domingo, abril 29, 2007

Horácio

Ode I, IX (Tradução de Paulo Leminski)

Não me perguntes
Saber não presta
Leuconoe
Que fim os deuses nos preparam
Nem arrisque
Números de Babel
Como se fosse o máximo – o que vier: fature

Se o pai te concedeu vários invernos
Ou o último
Agora o mar Tyrrheno cepilha pedras de naufragar
Filtre o vinho
Sorva os coos
Prazo breve
Corta
A espera
A era já era
Antes do tempo de dizer
Estamos conversados
Pega este dia
Crer no próximo
Não vale um nihil

sábado, abril 28, 2007

Catulo, 8

Infeliz Catulo, deixa de loucura
e o que pereceu considera perdido.
Outrora brilharam-te dourados sóis
Quando ias aonde levava a menina
amada por nós como ninguém será;
lá muitos deleites havia que tu
querias bem, e ela não queria mal.
É certo, brilharam-te dourados sóis...
Agora ela não quer: Tu, louco, não queiras
nem busques quem foge nem vivas aflito,
porém duramente suporta, resiste.
Vai,menina, adeus, Catulo já resiste,
não vai te implorar nem à força exigir-te
mas quando ninguém te quiser vais sofrer.
Ai de ti, maldita, que vida te resta?
Pois quem vai te ver? P'ra quem te enfeitarás?
E quem vais amar? De quem dirás que és?
Quem hás de beijar? Que lábios vais morder?
Mas tu, Catulo, resoluto, resiste.

Tradução: João Angelo Oliva Neto

O Rio

Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas nos céus, refletí-las.
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranqüilas.

(Manuel Bandeira)