segunda-feira, abril 30, 2007

Marcial

Homem belo e de valor
queres, Cota, parecer:
mas um homem, sendo belo,
de valor não pode ser.

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Aqui lês dois versos bons,
três passáveis, mil ruins.
Não há outro modo, Avito:
Um livro se faz assim.

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Os versos que tu recitas
São sim, Fidentino, meus:
Mas como os recitas mal
Eles passam a ser teus.

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Você que franze os sobrolhos
e não me lê de bom grado
morra sempre de inveja,
sem nunca ser invejado.

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Que eu te recite meus versos,
me pedes quase a implorar.
Não quero, Célere, almejas
não ouvir, mas recitar.

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Dar a metade pro Lino
É bem melhor, na verdade,
do que tudo lhe emprestar.
Antes perder só metade.

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Tens costume quando metes
De cagar depois que acabas.
Policarmo, o que é que fazes
Quando é alguém que te enraba?

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Se no moço dói o pau,
e em ti dói o buraco,
não sou advinho, Névolo,
mas o que fazes, eu saco.

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Sertório começa tudo
e nada acaba, em verdade:
penso até que quando mete,
ele pára na metade.

(Traduções de José Dejalma Dezotti)

domingo, abril 29, 2007

Catulo, 69

Não fiques, Rufo, espantado
se não há nenhuma trouxa
que queira sob teu corpo
colocar a tenra coxa,

mesmo quando em tua lábia
ofereces de presente
tentações de um manto raro,
ou de pedras reluzentes.

É que corre por aí
um boato que te fode:
dizem que nos teus sovacos
habita um terrível bode.

E dele todas têm medo.
Não pasmes; é de amargar
a fera e nenhuma bela
com ela quer se se deitar.

Por isso ou põe fim à peste
para os narizes maldita,
ou pára de ficar pasmo
se a mulherada te evita.

(Tradução de José Dejalma Dezotti)

Horácio

Ode I, IX (Tradução de Paulo Leminski)

Não me perguntes
Saber não presta
Leuconoe
Que fim os deuses nos preparam
Nem arrisque
Números de Babel
Como se fosse o máximo – o que vier: fature

Se o pai te concedeu vários invernos
Ou o último
Agora o mar Tyrrheno cepilha pedras de naufragar
Filtre o vinho
Sorva os coos
Prazo breve
Corta
A espera
A era já era
Antes do tempo de dizer
Estamos conversados
Pega este dia
Crer no próximo
Não vale um nihil