Ode III, 30
Mais perene que o bronze um monumento
ergui, mais alto e régio que as pirâmides,
nem o roer da chuva nem a fúria
de Áquilo o tocarão, tampouco o tempo
ou a série de anos. Imortal
em grande parte, a morte só de pouco
de mim se apossará. Que eu semprenovo,
acrescido em louvor, hei de crescer
enquanto ao Capitólio suba o Sumo
sacerdote e a calada vestal. Aonde
violento o Áufido espadana, aonde
depauperado de água o Dauno agrestes
povos regeu, de humilde a poderoso
dirão que eu passei: príncipe, o primeiro
em dar o eólio canto ao modo itálico.
Assume os altos méritos, Melpómene:
cinge-me a fronte do laurel de Apolo.
(Tradução de Haroldo de Campos).
sábado, maio 05, 2007
Horácio, Ode I, 5 - Haroldo de Campos
Ode I, 5
Quem, Pirra
agora
se lava em rosas
(pluma e latex)
na rosicama do
teu duplex?
Quem,
onda a onda,
do teu cabelo
desfaz a trança
platino-blonda?
Pobre coitado
inocente inútil
vai lamentar-se
para toda a vida.
Um deus volúvel
mais do que a brisa
muda em mar negro
seu lago azul.
Pensava que eras
dócil-macia
toda ouro mel.
Não és. Varias
(Ah quem se fia
no fútil brilho
desse ouropel!)
Eu, por meu turno,
todo ex-aluno,
esta oferenda
ao deus Netuno
padripotente
no teu vestíbulo
deixo suspensa
(vide a legenda):
VMIDA AINDA
A TVNICA
(Tradução de Haroldo de Campos)
Quem, Pirra
agora
se lava em rosas
(pluma e latex)
na rosicama do
teu duplex?
Quem,
onda a onda,
do teu cabelo
desfaz a trança
platino-blonda?
Pobre coitado
inocente inútil
vai lamentar-se
para toda a vida.
Um deus volúvel
mais do que a brisa
muda em mar negro
seu lago azul.
Pensava que eras
dócil-macia
toda ouro mel.
Não és. Varias
(Ah quem se fia
no fútil brilho
desse ouropel!)
Eu, por meu turno,
todo ex-aluno,
esta oferenda
ao deus Netuno
padripotente
no teu vestíbulo
deixo suspensa
(vide a legenda):
VMIDA AINDA
A TVNICA
(Tradução de Haroldo de Campos)
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Safo
Parece-me par dos deuses
ser o homem que ante de ti
senta-se e de perto te ouve
a doce voz
e o riso desejoso. Sim isso
me atordoa o coração no peito:
tão logo te olho, nenhuma voz
me vem
mas calada a língua se quebra,
leve e sob a pele um fogo me corre,
com os olhos nada vejo, sobrezum-
bem os ouvidos
frio suor me envolve, tremo
toda tremor, mais verde que relva
estou, pouco me parece faltar-me
para a morte.
Mas tudo é ousável e sofrível...
(Tradução de Jaa Torrano)
ser o homem que ante de ti
senta-se e de perto te ouve
a doce voz
e o riso desejoso. Sim isso
me atordoa o coração no peito:
tão logo te olho, nenhuma voz
me vem
mas calada a língua se quebra,
leve e sob a pele um fogo me corre,
com os olhos nada vejo, sobrezum-
bem os ouvidos
frio suor me envolve, tremo
toda tremor, mais verde que relva
estou, pouco me parece faltar-me
para a morte.
Mas tudo é ousável e sofrível...
(Tradução de Jaa Torrano)
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