Calino
Até que ponto, inertes, folgareis?
Vergonha não vos dá dos que na luta
A pátria amparam, ou quereis, talvez
A paz, quando os demais no ardor se ralam?
Mesmo a morrer, a lança arremessai,
Também na morte é que se ganha a glória,
E salva é a esposa, o filho, e seus pais.
Ah, perecer, por eles, é vitória!
Então firmai a lança, e ao peito vosso
O escudo firme armai contra o rival!
Fugir, choramingar, que ninguém possa,
Ou mesmo crer-se ileso e imortal,
Ou sob a cama fique em medo ou possa
Os pares esquecer na hora fatal.
Do ser que é macho sobe sempre a fama,
O herói é o galardão do chão natal,
Diz não ao resto, quando a pátria o chama.
Tirteu
Belo é tombar em sangue um bravo herói
Que lute pela pátria lá na frente!
Em mendicância andar? Nada há pior
Que um homem se arrastar como indigente,
Ao léu seu pai e a mãe jogada às ruas,
Filhos e esposa a receber desdéns,
De todos a quem peçam de mãos nuas.
Ofende o peito, enluta a raça quem
Suporta o riso alheio e escarninho.
Se mal andamos nós sem um vintém,
E sem que um sonho bom nos encaminhe,
Morramos pela pátria, nosso bem,
Que é vil à vida assim ter um carinho.
(Traduções: Antônio Medina Rodrigues)
sábado, setembro 15, 2007
sexta-feira, setembro 14, 2007
Alceu 346 LP
Fúria destes ventos me entorpece:
Ou se engalfinham ondas pela proa,
Ou pelo lado a onda me aborrece,
Em negra embarcação vamos a toa,
E na tormenta o ardor então falece.
Já encobre o mastro agora um aguaceiro,
E a vela vai dançando pelo vento,
Esfarrapada, à força do salseiro,
E agora(é o fim!)cedeu o amarramento.
Tradução: Antônio Medina Rodrigues.
Ou se engalfinham ondas pela proa,
Ou pelo lado a onda me aborrece,
Em negra embarcação vamos a toa,
E na tormenta o ardor então falece.
Já encobre o mastro agora um aguaceiro,
E a vela vai dançando pelo vento,
Esfarrapada, à força do salseiro,
E agora(é o fim!)cedeu o amarramento.
Tradução: Antônio Medina Rodrigues.
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quarta-feira, setembro 12, 2007
A uma passante - Baudelaire
La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d’une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l’ourlet ;
Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l’ouragan,
La douleur qui fascine et le plaisir qui tue.
Un éclair...puis la nuit! – Fugitive beauté
Dont le regard m’a fait soudainement rena�tre,
Ne te verrai-je plus que dans l’eternité?
Ailleurs, bien loin d’ici! trop tard! jamais peut-être!
Car j’ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
O toi que j’eusse aimée, ô toi qui le savais!
A rua, em torno, era ensurdecedora vaia.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;
Perna de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como um basbaque extravagante,
No tempestuoso céu de seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.
Brilho...e a noite depois! - Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?
Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!
(Tradução: Guilherme de Almeida)
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d’une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l’ourlet ;
Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l’ouragan,
La douleur qui fascine et le plaisir qui tue.
Un éclair...puis la nuit! – Fugitive beauté
Dont le regard m’a fait soudainement rena�tre,
Ne te verrai-je plus que dans l’eternité?
Ailleurs, bien loin d’ici! trop tard! jamais peut-être!
Car j’ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
O toi que j’eusse aimée, ô toi qui le savais!
A rua, em torno, era ensurdecedora vaia.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;
Perna de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como um basbaque extravagante,
No tempestuoso céu de seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.
Brilho...e a noite depois! - Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?
Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!
(Tradução: Guilherme de Almeida)
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