segunda-feira, maio 21, 2007

Mimnermo 1

Que vida tem valor, sem de Afrodite
As da dádivas douradas? Antes quero a morte,
Se os beijos não tiver, e a cama e os apetites,
Que são da rubra mocidade a sorte,
Varões a porem nus e senhoritas.
(A idade, ao descambar num ser humano,
Imprime nele os males todos: tudo o irrita.
Nem o aviva mais o sol, o céu de Urano,
Nem nas crianças vê coisa bonita.
E as fêmeas o desprezam, tanto o soberano
Ao homem no final da vida prejudica.)

(Tradução de Antônio Medina Rodrigues)

domingo, maio 20, 2007

Alphonsus de Guimaraens - Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar
Viu uma lua no céu,
Viu uma lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava longe do céu...
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par
Sua alma, subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar.

Safo - Ode a Anactória

Dizem: O renque de carros ou de soldados
ou de navios é sobre a terra negra
a suprema beleza. Digo: é aquilo que
se ama.

Muito fácil fazer isto compreensível
a todos: - Helena, a que superou
toda beleza de humanos, ao mais nobre
marido

deixou atrás e foi a Tróia num navio.
Nem da filha nem dos pais queridos
nada se recordou, mas seduziu-a
Cípris.

Nas mãos de Cípris, é maleável a mente.
Eros faz nosso pensamento revirar-se
leve e faz-me lembrar agora Anactória
longe.

Quisera eu ver o encanto de seu andar
e a luz brilhante de seu rosto,
não carros da Lídia ou guerreiros
com armas.

(Tradução de Jaa Torrano)