sábado, maio 12, 2007

Carlos Drummond de Andrade - A paixão Medida

Trocaica te amei, com ternura dáctila
e gesto espondeu.
Teus iambos aos meus com força entrelacei.
Em dia alcmânico, o instinto ropálico
rompeu, leonino,
a porta pentâmetra.
Gemido trilongo entre breves murmúrios.
E que mais, e que mais, no crepúsculo ecóico,
senão a quebrada lembrança
de latina, de grega, inumerável delícia?

Catulo, 92

Lésbia só fala mal de mim, sempre, e não cala
nunca; que eu morra se ela não me ama.
Como sei? Também tenho tal sintoma; ataco-a
muito, mas que eu morra se não a amo.
(Tradução de João Angelo Oliva Neto)

Sem calar-se um só instante,
Lésbia sempre me difama
Pois que eu morra esturricado
Se essa mulher não me ama.

Como sei? Pois é a mesma
A situação em que estamos:
Eu sempre a cubro de injúrias,
Que eu morra se não a amo!
(Tradução de José Dejalma Dezotti)

Catulo,93

Não ligo a mínima, César,
Se estou mal em seu conceito.
Nem mesmo quero saber
Se você é branco ou preto.
(Tradução de José Dejalma Dezotti)


Não faço o mínimo, César, para te agradar.
Nem quero o saber se és branco ou preto.
(Tradução de Haroldo de Campos)

Pouco me importa, César, querer te agradar,
nem quero saber se és Grego ou Troiano.
(Tradução de João Angelo Oliva Neto)