lugar.
É seu fraco. Ofensivo
à elegância e à urbanidade.
(creio).
Aprende pois
Egnatius
meu velho:
ainda que fosses da Capital
ou da Sabina
ou de Tibur
um úmbrio sovina ou um etrusco obeso
um lanuvino moreno e de bons dentes
ou
(para incluir meus conterrâneos) um
transpadano ou
de qualquer parte onde se faça um mínimo
de higiene bucal
ainda assim
eu não suportaria os teus dentes ridentes.
nada mais alvar que um riso alvar.
Mas acontece que és celtíbero.

Na Celtibéria
costumam de manhã com a própria urina
enxaguar caninos e gengivas.

Dentes mais brancos?
Maior ração de urina.

[Tradução: Haroldo de Campos]

Catulo, 41 - Outra tradução

Ameana, piranha desfrutável,
me pediu dez mil sestércios
ao todo!
Aquela mesma,
a menina de nariz torto,
comida do banquirroto Formiano.

Parentes e vizinhos dessa moça
chamem o médico,
reúnam (ela não anda boa)
o conselho da família.
Que tem?
Excesso...
de fantasia.

[Tradução: Haroldo de Campos]

Outra tradução: João Ângelo Oliva Neto

Catulo, 13

Vais jantar bem, Fábulo, em minha casa
qualquer noite destas.
Basta que tragas o favor dos deuses
e ainda
o "couvert", o assado, o vinho, muito sal,
uma companheira enxuta
e uma reserva de risadas.
Nessa base, vais jantar bem:
a bolsa do teu Catulo está cheia
de teias de aranha.
Em troca, mera amizade
e o que me resta de raro e refinado:
um perfumne
-Vênus e os amores! -
o aroma - o cheiro da minha dona.
Fábulo,
uma fábula!
Vais virar nariz.

[Tradução: Haroldo de Campos]